Na reunião de quarta-feira da Assembleia Legislativa (AL), foram muitos os deputados que fizeram questão de pedir ao Governo a redução de quotas de trabalhadores não residentes, de forma a garantir o emprego dos locais. No entanto, estas sugestões são vistas com desconfiança por parte dos residentes.
O portal Macao News falou com residentes sobre os pedidos para que os não residentes abandonem a cidade. Samuel Matos, agente de seguros, concorda que o Governo deve tentar proteger o emprego dos residentes, mas nota que as oportunidades de emprego tanto para os trabalhadores locais como para os não-residentes “devem ser equilibradas com base nas necessidades”. “Trabalhadores de língua inglesa podem ainda ser necessários para algumas indústrias, como hotelaria e finanças”, comenta o residente local, assinalando que “criar leis que obriguem os empregadores a contratarem trabalhadores locais em vez de não locais significaria um aumento de custos e isto pode ser um problema grave, especialmente durante esta pandemia”.
Tinna Lopes, dona de casa, afirma: “Concordo e discordo. Muitos residentes locais perderam os seus empregos, pelo que o Governo deveria estabelecer como prioridade ajudá-los a arranjar um novo emprego. Mas discordo que todos os trabalhadores não residentes devam ser despedidos, particularmente aqueles que têm um bom desempenho no seu trabalho devem ser mantidos para o bem da nossa própria cidade”.
“Penso que os que devem ser despedidos deveriam ser os trabalhadores não residentes que têm salários muito elevados, e depois substituí-los por um par de residentes. Não se pode despedir todos os trabalhadores não residentes porque alguns residentes simplesmente não querem aceitar empregos que pensam não estar à altura dos seus padrões – em termos de ambos os cargos ou salários”, disse Tinna Lopes à Macao News. Já Johnson Lee, reformado, constatou: “Imagino que se os trabalhadores não residentes não puderem ser contratados, muitos locais não estariam dispostos a trabalhar com os salários desses trabalhadores não residentes”.
Recorde-se que o Governo indicou recentemente que, desde o início da pandemia, em 2019, até agora, já saíram de Macau mais de 28 mil trabalhadores não residentes. A taxa de desemprego dos residentes está actualmente nos 4,3%.











