Edição do dia

Terça-feira, 9 de Agosto, 2022
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
céu pouco nublado
27.9 ° C
27.9 °
26.9 °
83 %
5.1kmh
20 %
Seg
28 °
Ter
28 °
Qua
29 °
Qui
28 °
Sex
29 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      Início Sociedade Mais compreensão e apoio às mulheres “para que a sociedade tenha...

      Mais compreensão e apoio às mulheres “para que a sociedade tenha um ambiente com mais igualdade”

      Catarina Chan

      Com os diversos papéis que desempenham no dia a dia tanto na família como na sociedade, as mulheres da era moderna estão sempre a procurar o sucesso na carreira e também preencher as necessidades da vida familiar. Por ocasião da comemoração do Dia Internacional da Mulher, que se assinala hoje, a vice-presidente da Associação Geral das Mulheres, Wong Kit Cheng, assinalou ao PONTO FINAL a esperança de mais políticas favoráveis às mulheres trabalhadoras. A deputada notou que há “progresso” acerca da protecção de direitos e igualdade da população feminina, mas que a gravidez ou outras situações que foram afectadas pela pandemia merecem mais apoios sociais disponibilizados às mulheres.

       

      Hoje, Dia Internacional da Mulher, é altura para se comemorar a contribuição social, económica e política das mulheres, mas também para apelar ao seu estatuto social e à protecção dos seus interesses. Com a evolução de mentalidade e pensamento, as políticas favoráveis às mulheres e à sua igualdade “estão sempre a fazer progresso” e “verifica-se a existência de sustentabilidade no desenvolvimento”, considera a deputada Wong Kit Cheng ao PONTO FINAL, acrescentando, porém, que “deve haver optimização em alguns aspectos”.

      Para a também vice-presidente da direcção da Associação Geral das Mulheres, apesar das políticas favoráveis às mulheres merecerem cada vez mais atenção na sociedade moderna, algumas podem ser melhoradas e criadas mais orientações, particularmente em relação às trabalhadoras, pelo que se tem empenhado em solicitar mais alívio da pressão das mulheres relativamente ao trabalho de cuidado da família, através de legislação, política e medidas lançadas.

      “Sendo uma mulher em Macau posso dizer que o papel da mulher na sociedade hoje em dia é muito diversificado. Por um lado, se calhar devido à influência do conceito tradicional social, nós desempenhamos sempre um papel de cuidador na família, que faz tarefas domésticas, e, por outro lado, procuramos a presença profissional e temos também uma parte importante no ambiente de trabalho. Portanto, temos de saber como equilibrar os papéis que temos, para que lidemos bem com o trabalho e com a vida familiar, para ter um desenvolvimento pleno nos dois lados”, salientou Wong Kit Cheng, esperando que a sociedade dê mais compreensão à pressão assumida pelas mulheres.

      A deputada considera que é necessário promover mais o respeito de direito de parto das trabalhadoras e evitar a criação de “obstáculos de mobilização vertical na carreira”. Recorde-se que a percentagem de participação laboral feminina ocupa cerca de 66,8% em Macau, de acordo com os dados dos últimos anos, enquanto que a porção de participação política nos órgãos consultivos oficiais registou uma queda de 11,27% em 2020 face a 2019.

      Wong Kit Cheng referiu que tem recebido algumas opiniões de grávidas que se queixaram sobre o tratamento desigual no local de trabalho, levando a deputada a defender que a sensibilização neste âmbito é crucial para “prolongar a licença de maternidade, a hora de amamentação e até reforçar a garantia de continuidade de emprego para as grávidas”. “Todas essas políticas podem ainda ser melhoradas, fazendo a sociedade perceber a situação das trabalhadoras grávidas e o seu direito de dar à luz”, realçou.

      No período de persistência da pandemia, a deputada notou que há uma falta de empregadas domésticas em Macau, cuja situação agravou a carga de tarefas familiares das mulheres, lembrando das dificuldades de gerir ao mesmo tempo o trabalho, ou até a questão de desemprego, o cuidado das crianças que ficam em casa devido à suspensão das aulas presenciais e o aumento de tarefas domésticas. Assim, a pressão psicológica e financeira devem ser um problema que o Governo da RAEM tem de resolver, segundo a deputada, para que o sentimento de felicidade das mulheres aumente.

      A também enfermeira destacou ainda que a pandemia terá mais impacto nos profissionais médicos, lembrando que a maioria de trabalhadores de enfermagem é do sexo feminino. “Trabalham na linha de frente, às vezes têm de cumprir o circuito fechado, podem ter mais preocupação no cuidado da família”, disse.

      Wong Kit Cheng indicou que, apesar do desenvolvimento social, existem na sociedade ainda estereótipos de sexo, sobretudo na profissão, pelo que pede “mais educação e trabalho acerca da Transversalização de Género, para que a sociedade tenha um ambiente equilibrado e com mais igualdade”.

      Entretanto, a nível geral, a protecção dos direitos das mulheres tem sempre registado um avanço, no entender da vice-presidente da Associação das Mulheres, e a educação e o cuidado de saúde para o sexo feminino em Macau reflectem um lado positivo em termos da igualdade de género. “A igualdade sobre o acesso à educação do sexo feminino é absoluta. Podem ver-se os dados em 2020, a percentagem de alunas no ensino superior é ligeiramente mais elevada do que do sexo masculino, isso também refecte a oportunidade de mobilização vertical na sociedade por parte das mulheres”, asseverou a deputado. “As mulheres podem ter acesso a consultas médicas gratuitas em termos de obstetrícia e ginecologia, bem como no rastreio de testes de Papanicolau para cancro cervical”, acrescentou.

      Relativamente ao quadro legal, Wong Kit Cheng acrescentou que está muito satisfeita por terem sido promovidas leis destinadas à protecção das mulheres em Macau, por exemplo a Lei de prevenção e combate à violência doméstica. De acordo com os dados no Relatório sobre a Condição da Mulher em Macau de 2017, a RAEM obteve o 14.º lugar, entre 189 países e regiões do mundo, no ranking mundial no Índice de Desigualdade de Género, com 0,067 pontos. “O índice de Macau está inferior a 0,1 pontos, e próximo ao ranking de países europeus desenvolvidos como Alemanha, Luxemburgo e Áustria”, pode ler-se no documento. “A diferença da distribuição de recursos e de oportunidades de participação social dos dois grupos sexuais é muito pequena”, frisou a deputada.

       

      FAOM pede reforço na proteção dos direitos laborais das mulheres

       

      Estando atentos ao progresso dos direitos laborais das mulheres, os deputados da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) instaram o Governo da RAEM, através de legislação, a aumentar gradualmente o período de licença de maternidade para as trabalhadoras em geral. A lei vigente em Macau prevê que as trabalhadoras tenham o direito de gozar 70 dias de descanso após parto, “o que é muito inferior a um período mínimo de 14 semanas estipuladas na Convenção de Protecção à Maternidade”, apontam Ella Lei, Leong Sun Iok, Lam Lon Wai e Lei Chan U, considerando que se deve fortalecer a protecção das mulheres que acabaram de se tornar mães para promover a harmonia familiar. Além disso, os quatro deputados pedem mais apoio para as mulheres que cuidam de familiares que não possuem capacidade de cuidar de si próprios, com deficiência ou doentes, uma vez que estão a sofrer pressão financeira por serem obrigadas a ficar em casa durante um longo período, não podendo trabalhar ou participar em actividades sociais.

       

      PONTO FINAL