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      Consumo local continuará a diminuir devido ao aumento de viagens transfronteiriças, diz estudo

      Com uma “tendência irreversível” das deslocações transfronteiriças entre Macau, Hong Kong e o interior da China que se têm tornado cada vez mais convenientes, a procura do consumo no território poderá continuar a diminuir, alerta a Associação Económica de Macau. A instituição diz que há um desequilíbrio da retoma económica nas diferentes zonas e sectores e, desta forma, os comerciantes devem procurar responder às mudanças do mercado.

       

      A Associação Económica de Macau lançou um alerta para o desenvolvimento comercial desequilibrado no mercado local após a reabertura das fronteiras pós-pandemia. A análise mensal da associação sublinha que a facilitação contínua das deslocações transfronteiriças está a levar mais residentes de Macau a viajar para o interior da China e Hong Kong, e que a procura de consumo local, sobretudo o consumo quotidiano dos cidadãos, poderá diminuir ainda mais.

      Segundo abordou o estudo, as políticas de circulação dos veículos de Macau em Guangdong e Hong Kong, bem como as medidas impostas pelo Executivo sobre o desenvolvimento de Hengqin, fazem com que os modelos da passagem fronteiriça “tenham sido melhorados” e a Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau continua a aprofundar a sua integração. “As viagens transfronteiriças das pessoas entre os três locais tornar-se-ão mais cómodas e mais próximas, o que constitui uma tendência irreversível dos tempos”, assinalou.

      Joey Lao, ex-deputado e presidente da Associação Económica de Macau, realçou que a maior facilidade de passagem fronteiriça significa também que mais residentes de Macau terão vontade de ir ao interior da China e Hong Kong para consumir, causando impacto no consumo interno.

      “Embora os dados dos macro-indicadores reflictam uma forte recuperação económica, a economia interna está distribuída de forma desigual, com um desenvolvimento desequilibrado e insuficiente no desempenho da recuperação dos distritos turísticos e residenciais, bem como entre diferentes indústrias”, assinalou. Nesse sentido, o economista frisou que a questão “merece atenção” e que os comerciantes devem “adaptar-se à tendência dos tempos” e “responder positivamente às mudanças e tomar a iniciativa de procurar mudanças”.

      Recorde-se que, no mês passado, uma outra associação comercial tinha avisado que poderá surgir uma pequena onda de encerramento de empresas em bairros não frequentados por turistas, dado que as Pequenas e Médias Empresas de Macau nas zonas residenciais sofreram uma “grave perda de consumidores”, sendo a situação mais grave na Zona Norte e Zona San Kio.

      Joey Lao, no entanto, considera que os principais indicadores económicos em Macau vão manter-se “estáveis” e “a melhorar”. De uma escala de 0 a 10 pontos, as previsões da Associação para o segundo trimestre indicam uma avaliação fixada entre 6,5 a 6,6 pontos, do nível “estável” e “ligeiramente aquecido”, apesar de o “ambiente político e económico externo ser ainda extremamente complexo e volátil”.

      O estudo sublinhou ainda que o ano de 2024 “começou de forma positiva”, com vários indicadores macroeconómicos a apresentarem um “desempenho melhor do que o esperado” nos dois primeiros meses do ano, impulsionados pelos turistas que chegam à cidade. Joey Lao destacou os bons desempenhos na taxa de ocupação hoteleira, no índice de confiança do comércio de retalho, na importação de bens e no número de população empregada, sendo que a taxa de desemprego global e a dos residentes desceram para 2,2% e 2,8%, respetivamente.

      A Associação chamou, entretanto, a atenção para a situação do pagamento da hipoteca de bens imóveis. De acordo com as estatísticas da Autoridade Monetária, o rácio global de crédito malparado em Janeiro aumentou 1,25% e atingiu 3,95%. Segundo a análise, a desvalorização dos activos e as elevadas taxas de juro dos empréstimos estão a criar uma pressão dupla sobre os proprietários locais, o que facilmente conduzirá a um maior agravamento do problema do crédito malparado dos bancos.