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      Sulu Sou despede-se com um aviso: “A liberdade de expressão vai desaparecer no futuro”

      Numa conferência de imprensa de balanço dos últimos quatro anos enquanto deputado, Sulu Sou despediu-se da vida política e aproveitou para deixar um alerta: “Nós sabemos que a liberdade de expressão vai desaparecer no futuro, nós estamos a prever isso”. O democrata desqualificado das eleições indicou também que, por falta de apoios financeiros, a Associação Novo Macau vai ficar sem o escritório que tem na Rua do Tarrafeiro. No entanto, a associação pró-democracia vai continuar activa e a tentar fiscalizar o Governo, garantiu Sulu Sou.

      Sulu Sou deu ontem a sua última conferência de imprensa enquanto deputado. O democrata fez um balanço dos trabalhos dos últimos quatro anos, despediu-se da vida política e disse ainda que as liberdades em Macau vão continuar a encolher ao longo dos próximos anos.

      “Em breve vou voltar ao posto de cidadão comum, vou continuar a preocupar-me com a sociedade, fiscalizar o poder público e amar esta terra”, afirmou Sulu Sou, alertando: “Nós sabemos que a liberdade de expressão vai desaparecer no futuro, nós estamos a prever isso. Vamos perder mais liberdades”.

      “Nos próximos quatro anos, Macau vai enfrentar muitas dificuldades e desafios, sociais e políticos. Prevejo que a situação ainda vai piorar, por isso devemo-nos preparar para uma situação mais difícil no futuro”, disse o ainda deputado, cujo mandato termina a 15 de Outubro.

      A Associação Novo Macau, da qual Sulu Sou é vice-presidente, vai ficar sem o escritório na Rua do Tarrafeiro, uma vez que era o salário de Sulu Sou como deputado que custeava o espaço. No entanto, a Associação Novo Macau vai continuar a existir. Sulu Sou não se quis comprometer com planos para o futuro, disse só que a associação vai tentar manter-se activa e a fiscalizar a acção governativa. “Acredito que nós ainda podemos fazer alguma coisa, enquanto cidadãos, fora da Assembleia Legislativa”, disse.

      Sulu Sou frisou que a associação sempre utilizou “recursos mínimos” para executar o seu trabalho, mas que, sem escritório, “será difícil operar diariamente”. A internet poderá vir a ser a via primordial da associação: “Não tendo morada ou escritório, talvez usemos mais as redes sociais para expressarmos as nossas opiniões”.

      Questionado sobre se teria intenção de se voltar a candidatar à Assembleia Legislativa daqui a quatro anos, Sulu Sou respondeu: “Não sabemos o que vai acontecer amanhã”. A resposta à questão “deve ser dada pelo Governo”, frisou.

      Sulu Sou comentou que as eleições de há duas semanas não foram “justas” nem “democráticas”, uma vez que a desqualificação dos candidatos democratas deixou os eleitores reféns dos candidatos pró-sistema. O democrata disse ainda que muitos eleitores manifestaram o seu desacordo com as desqualificações não indo às urnas, votando em branco ou com votos nulos. A Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL), recorde-se, justificou a taxa de abstenção histórica com a epidemia e com o mau tempo. Sulu Sou referiu que “é perigoso” as autoridades não assumirem as reais razões para a abstenção. “Eles não querem admitir os factos”, concluiu.

       

      PRESENÇAS A ROÇAR OS 100%

      Na conferência de imprensa de ontem, Sulu Sou indicou que, nos últimos quatro anos enquanto deputado, participou em 146 reuniões plenárias, ou seja, 99,32%. Por outro lado, participou em 168 reuniões das comissões da Assembleia Legislativa, o que revela uma taxa de 98,82%.

      O deputado também apresentou 15 projectos de lei, 14 moções de debate, duas moções de audições, oito moções de emissão de votos e 22 moções de recurso ou protesto interno. Além disso, o democrata submeteu 171 interpelações escritas, 52 intervenções antes da ordem do dia e 145 pedidos de informação.

      Ao longo dos últimos quatro anos, o escritório da Novo Macau recebeu um total de 3.756 casos, sendo que 3.235 foram resolvidos pela associação, ou seja, mais de 86%. Os casos envolvem principalmente assuntos municipais, trabalho, educação, função pública, transportes, habitação, habitação pública, protecção ambiental, protecção dos animais, etc. A epidemia também levou a um aumento do número de pedidos de apoio recebidos pela associação.