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      Escolas anseiam pelo ensino presencial, mas estão preparadas para qualquer cenário  

      Três directores de escolas do território mostram-se preocupados com a actual situação pandémica e como essa situação está a dificultar a aprendizagem dos alunos. Nada é mais importante do que o ensino presencial, defendem, mas, certamente, o ensino online é melhor do que não haver qualquer tipo ensino. Relaxamento de algumas medidas pode ser benéfico para a aprendizagem dos alunos, sem que isso coloque em risco a sua carreira académica e o foco do ensino.

      Na sequência das críticas dos pais e encarregados de educação ao pára-arranca do ensino e às restrições criadas pela pandemia de Covid-19, o PONTO FINAL foi conversar com alguns responsáveis de escolas para auscultar anseios, problemas e preocupações de quem lida de perto com o problema. Directores de três escolas do território assumem que nada é mais importante do que aulas presenciais, mas admitem que aulas online é sempre melhor do que não haver aulas de todo.

      Robert Alexander, director do Colégio Anglicano de Macau (MAC, na sigla inglesa) desde 2016, admite que aulas online não são, de todo, a metodologia de ensino e aprendizagem ideal para educar crianças. “A interacção social que acompanha a aprendizagem presencial é crucial para o desenvolvimento social, emocional e académico da criança. Por ser uma escola com uma abordagem de ensino e aprendizagem centrada na criança, o bem-estar dos nossos alunos é de extrema importância”, começou por dizer o professor sul-africano ao PONTO FINAL.

      A actual pandemia e a incerteza de uma vida diária “normal” levaram as escolas a preparar alunos, professores e pais para situações inesperadas. Por isso, a MAC tem levado a cabo o ensino online “com sucesso”, sempre que se vê obrigada a isso. “O programa de aprendizagem em casa da nossa escola foi implementado para preparar todas as partes interessadas para essas situações inesperadas. Todos os pais, alunos e professores estão familiarizados com a política e devem estar preparados para qualquer suspensão de aula”, explicou o Robert Alexander.

      O sul-africano, professor há mais de 25 anos, explicou ainda que desta última vez, quando as suspensões das aulas foram anunciadas a 25 de Setembro, o chip mudou sem dificuldades de maior. “Mudámos imediatamente para o nosso programa de ensino em casa online na segunda-feira, dia 27 de Setembro, e está em andamento. Os professores estão a fazer o melhor para fornecer aos alunos a melhor educação online possível. Todos os programas são adequados para a idade/série de acordo com as secções, desde o jardim de infância, passando pelo ensino primário e terminando no secundário, enfatizando o bem-estar dos alunos”, disse ainda o professor que chegou a Macau em 2005.

      Claro que, admite Robert Alexander, alunos, professores e pais preferem aulas presenciais e os dois primeiros sentem falta da escola. O director da MAC deixa ainda uma palavra de agradecimento às autoridades, principalmente pela “excepcional contenção e gestão” da situação pandémica. “A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) tem tido uma tarefa extremamente difícil de regular a educação e o funcionamento diário da escola. Enquanto escola, reconhecemos os seus desafios e entendemos as suas acções. A segurança dos nossos alunos, professores e da comunidade em geral vêm primeiro em todos os momentos. Precisamos exercer muita flexibilidade, resiliência e tolerância durante esses tempos difíceis”, rematou o educador.

       

      Inovações revolucionárias no círculo educacional

      A Escola Secundária Pui Ching não foge da regra. Ao nosso jornal a directora dos Assuntos Educativos, Ieong Pui Ian, revelou que em 2020, com meses de aulas online, “o desempenho académico dos alunos não foi afectado e os alunos não tiveram problemas em obter bons resultados e serem admitidos em universidades”.

      Com a experiência do ano passado, a responsável dá uma palavra de conforto aos pais e encarregados de educação que de algum modo têm revelado desconforto com as incertezas no ensino dos seus filhos. “Com esses dados [de 2020] e experiência podemos garantir aos alunos e seus pais que eles possam desenvolver confiança na aprendizagem via plataformas online, e entender que podem aprender bem durante a pandemia. Os alunos também podem escolher materiais didácticos de diferentes níveis de acordo com suas próprias necessidades”, assegurou Ieong Pui Ian que, no entanto, se mostrou céptica no início do processo em 2020.

      “Quando tentamos pela primeira vez, tivemos dúvidas, mas depois de um ano de prática sabemos que, desde que as aulas online sejam ministradas de maneira adequada e ordenada, os alunos podem continuar seu aprendizado por meio de aulas online sob a orientação dos professores”, contou a directora dos Assuntos Educativos da Escola Secundária Pui Ching.

      Tal como os outros responsáveis das escolas ouvidas, Ieong Pui Ian não tem quaisquer dúvidas que “o ensino presencial é melhor do que o ensino online”. Contudo, com a situação pandémica longe de estar resolvida no mundo, “por meio de aulas online as escolas tornaram-se capazes de se libertar da limitação de espaço”. “Voltando ao ano passado, mesmo depois de retomarmos as aulas presenciais, à medida que o cenário pandémico foi melhorando, não podíamos ir aos locais para actividades e competições, por exemplo. Mas os nossos alunos tiveram acesso a um novo mundo de conhecimento através das plataformas online. Como alguém já disse, fizemos inovações revolucionárias para o círculo educacional”, notou a chinesa que garantiu que, ao mesmo tempo, a Pui Ching continua “o aconselhamento presencial para resolver os problemas emocionais dos alunos”.

