Muitas dúvidas para o futuro dos casinos-satélite de Macau

Os casinos-satélite estão em declínio desde o início da pandemia, devido à escassez de turistas em Macau. A nova lei do jogo, em discussão na especialidade na Assembleia Legislativa, poderá prejudicar ainda mais estes casinos.

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FOTOGRAFIA GONCALO LOBO PINHEIRO

Os casinos-satélite estão em declínio há dois anos, desde o início da pandemia, indicaram especialistas no assunto ao portal GGRAsia, que justificaram a situação com a falta de turistas na cidade. Agora, a futura lei do jogo que está a ser analisada na Assembleia Legislativa poderá ser ainda mais prejudicial.

Ben Lee, analista da consultora de jogo IGamiX, disse ao GGRAsia que, “nos últimos dois anos, a maioria dos casinos-satélite não têm sido rentáveis e, de facto, estão a registar prejuízos. O consultor ressalvou que “alguns dos casinos-satélite podem até estar dispostos a suportar as perdas a curto prazo, na esperança de que a longo prazo, uma vez terminada a pandemia, acabem por recuperar a rentabilidade e recuperar as suas perdas”.

Actualmente, existem 18 casinos-satélite em funcionamento em Macau, 14 dos quais estão actualmente ligados aos direitos de jogo da concessionária SJM Holdings Ltd. Os outros três estão vinculados ao Galaxy Entertainment Group Ltd. O outro está vinculado à Melco Resorts and Entertainment Ltd.

Recorde-se que o Grand Emperor Hotel anunciou há uma semana o encerramento do seu casino-satélite a partir de Junho. Segundo o GGRAsia, apenas dois casinos-satélite manifestaram publicamente intenção de continuar as operações até Dezembro. Um funcionário anónimo de um casino-satélite disse ao portal que “as restrições de viagem associadas à Covid-19, juntamente com a nova lei do jogo de Macau que está em discussão, e as acções de repressão da China continental contra o jogo transfronteiriço, resultam numa tempestade perfeita para os casinos-satélite da cidade, especialmente aqueles que também têm vindo a apresentar jogos de ‘junket’ nas suas operações de jogo”.

A alteração à lei do jogo está em curso. O novo diploma prevê que as actividades de exploração de jogos em casinos têm de estar instaladas em propriedades que pertençam às concessionárias, com um prazo transitório de três anos, sendo que tem havido alguma preocupação que estas alterações venham implicar o encerramento de alguns casinos-satélite. De acordo com o jornal Ou Mun, sete casinos-satélite estão a considerar uma possível suspensão das operações de casino até ao segundo semestre do ano.

Ryan Ho Hong Wai, docente do Centro Pedagógico e Científico nas Áreas do Jogo e do Turismo da Universidade Politécnica de Macau, explicou ao GGRAsia que o sistema dos casinos-satélite colapsou e que isto se deve à proposta de lei do jogo, que tornará ilegal a partilha de receitas dos casinos por terceiros. Segundo a lei em discussão, a empresa gestora só poderá receber “taxas de gestão” por quaisquer serviços prestados à concessionária de jogo, sendo que comissões ou participação nos lucros não serão permitidas.

“Para além da nova lei do jogo, o elevado custo operacional e os requisitos regulamentares para os sistemas de vigilância e actualização do equipamento constituem desafios consideráveis para os casinos satélite de pequena escala”, acrescentou o académico, acrescentando ainda que, devido à pandemia que dura há mais de dois anos, “é compreensível e inevitável que alguns casinos com baixos retorno financeiro optem por cessar as operações”. “O apogeu da maioria dos casinos-satélite já passou há muito. O enfoque na qualidade ao invés da quantidade será a direcção futura da indústria do jogo de Macau”, concluiu.