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      InícioSociedadeAssociações laborais conformadas com restrições a protestos devido a pandemia

      Associações laborais conformadas com restrições a protestos devido a pandemia

      Associações laborais de Macau mostram-se conformadas com restrições à organização de protestos no Dia do Trabalhador devido à pandemia, medidas que o líder da associação pró-democracia considera ser consequência do “ambiente político corrente”.

       

      Ainda há quatro anos, a Nova Associação dos Direitos de Trabalhadores da Indústria de Jogos foi um dos grupos com maior presença nas manifestações do 1.º de Maio, com cerca de três centenas de membros a percorrerem as ruas de Macau, segundo números noticiados pela imprensa local que citavam as autoridades. Mas para domingo, dia em que se celebrou mais um Dia do Trabalhador, a associação liderada por Cloee Chao optou por manter-se à margem de eventuais protestos, à semelhança do que aconteceu nos últimos anos.

      “Com a pandemia, não foram aprovados estes eventos durante dois anos”, justificou a líder associativa, admitindo que desta vez não fez chegar qualquer requerimento à Polícia de Segurança Pública, como é exigido por lei. “Tanto quanto sei, nenhum outro grupo tentou registar-se, porque, ao que parece, não se ouviu falar de abertura [das autoridades para o protesto]”, acrescentou.

      Também a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM), que não participa há pelo menos quatro anos nos protestos do Dia do Trabalhador, disse que “devido aos problemas da pandemia” não solicitou ordem policial. “Até cancelámos uma actividade do 1.º de Maio em termos desportivos, porque achamos que a concentração de pessoas pode trazer problemas”, notou o presidente da ATFPM, José Pereira Coutinho.

      Questionado sobre o facto de, ao contrário do que acontece há muitos anos, nenhum grupo laboral ter requerido a organização naquelas que foram desde a transferência de soberania de Macau para a China umas das mais concorridas manifestações do território, o também deputado à Assembleia Legislativa (AL) rejeitou qualquer motivação política, observando tratar-se de “uma situação normal”, com base no “contexto sanitário”. “Estamos a viver no novo normal”, analisou o português.

      Macau, um dos primeiros territórios a ser atingido pela pandemia, registou até à data 82 casos de covid-19 e nenhuma vítima mortal, tendo proibido desde março de 2020 a entrada de estrangeiros na cidade, numa aposta na política de ‘zero casos’, como acontece na China. Vários eventos têm sido cancelados pelas autoridades no território, com a justificação que podem constituir um risco para a saúde da população.

      No ano passado, a PSP recebeu três notificações para a organização de marchas no Dia Internacional do Trabalhador, sendo que duas acabaram por ser canceladas pelos próprios promotores e outra foi proibida por não respeitar as medidas de prevenção da pandemia.

      À Lusa, o vice-presidente do grupo pró-democracia Associação Novo Macau (ANM), Sulu Sou, começou por sublinhar que as manifestações do 1.º de Maio são uma “tradição histórica”, convocada sobretudo pelas associações laborais da região, e que, por isso, a estrutura que dirige “nunca realizou manifestações” nesse feriado. “Mas apoiamos os residentes a fazerem uso dos seus direitos, especialmente neste ambiente de recessão económica”, frisou.

      Sulu Sou apontou, porém, que a pandemia é “uma justificação temporária ou mesmo uma desculpa” das autoridades para não autorizarem protestos na cidade. “O ambiente político corrente parece não permitir mais movimentos em massa de grande escala, mesmo que sejam legais e pacíficos”, avaliou o também ex-deputado, que está entre um grupo de pessoas proibidas pelas autoridades de se candidatarem às últimas legislativas por “não serem fiéis” a Macau.

      Há dois anos, o Governo proibiu, em Macau e Hong Kong, pela primeira vez em 30 anos, a realização da vigília pelas vítimas do massacre de Tiananmen no espaço público, numa decisão justificada com os esforços de prevenção da covid-19. E em 2021, o mesmo evento foi chumbado pela PSP por ser também um risco ao “incitamento à alteração violenta do sistema político”. Lusa

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      Redacção do Ponto Final Macau