Tempo e dinheiro é o que Macau necessita para alterar a sua imagem de centro de jogo. As conclusões são de especialistas na área do jogo no território, ouvidos pelo portal Asia Gaming Brief.
Há décadas que se fala na diversificação da economia de Macau, no entanto os esforços parecem não resultar e o Governo Central está a pressionar mais para que se altere a estrutura económica da região. Ao portal Asia Gaming Brief, analistas apontaram que a mudança só acontecerá com investimento avultado e tempo.
“As recentes medidas do país causaram mudanças estruturais nos casinos de Macau e na indústria do jogo de toda a Ásia-Pacífico”, indicou Ryan Ho, professor do Centro Pedagógico e Científico nas Áreas do Jogo e do Turismo da Universidade Politécnica de Macau (UPM). O analista acredita que a indústria terá de se adaptar às mudanças e focar-se principalmente no segmento de massas.
Scott Messinger também nota que será difícil alterar a imagem de Macau, sendo preciso tempo e dinheiro. O especialista em marketing disse que em muitas cidades do interior da China ainda não há consciência de que Macau pode ser mais do que meramente um destino de jogo. “Se apanharmos o comboio de Macau para a Estação Sul de Cantão e continuarmos, descobrimos que, quanto mais longe se viaja, para cidades como Changsha e Hangzhou, menor é a consciência sobre as ofertas não relacionadas com jogos de Macau”, indicou.
Por outro lado, Kevin Clayton, antigo responsável pelo marketing da Sands China e da Galaxy, lembra que o Governo foi claro sobre a necessidade de diversificar a economia local. No entanto, será difícil convencer as operadoras a investirem em projectos não relacionados com jogo: “Após mais de dois anos de cortes de despesas, incluindo no marketing, durante algum tempo haverá muito pouco apetite para aumentar a publicidade e promoções dos resorts”.
“Como parte central da sua recuperação pandémica, Macau deve continuar a construir a sua presença na Ásia como um destino turístico de classe mundial, destacando a sua colecção de marcas de qualidade mundialmente reconhecidas. Macau deve ser muito mais corajosa na sua intenção, contratando um par de grandes eventos que atraiam a atenção global e a cobertura mediática”, completou Clayton, salientando a importância de as concessionárias trabalharem de perto com a Direcção dos Serviços de Turismo (DST) para promoverem as suas marcas.
Os analistas rejeitaram que Macau venha a seguir o exemplo de Las Vegas, embora haja aprendizagens que se possam retirar da cidade norte-americana. “A experiência de desenvolvimento de Las Vegas pode ser um bom modelo para Macau”, disse Ryan Ho, ressalvando que, “no entanto, a simples reprodução do conceito de Las Vegas não é a melhor resposta para Macau”.
“Macau deve formular o seu modelo ideal para melhor se adequar ao contexto local e ao ambiente regional. Por exemplo, o plano de desenvolvimento cultural e turístico da iniciativa da Área da Grande Baía irá definitivamente proporcionar mais oportunidades de negócio para os operadores de casino e outros prestadores de serviços relacionados com o turismo em Macau”, concluiu Ho.
A.V.











