Nasceu em Lisboa, cresceu em Odivelas e na Flórida, nos Estados Unidos da América. Mantém laços familiares em Almada. Os seus pais nasceram em Goa, na Índia, ainda sob domínio português e, posteriormente, viveram em Angola e Portugal. Esta viagem por quatro continentes dá a Nélson Abreu uma visão abrangente do mundo. O português é ainda autor e educador na área dos estudos da consciência, para além de ser co-fundador de uma empresa de tecnologia de bem-estar em Los Angeles. Ao nosso jornal, o candidato do PAN acredita que o seu partido “tem agido para avançar a batalha contra as mudanças climáticas e para levar Portugal para a vanguarda da sociedade e economia verde que o século XXI necessita”. Ainda nesta entrevista, Nélson Abreu considera ser importante “continuar o trabalho de apoiar o bem-estar das famílias, a criação de prosperidade através dos trabalhadores e pequenas-médias empresas, cooperativas e startups”.
Quais as expectativas do cabeça de lista do Círculo Eleitoral de Fora da Europa para as próximas eleições legislativas portuguesas a ter lugar no dia 30 de Janeiro?
As expectativas passam pela manutenção da representação da bancada. É positivo que não haja uma maioria absoluta, pois requer maior deliberação e diversidade de ideias. Com a participação de partidos como o PAN, há maior hipótese de desenvolver e fortalecer leis contra a corrupção e minimizar o desperdício de impostos. É importante continuar o trabalho de apoiar o bem-estar das famílias, a criação de prosperidade através dos trabalhadores e pequenas-médias empresas, cooperativas e ‘startups’. Votar nos partidos que têm dominado a política em Portugal não trará o dinamismo que precisamos para combater a corrupção, as mudanças climáticas e as dificuldades sócio-económicas. Uma Assembleia da República com maior representação do PAN será mais eficaz para avançar estas causas urgentes. De qualquer forma, o importante mesmo é o aumento da participação dos emigrantes no acto eleitoral. Independentemente do resultado, estarei sempre à disposição da comunidade para ajudar como puder.
PSD e PS têm dividido os deputados no Círculo Eleitoral de Fora da Europa. O que pode fazer o PAN e, em particular, o candidato Nélson Abreu para contrariar essa tendência?
Os partidos que têm dominado o círculo eleitoral de Fora da Europa continuam com o status quo. Todos falam das mudanças climáticas e de valorizar a emigração. A nossa campanha quer mostrar que o PAN faz muito mais do que falar. O PAN tem agido para avançar a batalha contra as mudanças climáticas e para levar Portugal para a vanguarda da sociedade e economia verde que o século XXI necessita. O objectivo também passa por sublinhar que já estamos todos a sofrer os efeitos das mudanças climáticas – tanto em Portugal como fora: pandemias, secas, ondas de calor que afectam a saúde, agricultura, e a economia. Logo, o voto no PAN é o voto útil para tornar o desafio do século na oportunidade do século para Portugal com a transição verde responsável: trabalhos, ‘startups’, serviços, e políticas verdes.
O que é um bom resultado para o PAN?
Um bom resultado será o crescimento da representação da bancada, tendo como fasquia mínima a eleição de quatro deputados, tal como no acto eleitoral de Outubro de 2019, e uma descida da abstenção. A redução da abstenção é o primeiro passo para aumentar a dimensão e diversidade da representação dos emigrantes na Assembleia da República.
O que é que de bom e de mau tem sido feito pelo PS e pelo PSD no Círculo Eleitoral de Fora da Europa, em particular, e no Círculo da Emigração em geral?
O que tem faltado inclui o equilibrar do número de estruturas consulares mediante o número de cidadãos portugueses residentes no estrangeiro, rever a tabela salarial dos funcionários consulares, alargar as horas de atendimento dos consulados e introduzir conselheiros de acção social nas estruturas consulares. Muitas associações não conhecem o processo eleitoral e os seus representantes. Falta um portal de promoção das associações, para que estas tenham mais facilidade em captar apoios públicos e privados.
