A Fundação Macau decidiu suspender a concessão de subsídio à policlínica da APOMAC a partir de 1 de Janeiro. Ao PONTO FINAL, o presidente da associação mostra-se “desiludido” com aquilo que considera ser “uma falta de consideração” por parte da entidade liderada por Wu Zhiliang. “Estamos de mãos atadas”, desabafa Francisco Manhão.
A Associação dos Aposentados, Reformados e Pensionistas de Macau (APOMAC), com 20 anos de existência, recebeu este mês uma notícia com a qual não contava. A Fundação Macau decidiu suspender a concessão de subsídio à policlínica da associação a partir de 1 de Janeiro do ano que se avizinha.
Em declarações ao PONTO FINAL, o presidente da associação, Francisco Manhão, mostra-se desiludido com aquilo que considera ser “uma prenda de Natal envenenada” entregue pela Fundação Macau. “O mais triste é que fomos informados em menos de um mês, o que nos deixa completamente de mãos atadas. Não nos deram tempo para preparar as coisas”, começou por dizer.
De acordo com o dirigente, a Fundação Macau terá referido que, sendo uma clínica, a mesma deveria ser apoiada pelos Serviços de Saúde e não pela fundação. Manhão rebate a solução, argumentando que os cuidados de saúde são realizados dentro das instalações da APOMAC e são exclusivos aos associados, contrariamente ao que sucede com outras associações de cariz semelhante. “Repare que nós estamos totalmente voltados para os nossos associados, que têm já uma idade avançada”, explicou.
Esta terça-feira, a APOMAC reuniu com representantes dos Serviços de Saúde, no Centro Hospitalar Conde de São Januário. Segundo Francisco Manhão, à APOMAC foram dados dois caminhos para assegurar a sustentabilidade da clínica. As propostas, no entanto, não agradam à direcção da associação. “São duas propostas bastante complicadas para nós que não oferecem qualquer garantia por parte dos Serviços de Saúde. Simplesmente se limitaram a dizer para que escolhêssemos uma das duas. Parece, sinceramente, que as pessoas não querem compreender a especificidade da nossa clínica. Estou muito desiludido”, notou o dirigente associativo.
A direcção reuniu ontem de urgência para discutir as possibilidades que estão cima da mesa, mas, para já, os corpos gerentes vão “dormir sobre o assunto”, uma vez que “não querem tomar decisões precipitadas”. “A clínica vai ficar encerrada por tempo indeterminado. Vamos propor aos nossos colaboradores licenças sem vencimento ou então rescisões de contrato de trabalho mútuas. Vamos ver como as coisas se vão processar”, lamentou Manhão, que lamenta a carência de verbas para continuar com o espaço médico.
A clínica da APOMAC abriu em 2002 e, segundo dados da associação, atende cerca de oito mil pessoas por ano, todos associados. Neste momento, a clínica tem uma médica, uma enfermeira e uma fisioterapeuta em part-time.
PONTO FINAL











