Pandemia provocou “aumento significativo” do consumo doméstico de água

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FOTOGRAFIA GONÇALO LOBO PINHEIRO

Ontem comemorou-se o Dia Mundial da Água e, de acordo com o Relatório sobre a Água em Macau (2017-2021), divulgado pela Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água, o consumo doméstico disparou em 2020, altura marcada pelo início da pandemia. Já o consumo comercial de água diminuiu significativamente em 24,4%. O gasto de água no Cotai foi reduzido em cerca de 30% em 2020. Porém, os indicadores voltaram ao nível normal com o alívio da situação pandémica no ano passado. Além disso, o organismo prevê que, com os projectos de ampliação dos reservatórios, a capacidade de captação de água irá ser capaz de satisfazer o consumo de água em Macau durante 12 dias.

 

A Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) publicou ontem o Relatório sobre a Água em Macau, que abrange os dados sobre os recursos hídricos durante operíodo de 2017 a 2021. Ontem comemorou-se o Dia Mundial da Água.

Embora o consumo doméstico de água per capita na RAEM se tenha mantido num nível relativamente baixo, com um volume médio diário por pessoa de 160,6 litros nos últimos cinco anos, o relatório salienta que, em 2020, devido ao surto da pandemia, o consumo doméstico registou um aumento significativo para 171 litros por pessoa por dia, resultando num consumo doméstico total de 42.815.902 metros cúbicos nesse ano.

Uma vez que 2020 foi o ano em que se consumiu mais água a nível doméstico ao longo dos cinco anos em estudo, esse ano registou um aumento de 9,4% em relação ao ano transacto, tendo em consideração que “os residentes seguiram a política de prevenção epidémica do Governo da RAEM, diminuindo a frequência de saída, tendo ficado mais tempo em casa e consumindo mais água para uma limpeza e desinfectação reforçada na vida quotidiana”, segundo o relatório.

Todavia, com a normalização da prevenção epidémica e a situação da pandemia relativamente estável em Macau, o consumo doméstico recuou no ano passado até aos níveis pré-epidémicos, com 160 litros de água gasta por pessoa por dia, e um volume total anual de 39.916.938 metros cúbicos, correspondendo a uma quebra de 6,8% face ao ano anterior, quando se marcou o início da pandemia.

“Macau é uma cidade com consciência relativamente elevada sobre a poupança de água. Ao longo dos vários anos, apesar de o consumo total de água ter continuado a aumentar ligeiramente, o consumo doméstico de água per capita, que reflecte os hábitos de consumo de água dos residentes, mantém-se a um nível relativamente baixo. Isso indica que os esforços do Governo da RAEM na promoção de Macau como uma sociedade de poupança de água têm sido eficazes e obtiveram certos resultados”, lê-se no documento da DSAMA, na análise aos dados estatísticos.

A pesquisa dividiu a estrutura do consumo de água em Macau em quatro segmentos: o consumo doméstico, comercial, industrial e público. Entre os quais, a parte doméstica e comercial representa, respectivamente, aproximadamente 44% do gasto total de água nos últimos cinco anos, sendo os maiores grupos de consumo de água no território.

Ao contrário da parte doméstica, que obteve uma maior variação da subida devido à pandemia, o consumo comercial de água em 2020 sofreu uma queda acentuada de 24,4% em comparação com o ano de 2019.

A categoria comercial verificou sempre aumentos entre 2017 e 2019, com uma variação entre 1,6% a 4,4%, atingindo um gasto mais elevado de 43 milhões de metros cúbicos de água há três anos.

após a detecção dos casos da Covid-19 no território e nas regiões vizinhas em 2020, que afectou severamente a economia local, particularmente o sector de turismo, registou-se uma diminuição significativa de 29,8% no consumo de água na zona do Cotai, onde se concentra a exploração hoteleira ede jogo.

Dado que o número de visitantes viu uma recuperação de 31% no ano passado em relação ao ano anterior, com aproximadamente 7,71 milhões de turistas, o volume de consumo de água comercial registou um aumento anual de 7,6% em 2021, mas ainda não voltou ao nível de 2019, com uma diferença de 19%.

Expansão de capacidade da captação de água

Recorde-se que, até ao final do ano passado, o número total de utilizadores de água canalizada em Macau já superou os 250 mil, traduzindo um aumento de 7% face aos númerosde 2017. Em termos de divisão por zonas, mais de 79% dos utilizadores vivem na Península de Macau, enquanto 14% vivem na Taipa. Face à escassez de água doce no território, a maioria da água bruta em Macau é proveniente do Rio das Pérolas. Nos últimos cinco anos, o abastecimento bruto de água proveniente do continente representa mais de 95% do consumo local de água bruta.

No que diz respeito à captação de água em Macau, o relatório destacou que, actualmente, a capacidade efectiva de água do Grande Reservatório e da Barragem Seac Pai Van de Macau totaliza 1,9 milhões de metros cúbicos, o que é equivalente ao consumo de água da comunidade de Macaudurante cerca de sete dias.

Conforme a implementação do Segundo Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico, o Governo está a avançar com os projectos de ampliação da Barragem de Ká-Hó e a ampliação do Reservatório de Seac Pai Van em Coloane. “Após a conclusão dos projectos, estima-se que a capacidade total dos dois reservatórios seja aumentada para 1,52 milhões de metros cúbicos, a capacidade total efectiva subi para 3,12 milhões de metros cúbicos, sendo capaz de satisfazer o consumo de 12 dias para a cidade”, revelou.

Além disso, quanto às quatro estações de tratamento, a DSAMA adiantou que a produtividade total já chegou de momento a 520 mil metros cúbicos de água por dia, “o que é suficiente para responder à procura crescente de água a médio e longo prazo da sociedade de Macau”, afirmou o relatório.

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