Edição do dia

Quinta-feira, 30 de Junho, 2022
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
aguaceiros fracos
26.9 ° C
31 °
26.9 °
94 %
5.1kmh
40 %
Qui
28 °
Sex
29 °
Sáb
28 °
Dom
29 °
Seg
30 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      Início Economia Critérios ambientais, sociais e de governança são a nova bússola dos...

      Critérios ambientais, sociais e de governança são a nova bússola dos negócios

      O desenvolvimento sustentável é listado como uma das prioridades-chave na nova proposta da lei do jogo. Os critérios Ambientais, Sociais e de Governança (ESG, na sigla inglesa) são considerados como indicadores-chave da eficácia do desenvolvimento sustentável empresarial. Num evento organizado pela Câmara do Comércio França-Macau, Vincent Mossfield, director regional Ásia da correctora de seguros WTW, advertiu que os critérios ESG vão se tornar uma norma obrigatória num futuro próximo.

       

      A noção de desenvolvimento sustentável ganha uma relevância cada vez maior na esfera corporativa. À medida que a nova legislação está a chegar na indústria do jogo no território, o conjunto de práticas que integram questões Ambientais, Sociais e de Governança (ESG, na sigla inglesa) tem-se tornado parte do diálogo, estratégia e objectivos da perspectiva do Governo local no que toca às indústrias principais, servindo uma valiosa consideração no processo de tomada de decisão empresarial.

      Para Vincent Mossfield, director regional Ásia da correctora de seguros WTW (Willis Towers Watson), especializado na área de responsabilidade e risco, os elementos são relevantes para Macau e no âmbito da Área da Grande Baía, designadamente, no aspecto ambiental, tais como as emissões de gases com efeito de estufa, a poluição do ar e da água, energia renovável. Do ponto de vista social, a cultura empresarial diversificada e inclusiva que proporciona segurança e desenvolvimento para força laboral. Em torno da governação, a diversidade de gestão, a transparência contabilística e a relação com os reguladores. “Quando olhamos à nova proposta da lei do jogo aqui em Macau, muitas destas questões estão a ser levantadas pelo Governo no sentido da renovação de contrato de concessão das licenças, estes temas devem ser abrangidos”, frisou o especialista durante a palestra organizada pela Câmara do Comércio França-Macau (FMCC).

      Apesar da existência de um certo nível de semelhança entre a Responsabilidade Social Corporativa (CSR) e a Ambiental, Social e Governança (ESG), Mossfield destacou a diferença entre os dois: “O que é diferente agora é a sustentabilidade, que vem com o risco emergente nas alterações climáticas. Assim, pode-se argumentar que o ESG é a CSR junto com o elemento de sustentabilidade, que é a primeira diferença”. Por outro lado, a outra diferença que Mossfield salientou é a “alteração do relatório de CSR”, que vai abordar cada vez mais os dados mais qualificáveis e financeiramente relevantes nos relatórios empresariais submetidos ao Governo, classificando a transparência e a conformidade com determinada métrica”.

      No prisma de Mossfield, estamos numa fase de transição, enquanto o relatório CSR vai evoluir e tornar-se mais quantificável e financeiramente relevante. As empresas precisam de ser mais transparentes sobre como lidam com questões do ESG e de alterações climáticas. O especialista argumentou que esta tendência está a acontecer em todo o mundo, desde os Estados Unidos à Europa, e inevitavelmente vai acontecer na Ásia também.

      Mossfield defendeu que o ESG já não é algo no processo de elaboração do relatório interno, mas é relevante para processos externos se uma empresa quer ser confiável. “[As empresas] precisam de ser mais transparentes, e cumprir determinados critérios e objectivos financeiros no sentido da abordagem das questões do ESG.”

      A partir da perspectiva de um especialista em seguros, o cumprimento dos pilares social, meio ambiente e da governança eventualmente afectam as decisões das instituições externas sobre as entidades privadas. “A título de exemplo, quando falamos sobre as seguradoras no futuro, elas terão os seus próprios critérios ESG incorporados, isto terá impacto no seu processo de tomada de decisão no que concerne à subscrição de riscos destinados às empresas privadas. O grau de risco das empresas vai ser sujeito a análise. Em referência à marca ambiental dos gases com efeito de estufa e ao impacto climático, as sociedades seguradoras podem assim determinar a aceitação do risco ou precificação diferenciada,” exemplificou Mossfield.

      Recorde-se que, desde Dezembro de 2019, a Bolsa de Valores de Hong Kong (HKEX) reforçou as suas orientações em matéria de relatórios ESC para exigir que as empresas listadas revelem mais, referente a uma série de factores ESG, incluindo emissões e outros dados relacionados com o ambiente, políticas de gestão dos riscos ambientais e sociais da cadeia de fornecimento e normas laborais, inclusivamente a prevenção do trabalho infantil e do trabalho forçado. “Já não são apenas as empresas a informar sobre o quão responsáveis são quanto aos assuntos sociais empresariais, mas agora as entidades financeiras externas, como os bancos, as seguradoras, as bolsas de valores, até os investidores, também estão a levar em conta esses parâmetros. Eis as questões-chave”, apontou o especialista.

      Não obstante de neste momento a adaptação à agenda ESG ainda ser de natureza voluntária, Mossfield observou que este processo de transição está a iniciar onde os critérios ESG estão a sair da orientação voluntária, e disse acreditar que eventualmente acabará por ter obrigatoriedade do cumprimento.

      No que tange às indústrias principias de Macau, segundo a observação de Mossfield, existem riscos físicos elevados e directos em torno das alterações climáticas. “Se percorremos os últimos anos, a cidade de Macau foi assolada por violentos tufões que provocaram avultados estragos. A orientação que foi elaborada pela ONU fornece uma perspectiva global ao Governo e às empresas locais no sentido de compreender o nosso próprio risco”, referiu Mossfield. Para Macau, na opinião do especialista, até 2030, esta tendência irá passar do nível governamental para empresarial em todo o lugar. “Acredito que nos próximos 10 a 20 anos o ESG tornar-se-á um padrão,” disse especialista.

       

       

      PONTO FINAL