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      InícioSociedadeExperiências de guerra em África levam a palestra na Escola Portuguesa

      Experiências de guerra em África levam a palestra na Escola Portuguesa

      Os acontecimentos vividos pelo ex-combatente no Ultramar Manuel da Silva serão transmitidos aos alunos do ensino secundário da EPM no âmbito das comemorações dos 48 anos do 25 de Abril. Ao mesmo tempo, o orador falará sobre algumas das razões que levaram ao golpe de Estado de 1974, bem como Macau viveu a revolução, menos de 10 anos depois do motim popular “1, 2, 3”. O director da escola, Manuel Machado, considera a iniciativa “bastante profícua”.

      No âmbito nas celebrações do 25 de Abril da Escola Portuguesa de Macau (EPM), o ex-combatente na guerra do Ultramar Manuel da Silva vai proferir uma palestra aos alunos do ensino secundário no dia 27 de Abril entre as 14h40 e as 16h15.

      Ouvido pelo PONTO FINAL, o director da EPM, Manuel Machado, considera a iniciativa “bastante profícua”. “Vão estar presentes alunos que já trabalharam ou ainda vão trabalhar a matéria. Trata-se de uma palestra proferida por um ex-combatente do Ultramar que, por acaso, reside em Macau neste momento e que abordará não só a sua experiência em teatro de guerra, como também as causas que levaram ao 25 de Abril de 1974”, referiu o responsável, acrescentando que ainda estará, “como habitualmente”, exposta no átrio da escola uma mostra sobre o golpe de Estado, não estando prevista mais qualquer outra iniciativa.

      Quase 50 anos passados da Revolução dos Cravos, a EPM convidou o antigo oficial do exército português para uma conversa com os estudantes mais velhos da instituição, do 9.º ao 12.º ano, enquadrado na disciplina de História sob coordenação do departamento de Ciências Sociais e Humanas da escola. “O convite resultou depois de uma visita que fiz em Março à Escola Portuguesa de Macau. Na altura, o director Manuel Machado deu-me os parabéns pelo livro e, não sei bem como, falámos no 25 de Abril e apresentei-me disposto a dar uma palestra”, explicou o engenheiro aposentado.

      O alferes miliciano do Grupo Especial de Paraquedistas, que caminhou lado a lado com a morte nos dois anos que combateu em Moçambique, vai falar das razões que levaram ao golpe de Estado de 1974, escalpelizando as causas. “O descontentamento dos militares e uma guerra no Ultramar que se arrastava há anos, a falta de liberdade, o isolamento internacional, as más condições de vida e trabalho, entre muitos outros aspectos, foram algumas das causas para que se desse a Revolução dos Cravos”, notou Manuel da Silva.

      O antigo militar também vai falar sobre como se viveu o dia 25 de Abril de 1974 em Macau, menos 10 anos depois do incidente “1, 2, 3” de 1966 em que Macau viveu um dos momentos de maior incerteza durante a ocupação portuguesa do território por cerca de 500 anos. Foi ao Governador Nobre de Carvalho que saiu a fava de gerir os problemas criados pela insurgência da população chinesa no território, bem como do próprio movimento de Abril. “Vou apresentar um PowerPoint durante pouco mais de hora e meia. Talvez um pouco longo, mas muito completo e a informação nele contido surpreende, porque é fiel e tem carácter acentuadamente histórico”, referiu o português ao PONTO FINAL.

      Naturalmente, o seu mais recente livro de memórias Kapalautsi, publicado em 2021 pela Chiado Books, será alvo de conversa com os alunos da EPM, até porque “é impossível dissociar a palestra da minha experiência enquanto militar no terreno durante a guerra do Ultramar”. “Arrumei as minhas ideias e tranquilizei a minha consciência a partir do discurso do Presidente da República Portuguesa Marcelo Rebelo de Sousa no dia 25 de Abril de 2021 quando ele afirmou: ‘Não há, nem nunca houve, um Portugal perfeito’”.

      O ex-militar referiu ainda um episódio que tem a ver com as negociações de paz entre Portugal e Moçambique, em Lusaka, numa altura em que a delegação portuguesa comandada por Mário Soares não chegou a uma plataforma de entendimento com a FRELIMO. “Razão tinha Otelo Saraiva de Carvalho quando avisou Mário Soares de que as tropas portuguesas no terreno começaram a celebrar acordos locais de paz e a confraternizar logo após o 25 de Abril de 1974”.