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      InícioEntrevista“Eu adoraria filmar algo em Macau”
      TONY AYRES

      “Eu adoraria filmar algo em Macau”

      O criador da série “Clickbait”, da Netflix, mostrou-se interessado em filmar em Macau, no futuro. Em entrevista ao PONTO FINAL, Tony Ayres, cineasta australiano nascido em Macau, descreveu o território como “espectacularmente original” e “uma verdadeira síntese de forças globais”. Ayres disse estar a receber críticas “extremamente positivas” em relação a “Clickbait”. No final de Setembro, o cineasta estreou uma série sobre os incêndios florestais na Austrália, intitulada “Fires”.

      Tony Ayres é o criador da série “Clickbait”, que estreou na Netflix a 25 de Agosto. Ao PONTO FINAL, através de email, o argumentista e realizador australiano nascido em Macau conta que tem recebido ‘feedback’ positivo e críticas “extremamente positivas” em relação à série. Sobre Macau, o cineasta conta que não visita a região onde nasceu desde 2012, quando foi convidado do Festival Literário de Macau – Rota das Letras. Apesar de ter saído de Macau aos seis anos, diz ainda sentir uma ligação ao território. Além disso, Tony Ayres diz mesmo que “adoraria filmar algo em Macau”. “Penso que Macau é espectacularmente original e uma verdadeira síntese de forças globais”, afirma. Tony Ayres tem sido dos argumentistas mais requisitados da televisão e cinema australianos. Ayres preparou uma série sobre os incêndios florestais da Austrália, intitulada “Fires”, que estreou no final de Setembro, na estação australiana ABC TV. Depois de uma infância atribulada, que o levou para a Austrália em criança, Tony Ayres licenciou-se em literatura pela Universidade Nacional Australiana, em Camberra, e começou a escrever para televisão e cinema, maioritariamente sobre a sua infância. “The Home Song Stories”, filme de 2007, centra-se nos problemas mentais da sua mãe.

       

      A série “Clickbait” foi lançada em Agosto. Qual é o ‘feedback’ que está a ter até agora?

      Até agora, as respostas têm sido extremamente positivas. Penso que é uma excelente série para ver durante a pandemia!

       

      Tem alguma ligação pessoal com a história? A ideia de escrever sobre identidades virtuais e anonimato surgiu de onde?

      Estou alarmado com a caixa da pandora que a internet pode ser, especialmente porque é tão fácil falsificar identidades. Há toda uma nova categoria de crimes que decorrem desse anonimato. Fizemos muita pesquisa ao fazer esta série, e baseámos a série numa série de crimes verdadeiros.

       

      Servirá como advertência sobre os perigos da internet?

      Sim, de certa forma é uma série de moralidade. Tenham cuidado com o que desejam. Não acreditem em tudo o que vêem. E não cedam aos seus gânglios basais.

       

      Retrocedendo até à sua infância, nasceu em Macau, mas saiu muito novo. Ainda sente uma ligação a Macau?

      Sim. E tanto eu como a minha irmã sentimos uma ligação forte e emocional a Hong Kong.

       

      Quando foi a última vez que visitou Macau? E quais foram as maiores mudanças na cidade, em relação àquilo de que se lembra quando tinha seis anos?

      Não visito Macau desde 2012, quando fui convidado do Festival Literário de Macau – Rota das Letras. Foi uma experiência maravilhosa. As minhas memórias de infância de Macau são sentimentais e cor-de-rosa, a beleza da cidade e a sua maravilhosa arquitectura. O que me impressionou da última vez que aí estive foi como a cidade se tinha tornado hiper-real, pareceu-me a minha primeira experiência real de uma cidade pós-moderna.

       

      Em 2007, numa entrevista à Macau CLOSER, mencionou que talvez no futuro estivesse interessado em filmar em Macau. Continua a ter isso em mente?

      Sim, eu adoraria filmar algo em Macau. Penso que Macau é espectacularmente original e uma verdadeira síntese de forças globais.

       

      Acompanha o desenvolvimento da indústria cinematográfica em Macau?

      Infelizmente não estou particularmente consciente da indústria cinematográfica de Macau, embora um amigo meu, Mike Goodridge, tenha sido director artístico do Festival Internacional de Cinema e Cerimónia de Entrega de Prémios de Macau (IFFAM).

       

      E a indústria de cinema da Austrália? Será competitiva hoje em dia?

      A indústria cinematográfica na Austrália é tremendamente competitiva, uma vez que as horas de televisão que estão a ser feitas foram radicalmente reduzidas (caíram 68% na última década).

       

      Quais são os seus próximos projectos?

      Acabo de completar um programa para a nossa emissora nacional, a ABC, sobre os mega-incêndios que devastaram este país no Verão de 2019.