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      Criminalidade aumentou no primeiro trimestre à boleia da subida do número de visitantes

      No primeiro trimestre deste ano, as autoridades policiais instauraram um total de 3.548 inquéritos criminais, ou seja, mais 18% em comparação com o período homólogo do ano passado. Wong Sio Chak, secretário para a Segurança, justificou este aumento da criminalidade com o maior número de visitantes na região e também com o aumento substancial dos crimes de burla.

       

      À medida que mais visitantes vêm a Macau, a criminalidade tende a aumentar. A ideia foi transmitida ontem pelo secretário para a Segurança, na apresentação das estatísticas da criminalidade do primeiro trimestre do ano, que mostram que, nesse período, as autoridades policiais instauraram um total de 3.548 inquéritos criminais, mais 18% face ao período homólogo do ano passado. Em comparação com o primeiro trimestre de 2019, também se registou um crescimento da criminalidade de 5,5%.

      Na apresentação que fez ontem, Wong Sio Chak detalhou que, no primeiro trimestre, se registaram 260 casos de crimes de ofensa simples à integridade física, o que significa um aumento de 2% em comparação com o mesmo período do ano passado. Em comparação com o período homólogo do ano 2019, registou-se um decréscimo 16,7%.

       

      CRIMES DE VIOLAÇÃO CRESCEM 55,6%

       

      Registaram-se 14 crimes de violação, representando um aumento de 55,6%, em comparação com o mesmo período do ano passado, e um aumento de 40% em comparação com o mesmo período de 2019. No que toca a este crime, o secretário detalhou que quase 70% das vítimas não são residentes de Macau. “A maioria dos casos ocorreu em quartos de hotel e não se afasta a hipótese de que alguns dos casos tenham ocorrido na sequência de relações sexuais”, disse Wong Sio Chak, acrescentando que, no que se refere aos casos em que as vítimas são residentes de Macau, “a maioria ocorreu entre a meia-noite e a madrugada, em bares e após o consumo de álcool, e muitas das vítimas foram violadas em estado de embriaguez”.

      Quanto ao crime de abuso sexual de criança, totalizaram-se quatro casos, representando uma diminuição de 60% em comparação com o período homólogo do ano 2023, mas o dobro em comparação com os primeiros três meses de 2019. De entre os quatro casos registados no primeiro trimestre deste ano, a maioria teve a ver com “assédio sexual com menor gravidade entre crianças da mesma idade ou relacionou-se com a exibição ou transmissão de fotografias pornográficas, e na origem destes casos está a curiosidade dos menores na fase da adolescência”, disse ontem o secretário, apelando a que a sociedade preste mais atenção a esta situação.

      No crime de sequestro, registaram-se 14 casos, que representam um aumento de 13 vezes em comparação com o período homólogo do ano 2023. No entanto, comparando com o mesmo período do ano 2019, registou-se uma queda de 68 casos e de 82,9%.

      No que toca aos casos de violência doméstica, as autoridades instauraram 24 inquéritos preliminares, menos quatro do que no mesmo período de 2023. Cinco destes casos em que a investigação foi concluída este ano acabaram por ser considerados crimes de ofensa à integridade física.

       

      AUMENTO CONTÍNUO DO CRIME DE BURLA

       

      De entre estes crimes, no total foram registados 656 casos de crime de burla, o que traduz um aumento de 221 casos e de 50,8%, relativamente ao período homólogo do ano 2023 e, em comparação com o período homólogo do ano 2019, registou-se um aumento de 373 casos e de 131,8%.

      Na apresentação dos dados estatísticos, Wong Sio Chak afirmou mesmo que a criminalidade na região está crescer principalmente devido aos crimes de burla. “Este acréscimo [da criminalidade durante o primeiro trimestre] deve-se ao aumento contínuo do crime de burla, e em particular, da burla com recurso às telecomunicações e da burla cibernética, uma situação que muitos países e regiões do mundo estão a enfrentar”, afirmou o secretário para a segurança. Por isso, as autoridades policiais têm-se empenhado na prevenção, combate e recuperação relativamente aos casos de burla, de forma a “ajustar as estratégias de respostas e a adoptar medidas de melhoria em função das últimas tendências do crime”.

