Burla na UM lesou 24 alunos universitários em mais de um milhão de pataca

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FOTOGRAFIA: EDUARDO MARTINS/ ARQUIVO

A burla aconteceu com pretexto de troca de dinheiro e envolveu pelo menos duas dúzias de alunos universitários, tendo sido alegadamente praticada por um guarda da segurança da Universidade de Macau. O montante envolvido atingiu mais de um milhão de patacas e o caso já foi submetido às autoridades, no entanto, o suspeito pode já ter fugido para a China Continental.

 

Um trabalhador não-residente que exerceu a função de guarda da segurança na Universidade de Macau (UM) estará envolvido na prática de uma burla de valor consideravelmente elevado com troca ilegal de moeda. Pelo menos 24 vítimas são alunos da Universidade de Macau, e declararam ter sofrido um prejuízo superior a um milhão de patacas. Segundo o relatado pelo jornal Exmoo, as vítimas estudantes já denunciaram o caso à polícia e suspeita-se que o guarda de segurança tenha fugido para o interior da China.

Ao longo do tempo, vários estudantes universitários em Macau precisaram de viajar regularmente entre Zhuhai e Macau, havendo uma procura contínua de troca de moeda no campus. Segundo um aluno de nacionalidade chinesa, no ano passado recebeu uma mensagem num grupo de WeChat, enviada por um alegado guarda da segurança da universidade. Devido à necessidade pessoal e às taxas de câmbio preferenciais, o aluno entrou em contacto com o indivíduo para trocar o dinheiro. Em 22 de janeiro, após várias trocas sem ocorrer problemas, o guarda da segurança entrou em contacto com o aluno para perguntar se precisava de trocar dinheiro, na tentativa de persuadi-lo com uma taxa mais vantajosa.

O jovem aceitou e fez uma transferência de 50 mil patacas ao guarda da segurança, e foi informado que o pagamento iria sofrer um atraso com o argumento de que “não havia suficiente dinheiro em numerário”. Como já tinha trocado dinheiro várias vezes no passado, a vítima não suspeitou de qualquer problema. No entanto, no dia seguinte, verificou que não tinha recebido nenhum dinheiro e posteriormente descobriu que outros alunos da mesma universidade também se encontravam na mesma situação. Segundo o apurado, pelo menos 24 vítimas foram vítimas da mesma burla, sendo que no total contabilizou-se a quantia de 1,04 milhões de patacas em prejuízos. Os estudantes denunciaram o caso à Polícia Judiciária no dia 24 do mês passado, suspeitando que o autor da burla tinha fugido para o interior da China. No entanto, e após ter passado um mês, os jovens referiram que não receberam quaisquer notícias das autoridades policiais.

O episódio terá causado alguma preocupação do público no que concerne à segurança no campus e às lacunas existentes no âmbito da adjudicação de contrato para a prestação de serviços de vigilância e segurança.

 

Questões transfronteiriças dificultam intervenção das autoridades policiais locais

 

À imprensa chinesa, uma das vítimas revelou que tinha passado quase um mês desde a ocorrência do incidente e que vários alunos tinham pedido ajuda à universidade, à Polícia Judiciária (PJ) e aos membros do Conselho Legislativo. De acordo com o aluno, o trabalhador não-residente em causa já tinha fugido para o interior da China, e acredita que será difícil para a PJ tratar do assunto, uma vez que envolve questões transfronteiriças. A vítima questionou a garantia da qualidade do pessoal da empresa de segurança subcontratada pela UM, que planeava burlar estudantes num esquema de troca de moeda. Suspeita-se que o guarda de segurança tinha antecedentes criminais no continente, levando o aluno a pedir a intervenção e um esclarecimento da instituição universitária.

 

Coutinho pede responsabilidades

 

O deputado José Pereira Coutinho enviou uma carta à universidade para se inteirar o episódio, mas ainda não recebeu qualquer resposta. O parlamentar observou que a universidade está a acompanhar e a investigar o caso, e referiu estar atento ao seu desenvolvimento. O legislador ligado à Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau questionou porque é que um segurança teve acesso ao grupo do WeChat de estudantes e posteriormente persuadiu-os a envolverem-se numa troca de dinheiro ilegal. José Pereira Coutinho questionou se existem lacunas na gestão da empresa de segurança a que o suspeito pertencia e se estas deveriam ser revistas e rectificadas a tempo.

O deputado salientou que a instituição de ensino superior deveria dar mais atenção no que toca à qualidade do pessoal da empresa subcontratada. A UM deve agora tomar a decisão de continuar ou suspender os contratos como o subcontratado e fazer um melhor trabalho de monitorização no futuro, aponta Coutinho, frisando que a conscientização dos estudantes precisa de ser reforçada. “Como é possível as vítimas deste tipo de caso de burla serem estudantes de curso de mestrado e de douramento?”, questionou.

 

 

PONTO FINAL