CTT demoram 70 horas a desinfectarem os objectos postais

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Para além das encomendas de produtos alimentares e outras, também os objectos postais, sejam eles de que tipo e proveniência forem, são alvo de extensivo procedimento de desinfecção por parte das autoridades do território. Cerca de três dias é o que os CTT – Macau precisam para efectuar as três etapas de desinfecção de cada objecto postal que chegue ao território. Depois disso, ainda apelam à população para que maneje a correspondência postal com “máscara e luvas descartáveis”. Por semana, chegam mais de três mil objectos postais para serem desinfectados.

O serviço de objectos postais no mundo está atrasado como nunca se viu. A pandemia de Covid-19, para além das restrições que criou, veio também fazer com que uma encomenda em correio rápido que, em condições normais, demoraria de quatro a cinco dias úteis a chegar ao destino, demore agora até quatro semanas.

Apesar disso, as autoridades de Macau consideram que é preferível fazer-se uma “desinfecção rigorosa dos objectos postais recebidos”, sejam eles oriundos de canais de correio rápido, como de encomendas ou correspondência geral. A Direcção dos Serviços de Correios e Telecomunicações (CTT – Macau) apela ainda à população que, depois de os objectos postais terem sido desinfectados em três etapas pelas autoridades, ainda se proceda a uma última limpeza, de preferência ao ar livre.

Mas para entendermos melhor o procedimento oficial do processo, o Gabinete de Comunicação Social (GCS) do Governo da RAEM convidou os jornalistas para uma sessão de trabalhos de prevenção e de desinfecção de encomendas postais que teve lugar ontem no Centro de Permuta de Correio na Estrada de Dona Maria II. Era suposto ainda ocorrer uma sessão no Aeroporto de Macau, mas acabou por ser cancelada devido ao mau tempo.

O processo, que começou a ser implementado em meados de Janeiro por uma empresa privada, demora cerca de 70 horas. Durante cerca de três dias, todos os objectos postais recebidos são sujeitos a um procedimento rigoroso de desinfecção, a fim de reduzir o risco de propagação do SARS-CoV-2.

À chegada dos objectos postais a Macau, seja por via marítima, terrestre ou aérea, as autoridades aduaneiras efectuam uma primeira desinfecção nos postos fronteiriços e uma segunda desinfecção do saco de embalagem externa quando chegarem às instalações dos CTT. Depois de ficarem isolados por dezenas de horas, todos os objectos postais, sem excepção, são submetidos a uma terceira desinfeção que ocorre depois da abertura da embalagem externa. Só após a conclusão de todo o procedimento de desinfecção, que como já dissemos dura cerca de três dias, a operação de distribuição será realizada e a população receberá o seu correio.

“Normalmente recebemos de três mil a quatro mil sacos de objectos postais por semana. Oriundos de diferentes origens. Os objectos postais contidos no saco de correio é variável porque depende da origem e quantidade. Temos tido uma ligeira redução no volume de correio recebido. O volume de chegada é menos, mas usamos mais pessoal para fazer a desinfecção e outros procedimentos”, explicou a chefe de divisão de Relações Públicas e Arquivo Geral dos CTT – Macau, Maggie Wong.

Por outro lado, garantiram os CTT – Macau, a empresasegue escrupulosamente as orientações dos Serviços de Saúde, exigindo que os respectivos trabalhadores efectuem testes de ácido nucleico a cada sete dias e adoptem as medidas adequadas de protecção na distribuição postal.

Como se não bastasse o moroso processo de desinfecção de correio, os CTT – Macau ainda apelam aos cidadãos para que “usem máscara e luvas descartáveis ao recolherem os objectos postais ou itens do exterior ou regiões de alto risco.Ao abrirem os objectos postais, devem fazê-lo ao ar livre e, se precisarem de os levar para casa, podem utilizar um desinfectante de cloro ou álcool 75% para desinfectar totalmente as partes interior e exterior da embalagem. Depois de manusear os objectos postais, lembre-se de desinfectar ou lavar cuidadosamente as mãos”, reiterou ainda a mesma entidade aos jornalistas, fazendo crer que o trabalho de desinfecção de 70h não terá sido infalível.

A China tem vindo a pedir às pessoas que usem máscara e luvas ao abrir as correspondências, em especial as vindas do exterior, após as autoridades do país terem sugerido que o primeiro caso da variante Ómicron encontrado em Pequim pode ter vindo de um objecto postal oriundo do Canadá, que passou ainda pelos Estados Unidos da América e por Hong Kong.

Recorde-se que, de acordo com o documento da Organização Mundial de Saúde (OMS) “Covid-19 e segurança alimentar: orientações para empresas de alimentos”, o potencial de transmissão da doença através de alimentos e embalagens “é altamente improvável”. “A Covid-19 é uma doença respiratória e a principal via de transmissão é através do contacto pessoa-a-pessoa e através do contacto directo com gotículas respiratórias geradas quando uma pessoa infectada tosse ou espirra. É altamente improvável que as pessoas possam contrair a doença a partir de alimentos ou embalagens de alimentos”, pode ler-se no documento oficial da organização, datado de Abril de 2020.

Testes realizados à sobrevivência do SARS-CoV-2 em diferentes superfícies, explica ainda a OMS, demonstram, cientificamente falando, que o coronavírus pode permanecer viável até 72 horas em plástico e aço inoxidável, até quatro horas em cobre e até 24 horas em papelão. As encomendas, na grande maioria das vezes, demoram muito mais tempo do que 24 horas a chegar ao seu destino.

PONTO FINAL