A China rejeitou ontem as críticas feitas pelos Estados Unidos da América (EUA) sobre as alegadas violações por Pequim das regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), criticando as repreensões “infundadas”.
“São observações infundadas em termos de regras económicas e comerciais internacionais e são completamente contrárias à realidade”, afirmou Gao Feng, porta-voz do Ministério do Comércio chinês. Gao instou os EUA a garantirem que as suas próprias práticas comerciais “estão em conformidade com a OMC, em vez de serem unilaterais, protecionistas e intimidadoras”. “Esperamos que os Estados Unidos adotem uma política económica e comercial racional e pragmática em relação à China”, disse.
Washington acusou ontem a China de não ter adoptado as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC), 20 anos após ter aderido à organização, tendo mesmo “amplificado” a sua abordagem estadista, “prejudicando” empresas e trabalhadores a nível global. “A China tem uma longa história de violação, desrespeito e burla das regras da OMC para atingir os seus objectivos de política industrial”, denunciou Katherine Tai, a Representante do Comércio do Governo dos Estados Unidos (USTR), no seu relatório anual, apresentado no Congresso dos EUA.
A OMC, com sede em Genebra, na Suíça, trabalha para fazer cumprir as regras que regem o comércio entre países, incluindo a promoção da concorrência leal e do comércio aberto. Tai ressaltou que, quando aderiu à OMC, Pequim disse que adoptaria esses princípios. Mas, “é claro que, ao seguir essa abordagem [estatal], as políticas e práticas da China estão a minar as regras da OMC e a causar graves danos a trabalhadores e empresas em todo o mundo, especialmente nos países em desenvolvimento, com indústrias visadas pelos planos industriais da China”, acrescentou.
Os Estados Unidos há muito denunciam práticas comerciais da China que consideram “injustas”, incluindo os subsídios para empresas públicas, visando convertê-las em líderes dos mercados globais. Pequim também é acusada de usurpar propriedade intelectual e de transferir à força conhecimento e tecnologia de empresas estrangeiras em troca de acesso ao mercado chinês.
Donald Trump lançou uma guerra comercial contra o país asiático, em 2018, impondo taxas alfandegárias punitivas sobre bens importados da China.
A USTR observou que os Estados Unidos também conduziram discussões bilaterais para pressionar a China a cumprir com os padrões da OMC. No entanto, o relatório de 72 páginas apontou um progresso “isolado” e lamentou que os compromissos da China de mudar fundamentalmente as suas políticas e práticas tenham passado despercebidos.
Os compromissos assumidos, em janeiro de 2020, quando assinou a fase 1 do acordo comercial celebrado com o ex-presidente norte-americano Donald Trump também não foram respeitados. “A China ainda não implementou alguns dos compromissos mais importantes que assumiu no acordo, como compromissos na área da biotecnologia agrícola”, detalhou o relatório.
Pequim também está longe de cumprir os seus compromissos de aumento da compra de bens e serviços dos Estados Unidos. “A realidade é que este acordo não abordou significativamente as preocupações mais fundamentais dos EUA sobre as políticas e práticas comerciais do Estado chinês e o seu impacto negativo na economia e nas comunidades dos EUA, trabalhadores e empresas norte-americanas”, resumiu Tai.
Entre os sectores afectados pelas práticas da China, Washington cita a siderurgia, alumínio, energia solar e pescas, em detrimento dos Estados Unidos e de outros países. O USTR enfatizou que os Estados Unidos estão agora a procurar “uma abordagem estratégica multifacetada”, não abandonando nem o diálogo, nem possíveis medidas de retaliação. Lusa