E o que ficou por fazer?
Faltou ainda garantir acesso gratuito ao ensino de português e o investimento na preservação do património português no mundo, no associativismo e na imprensa lusófona. Precisamos de aumentar o número de funcionários e funcionárias para os consulados e alargar a rede consular a outros locais onde exista uma grande concentração de portugueses e portuguesas, bem como aumentar o investimento no acesso remoto aos serviços, nomeadamente via telemóvel.
Como estão as comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo, principalmente numa altura em que existem restrições em todo o mundo e incertezas quanto ao futuro?
As associações oferecem um apoio enorme às nossas comunidades, mas têm sofrido devido a pandemia, muitas em risco financeiro agravado. A solidão e outros desafios do bem-estar tem atingido a muitos, e por isso defendemos a existência de conselheiros e conselheiras sociais junto das embaixadas para endereçar as questões da emigração em cada país. O acesso aos serviços consulares ficou ainda mais complicado, mostrando que necessitamos de serviços mais digitais do século XXI.
Como emigrante que é, como é que o Nélson Abreu pensa que a sua experiência enquanto expatriado pode ajudar as comunidades portuguesas ao redor do mundo?
Como português no mundo, partilho as dores e dificuldades que só um imigrante conhece. Essa empatia e experiência comum ajudam-me a entender os desafios enfrentados e a entender a urgência de solucioná-los. Como tenho família e amigos espalhados pelo mundo lusófono, tenho conhecimento das suas experiências, preocupações e necessidades.
Macau, muito por culpa das mais recentes decisões políticas chinesas, mas também devido às restrições pandémicas, que obrigam a quarentenas de 21 dias após o regresso ao território, tem colocado em debandada a comunidade portuguesa. Isso preocupa-o?
Os portugueses em Macau passam por muitas dificuldades que nos têm preocupado. É difícil entrar, sair, circular e encontrar-se. Cada vez mais as associações e empresas enfrentam maiores dificuldades financeiras. Há uma nuvem escura sobre a preservação da língua e cultura portuguesas. Com certeza que também é possível mostrar que há um grande valor em preservar esta ponte cultural, mas não é um trabalho fácil. Temos que apoiar a comunidade para que queira permanecer e suceder em Macau, com fortes laços ao resta da lusofonia. E é importante manter a vigilância aos direitos e condições dos portugueses em Macau.
Portugal está a perder alguma influência ao nível social, cultural e comunitário no território? Macau continua a ser importante para Portugal e para os portugueses?
Não estou convencido que o Estado português tenha mostrado a importância de Macau e outros territórios com presença portuguesa. Macau é importantíssimo para Portugal e para os portugueses. Também é importante para todos os outros países e locais lusófonos. Pode e deve existir uma força colectiva de benefício não só para os lusodescendentes, como para os países parceiros, com a língua portuguesa como património comum.
O parlamento português considerou que a China tem cumprido “com boa-fé” os seus compromissos no âmbito da transição de Macau, uma decisão da comissão de Negócios Estrangeiros, após denúncias de limitações à liberdade de imprensa, nomeadamente acerca do caso relacionado com a TDM. O que o PAN tem a dizer sobre a decisão?
Os direitos humanos são uma das maiores preocupações do PAN. De acordo com a Lei Básica de Macau, que funciona como uma mini constituição do território e vai estar em vigor até 2049, “os residentes de Macau gozam da liberdade de expressão, de imprensa, de edição, de associação, de reunião, de desfile e de manifestação”. Se jornalistas da TDM não podem divulgar informação ou opiniões contrárias às políticas do Governo Central da China e apoiar as medidas adoptadas por Macau, tal directiva seria preocupante, pois dificilmente se pode garantir a liberdade desta forma. Temos que seguir a situação com atenção e manter em contacto com os nossos profissionais em Macau. É importante salientar que estar de acordo e amar a pátria, não são exclusivos. Já dizia o Martin Luther King, Jr. que é o contrário: só questionamos porque amamos tanto e queremos o bem.












