Sector hoteleiro espera que mais visitantes pernoitem no fim-de-semana do Dia do Trabalhador

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FOTOGRAFIA: GONÇALO LOBO PINHEIRO

O fim-de-semana que se avizinha será prolongado pelo feriado de 1 de Maio. Segundo as contas da Direcção dos Serviços de Turismo (DST), o Dia do Trabalhador deverá trazer a Macau 25 mil visitantes por dia. Rutger Verschuren, da Associação de Hotéis de Macau, diz que é um objectivo alcançável. A extensão da validade dos testes para 72 horas para quem chega do interior da China também será um factor determinante para o aumento dos turistas que pernoitam. Por outro lado, o representante do sector hoteleiro frisa que “promover Macau agora [no estrangeiro] será uma perda de dinheiro”.

 

O feriado do Dia do Trabalhador vai dar um dia extra ao próximo fim-de-semana, e isso poderá fazer com que cheguem a Macau mais visitantes. A Direcção dos Serviços de Turismo (DST) diz que, por dia, em média poderão chegar à região 25 mil visitantes durante o fim-de-semana prolongado. Para Rutger Verschuren, vice-presidente da Associação de Hotéis de Macau, esse é um objectivo acessível, no entanto, ressalva que isso poderá não significar automaticamente um grande aumento na taxa de ocupação dos hotéis.

“Definitivamente, a cidade vai ter mais gente durante o dia, mas temos de ver quantos visitantes é que realmente pernoitam”, aponta ao PONTO FINAL Rutger Verschuren, assinalando que habitualmente apenas metade dos visitantes pernoita em Macau.

Os surtos que se têm registado em Pequim e Xangai também serão um factor determinante, visto que isso está a fazer com que as autoridades do continente desaconselhem as viagens. “Vamos receber turistas maioritariamente da área da Grande Baía, porque não estão muito longe e, por isso, eles vêm só durante o dia e à noite voltam para casa”, nota.

Recentemente, as autoridades aumentaram o prazo de validade dos testes de ácido nucleico para quem quer entrar em Macau, vindo do interior da China. Quem entrar em Macau proveniente de Guangdong terá de apresentar um certificado de teste negativo de ácido nucleico realizado até 72 horas antes. Anteriormente, o prazo era de 48 horas. Este factor também será decisivo para o aumento de visitantes.

“Definitivamente que é sinal de que as restrições estão a ficar mais flexíveis. De certeza que isso vai ter impacto no número de visitantes a chegarem a Macau, sem dúvida”, salientou, acrescentando que isso servirá de incentivo a que os visitantes do interior da China fiquem mais tempo no território. Rutger Verschuren lembra também que a DST tem um programa de subsídios para que os visitantes do interior da China pernoitem, oferecendo vales com 200 patacas a quem fica uma noite, 500 a quem fica duas noites e 800 a quem fica três noites. “Esperemos que, com isso, pernoitem mais e que fiquem mais tempo”.

Na opinião de Verschuren, os hotéis inseridos em ‘resorts’ integrados são aqueles que terão as maiores taxas de ocupação durante este fim-de-semana prolongado. No entanto, isto apenas acontecerá porque, explica, os próprios casinos fazem reservas de quartos de hotel e só depois vão tentar angariar jogadores para usarem os quartos.

Helena de Senna Fernandes, directora da DST, indicou recentemente que ainda não tinha conhecimento sobre a taxa de ocupação dos hotéis durante o período do 1 de Maio, no entanto, disse esperar que a taxa ultrapasse os 60%.

 

“PROMOVER MACAU AGORA [NO ESTRANGEIRO] SERÁ UMA PERDA DE DINHEIRO”

 

Há duas semanas, na Assembleia Legislativa (AL), o Chefe do Executivo chamou a atenção para a importância de diversificar as fontes de visitantes que chegam a Macau. “Como é que conseguimos explorar novos mercados? É um tempo crucial para fazer isso”, assinalou na altura Ho Iat Seng, recordando que antes da transferência de soberania, Macau recebia maioritariamente turistas vindos de mercados como o Japão, Tailândia e Índia, por exemplo. “Porque é que não conseguimos dar continuidade a esse fenómeno? Esse é o rumo. Não devemos depender só do interior da China, mas explorar novos mercados. Isso é que Macau precisa”.

O responsável da Associação de Hotéis de Macau diz concordar “absolutamente”. No entanto, à excepção do interior da China, as fronteiras estão fechadas para o resto do mundo, por isso, “ninguém vai querer investir a promover Macau no estrangeiro, já que não há perspectivas de quando é que as fronteiras vão abrir novamente”. “Promover Macau agora [no estrangeiro] será uma perda de dinheiro, já que não se pode entrar na região”, constatou Rutger Verschuren.

Por outro lado, o representante da associação diz que é importante que a indústria hoteleira seja informada sobre quando é que as fronteiras vão voltar a abrir para o estrangeiro, de forma a prepararem os seus recursos para receber turistas vindos de outras partes do mundo.

 

PONTO FINAL