      No crime de furto, registaram-se no total 558 casos, representando uma subida de 28,9%, relativamente ao período homólogo do ano 2023, mas uma redução de 23,4%, em comparação com o período homólogo de 2019. Quanto ao crime de roubo, no total registaram-se 12 casos, o que representa um aumento de 50% em relação ao mesmo período de 2023, mas uma diminuição de 36,8% em comparação com o mesmo período de 2019.

       

      CRIMINALIDADE INFORMÁTICA QUASE DUPLICOU

       

      Houve também um aumento de 97,9% da criminalidade informática, que neste trimestre foram 186 casos. No crime de tráfico e venda de estupefacientes, registou-se um total de 15 casos, menos um do que no período homólogo de 2023, e menos 13 do que nos primeiros três meses de 2019. Totalizaram-se 122 casos no crime de aliciamento, auxílio, acolhimento e emprego de imigrantes ilegais, o que representa uma redução de 5,4%, e quanto aos crimes de simulação de casamento, de adopção ou de contrato de trabalho, registaram-se no total 37 casos, mais dez em comparação com o período homólogo de 2023.

      Foi ainda anunciado que, no primeiro trimestre, houve 77 casos de criminalidade violenta, um aumento de 24,2% face aos primeiros três meses de 2023, mas menos 51% do que em 2019.

      No que respeita às infracções rodoviárias, no primeiro trimestre deste ano, a polícia autuou um total de 275 taxistas pela prática de infracções, registando-se um aumento de 113,2% em comparação com o período homólogo do ano transacto, mas um número muito inferior em comparação com os 1.427 casos registados no mesmo período em 2019. Nos primeiros meses deste ano, a polícia autuou no total 3.005 casos relacionados com infracções rodoviárias, representando aumentos de 2.593 e de 2.386 casos em comparação com os períodos homólogos de 2023 e de 2019, respectivamente. Entre estes casos, o maior número registado respeita à infracção associada ao acto de não ter utilizado a passagem para peões para atravessar as ruas, com 2.500 casos, ou seja, número que ocupa 83,2% do total das infracções rodoviárias.

      Durante as operações policiais e as operações de investigação efectuadas no primeiro trimestre deste ano, foram detidos e presentes ao Ministério Público, no total, 1.438 indivíduos, o que reflecte um aumento de 507 indivíduos e de 54,5% comparando com o mesmo período do ano 2023, mas que, comparando com o período homólogo de 2019, representa uma diminuição de 193 indivíduos e de 11,8%.

       

      SECRETÁRIO AVISA QUE CRIMINALIDADE PODE CRESCER NO FUTURO

       

      Na apresentação de ontem, Wong Sio Chak lembrou que, no primeiro trimestre deste ano, o número de visitantes que entraram em Macau ainda não foi o que se verificava em 2019, estando neste momento ainda num nível de quase 90% face ao primeiro trimestre desse ano. Por isso, o número de visitantes poderá aumentar no futuro, “o que poderá trazer mais factores incertos que poderão complicar ainda mais a segurança da sociedade”.

      “Assim, as autoridades da segurança mantêm-se muito atentas à situação, continuam a avaliar a situação da segurança em geral da sociedade de Macau, a analisar profundamente as mudanças e as tendências dos diferentes tipos de crimes, a reforçar a troca de informações e a cooperação com os departamentos policiais das regiões vizinhas, a melhorar a capacidade de previsão e de resposta às situações súbitas da segurança que possam advir, bem como a salvaguardar com eficácia a estabilidade da segurança em Macau”, concluiu o secretário.