      A posição da escola sobre esta questão tem sido muito clara, admite Ieong Pui Ian. A professora também considera que, no geral, as decisões tomadas pela DSEDJ têm sido correctas face a um panorama que é totalmente novo para todos. “A DSEDJ forneceu a plataforma WeCom para professores, alunos e pais como meio de comunicação. Também prepararam alguns exemplos de material didático para que pudéssemos iniciar a aprendizagem online de acordo com as nossas próprias realidades. Recebemos diretrizes claras e acreditamos que o Governo fez o possível para lidar com o desafio deixado pela Covid-19”, admitiu a responsável.

      Contudo, a educadora aproveitou a conversa com o PONTO FINAL para deixar algumas sugestões ao Executivo liderado por Ho Iat Seng. “Compreendemos profundamente que a situação pandémica muda rápida e inesperadamente, mas ainda esperamos por um aviso antecipado sobre os preparativos para as aulas, se possível para que possamos nos preparar melhor. Tomemos o caso de estudantes internacionais como exemplo, muitas famílias não conseguiram lidar com as mudanças repentinas. Agradecemos os esforços do Governo em atender às necessidades de acomodação dos alunos, mas se pudermos ter propostas para cenários como alunos e famílias que não podem voltar para casa, podemos eliminar muitas preocupações sociais”.

      E as preocupações sociais devem ser muitas, com certeza. Ieong Pui Ian, admitiu-as, e falou ainda do feedback dos encarregados de educação e dos alunos à aprendizagem online, mas também à tal indefinição que tem sido apanágio nos últimos quase dois anos. “Todos têm demonstrado compreensão. Até ao momento, não há nenhum tipo de desagrado. Muitos pais apreciam o aviso que damos quando as mudanças acontecem. As coisas têm corrido bem, precisamente graças à experiência que tivemos no ano passado”, assumiu a responsável da Pui Ching.

      É prioridade da escola chinesa garantir que as necessidades emocionais e de aprendizagem dos alunos sejam bem atendidas. “Para estudantes transfronteiriços, os nossos professores mandam mensagens todos os dias, ajudando-os na aprendizagem. Ao mesmo tempo, neste momento páramos as aulas por uma semana e estamos a seguir o princípio ‘melhor solto do que apertado’, que significa uma programação de aprendizagem relaxante é melhor do que ter uma exigente”, acrescentou Ieong Pui Ian, que explicou melhor de seguida: “A grosso modo, o que acontece é que definimos tarefas de visualização e estudo para os alunos neste período, mas não damos nota para que eles não precisem terminar o dever de casa. Muitos alunos aceitaram esse método de aprendizagem, e têm estado menos stressados. De igual modo, não apenas os orientamos na sua aprendizagem, mas também lhes damos aconselhamento emocional, que é um conforto mental para eles”, concluiu.

       

      Aulas online começam hoje na EPM

      As aulas da Escola Portuguesa de Macau (EPM) recomeçam hoje de forma virtual. A escola encontra-se encerrada desde o dia 27 de Setembro e deveria ter aberto no dia 6 de Outubro depois dos feriados do Dia Nacional da China e do feriado português do Dia da Implantação da República. Contudo, a pandemia trocou as voltas à EPM, e os alunos, apenas no modo online, vão passar a ter aulas a partir de hoje, dia 8.

      Abertura do ano lectivo 2016/2017 na Escola Portuguesa de Macau.
      2016/09/06
      Eduardo Martins

      Manuel Peres Machado, presidente da direcção da EPM desde 2013, disse ao PONTO FINAL que “obviamente” o ideal seria que as aulas fossem presenciais. “Para o processo de crescimento e ensino dos alunos, o ensino presencial é muito importante, sem qualquer dúvida. Espero que esta situação que vamos voltar a viver seja por pouco tempo”, assumiu o responsável que admitiu ter fé que as aulas voltem ao modo presencial antes do final deste ano civil.

      Alguns pais têm-se queixado de alguma inflexibilidade dos calendários escolares, mas Manuel Peres Machado desdramatiza a situação, lembrando que os calendários escolares que a EPM segue são os mesmos que vigoram em Portugal. “A nossa flexibilidade depende daquilo que está estipulado em Portugal. Naturalmente que localmente temos alguma flexibilidade, mas também temos algumas balizas como são as disciplinas sujeitas a exames nacionais e as provas finais de ciclo. Há que dedicar uma especial atenção ao português e à matemática”, explicou o português.

      O presidente da direcção da EPM confessou ao nosso jornal que tem existido alguma apreensão e ansiedade por parte dos pais, até porque a escola alberga alunos de diferentes faixas etárias e com diferentes necessidades. “Até agora havia uma certa ansiedade para saber se iriamos avançar para o ensino online, e vamos mesmo. Contudo, há sempre questões menos positivas nisto tudo. O facto de os jovens ficarem em casa é uma grande preocupação. Não podem vir à escola, estar com os professores e com os colegas. Há, de facto, alguma ansiedade e legítima preocupação. Vamos ver quanto tempo teremos para ajudar os alunos para as provas finais”, notou Manuel Machado que, este ano, renovou o mandato como director da escola até 2024.

      No ano lectivo passado, a EPM esteve durante cerca de três a quatro meses em regime de ensino online. O aproveitamento e notas finais dos alunos, revelou o docente ao nosso jornal, foram considerados positivos. “Felizmente ao nível dos exames nacionais os resultados foram bons. Foram sensivelmente os mesmos que temos tido nos últimos anos. Conseguimos manter o sucesso e a prestação geral, em todas as faixas etárias, foi francamente positiva.”

      Por fim, o responsável anuiu a comentar a política de “casos zero” em Macau. Para Manuel Machado, foi esse o caminho que o Governo escolheu para lidar com a pandemia e, como tal, “todas as medidas criadas têm razão de ser nesse sentido”. “O desejo de todos nós é que possamos voltar à escola o mais rápido possível”, expressou votos.

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