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      InícioSociedadePrivados deverão entrar na gestão do Hospital das Ilhas

      Privados deverão entrar na gestão do Hospital das Ilhas

      O Governo está inclinado a escolher um modelo de cooperação entre o sector público e o sector privado na gestão do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas, que deverá entrar em funcionamento até 2023. A informação foi dada ontem pelas autoridades de saúde. Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde, assegurou que o novo hospital será público e que o objectivo da entrada do sector privado é aumentar a eficiência do seu funcionamento.

      Os Serviços de Saúde apresentaram ontem as conclusões do estudo realizado pela Faculdade de Medicina da Universidade de Hong Kong sobre a melhoria de serviços médicos no Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas. Durante a apresentação, as autoridades anunciaram que estão inclinadas para a escolha de um modelo de gestão do novo hospital que assente numa cooperação entre instituições públicas e privadas.

      Wong Cheng Po, Chefe do Gabinete de Estudos e Planeamento Serviços de Saúde, detalhou os resultados do estudo da Universidade de Hong Kong, sugerindo então que a opção mais adequada deve ter por base o sector público e privado. Segundo o responsável, as vantagens de incluir privados na gestão do hospital público são o facto de poder “aumentar a qualidade do serviço, aumentar a eficiência do funcionamento do complexo e também pode ser mais flexível, porque não precisa de cumprir as regras de aquisição do Governo”. Pela negativa, Wong Cheng Po apontou que o modelo precisa de uma instituição que possa gerir e supervisionar o funcionamento do hospital e “em Macau não há muitas entidades capazes de colaborar com o Governo”.

      “Uma parceria entre o sector público e privado pode ter uma instituição com fins lucrativos ou pode ter uma instituição sem fins lucrativos. Isto é um modelo de cooperação”, explicou, acrescentando que o parceiro privado “tem de ter experiência suficiente, ser profissional, ter alta capacidade de gestão, também ter um mecanismo de planeamento anual e dotação financeira”. O Governo terá depois de clarificar as responsabilidades das duas partes.

      Alvis Lo, director dos Serviços de Saúde, concordou que este é o modelo mais adequado a Macau. Questionado sobre os custos para os pacientes, Alvis Lo notou que “os sistemas de saúde de todos os países estão a enfrentar o mesmo problema, porque o envelhecimento da sociedade é um problema global”. “Estamos a tentar procurar um modelo que possa permitir um desenvolvimento sustentável do sistema de saúde de Macau, permitindo que nós possamos suportar esses custos”, respondeu.

      O director dos Serviços de Saúde assegurou que o posicionamento do complexo será de hospital público, podendo proporcionar serviços de saúde gratuitos a idosos, crianças ou pacientes com dificuldades financeiras. “Esperamos que, com este novo modelo, possamos ter uma nova cultura de hospital para aumentar a eficiência do funcionamento, aumentar a qualidade dos serviços prestados ao público, permitindo satisfazer os princípios de utilização dos dinheiros dos cofres públicos”, garantiu Alvis Lo.

      Em Julho, a Rádio Macau noticiou que uma unidade hospitalar de Pequim, a Peking Union Medical College Hospital, estava a negociar com o Governo de Macau a gestão do novo Hospital das Ilhas. Ontem, Alvis Lo não quis comentar essa possibilidade.

      Durante a apresentação, Wong Cheng Po falou ainda de outras três propostas apresentadas pela Universidade de Hong Kong em relação aos modelos de gestão do novo hospital de Macau, que deverá estar em funcionamento até 2023. O primeiro dos planos era um modelo de gestão pública, semelhante ao que acontece no Centro Hospitalar Conde de São Januário. No entanto, para a instituição, este plano peca por falta de “flexibilidade” e “pode trazer limitações”. Outro dos modelos apresentados previa a criação de uma sociedade de capitais públicos para gerir o novo hospital, cujos membros do conselho de administração seriam nomeados pelo Governo. A última das opções era tornar o Hospital das Ilhas num complexo totalmente privado.

      Justificando a escolha da opção que prevê a parceria entre o sector público e privado, Wong Cheng Po afirmou: “O sistema médico de Macau vai encontrar muitos desafios, especialmente o aumento dos custos médicos, e tem de melhorar a sustentabilidade do sistema médico de Macau e também tem de ter mais políticas para encorajar a criatividade e a inovação tecnológica. Com este modelo de cooperação entre privado e público, isto permite uma possibilidade de reforma do sistema médico de Macau”.