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      Amor, inclusão e arte, em exposição na Fundação Rui Cunha

      A galeria da Fundação Rui Cunha apresenta hoje, às 11h00, a inauguração da exposição “Amor, inclusão e arte”, da Associação de Apoio aos Deficientes Mentais de Macau. A exposição vai apresentar 44 trabalhos de arte feitos por alunos de várias escolas e instituições locais, nomeadamente trabalhos de pintura e artesanato. O evento pretende marcar também a comemoração dos 35 anos de trabalho da associação.

      A Associação de Apoio aos Deficientes Mentais de Macau prepara-se para inaugurar hoje a exposição de Arte Estudantil 2021, com o tema “Amor, Inclusão, Arte”, na Fundação Rui Cunha, pelo quarto ano consecutivo.

      Esta iniciativa é concebida anualmente para dar a conhecer a imaginação e a criatividade dos trabalhos realizados por jovens com dificuldades intelectuais diversas, e hoje, sendo a comemoração dos 35 anos, será também uma ocasião especial, com os alunos da Escola Kai Chi, do Centro de Formação Inicial Kai Chi, do Centro Vocacional Kai Lung, do Centro Kai Hon e da Casa de Petiscos Sam Meng Chi, a apresentarem 44 peças de pintura e artesanato feitas por eles, com a orientação dos mentores que diariamente desafiam estes jovens a superar as suas incapacidades através das artes.

      Esta associação, fundada em 1986, tem o objectivo de apoiar e de encorajar um espaço de criação artística livre, tendo as escolas e os centros associados a este projecto conseguido “acompanhar o crescimento destes alunos em termos de expressão individual, de melhoria das oportunidades social, de uma maior autoestima, bem-estar e felicidade”.

      Mais especificamente, a instituição pretende estimular a aprendizagem das artes manuais como forma de “desenvolver habilidades emocionais e comportamentais por meio da auto-expressão na arte”. Estas oficinas de trabalhos de arte oferecem às crianças e jovens “uma oportunidade para manipularem materiais, incentivando a exploração por meio de métodos de comunicação alternativos, que lhes proporcionam uma sensação de controlo do ambiente criativo”, refere a associação em comunicado.

      Na edição do ano passado, a mostra denominou-se “Protect, Hope, Love – Students Art Exhibition 2020″ e teve bastante sucesso, segundo os organizadores, com a população a vir em massa visitar a galeria da Fundação Rui Cunha. “Esses sentimentos contribuem para a sua boa saúde em geral, respeito e experiência de vida com dignidade”, refere ainda a associação.

      Sandra Lio, directora-geral da Associação, falou ao PONTO FINAL acerca dos principais desafios e conquistas do grupo nestes últimos 35 anos de existência. “A nossa associação foi criada como uma associação local sem fins lucrativos que fornece serviços e programas para indivíduos com deficiências de desenvolvimento em Macau, e ao longo dos anos estabelecemos uma escola e quatro centros de atendimento a diferentes grupos etários de deficiências intelectuais (Escola Kai Chi, Centro de Formação Precoce Kai Chi, Centro Vocacional Kai Lung, Centro Kai Hong, Snack Shop Sam Meng Chi), com quase dois mil membros a juntarem-se a nós. Começámos desde o início a prestar serviços a uma idade específica. Hoje em dia, porém, o nosso público-alvo abrange diferentes idades desde recém-nascidos até aos seis anos, e ainda acima dos 16 anos de idade; desde serviços limitados nessa altura a vários serviços hoje em dia, incluindo creches e formação profissional, entre outros. E todos estes tipos de serviços servem um papel importante para todas as deficiências intelectuais em Macau. O maior desafio que a nossa associação e as deficiências intelectuais enfrentam desde então é a discriminação, incluindo a discriminação de si próprio e a discriminação da sociedade, e temos lutado para diminuir o mal-entendido no meio”, refere a directora.

      Em relação à situação dos deficientes mentais em Macau, Sandra Lio refere que “o apoio às deficiências intelectuais está a aumentar hoje em dia, especialmente no que diz respeito à melhoria da política de bem-estar social, e aguardamos com expectativa mais apoio e recursos na intervenção precoce para que as crianças até aos três anos com desafios de desenvolvimento possam ter tratamento atempado, pois esta é considerada a ‘idade de ouro’”.

      A responsável alerta, porém, que há falta de apoios ainda, sobretudo nesta altura da pandemia. “Há falta de apoio eficaz, sobretudo para os que têm paralisia cerebral, mas não só. Tem de haver um bom apoio, contínuo, aos nossos membros, que ainda sentem dificuldades na preparação de actividades na comunidade, por exemplo, movendo-se dentro da cidade, na utilização das máscaras, na efectuação do teste de ácido nucleico, entre outros”.

      No que diz respeito ao que vai estar exposto hoje, Sandra Lio assinala que será principalmente artesanato. “Isto serve para treinar a coordenação mãos-olhos, tal como as pinturas a óleo, que são uma excelente actividade para treinar as capacidades de criação colorida e espacial de deficientes intelectuais, expressando os seus acontecimentos diários de formação, bem como a sua bênção para a celebração dos 35 anos”, concluiu.

      A mostra vai ser inaugurada hoje às 11h00 e a exposição estará disponível ao público apenas até quinta-feira, dia 2 de Setembro. A entrada é livre mas sujeita a limitações, em virtude do cumprimento das medidas de saúde em vigor.