Taxa de vacinação tem de atingir os 90%, defende médico deputado

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FOTOGRAFIA: GONÇALO LOBO PINHEIRO

Mais de 7.500 casos confirmados de infecção pela Covid-19 foram identificados ontem em Hong Kong, o que suscita também um desafio a Macau no que tange ao controlo e à prevenção da epidemia. Os Serviços de Saúde de Macau afirmaram que o risco para a saúde pública está em aumento constante, e o deputado médico Chan Iek Lap enalteceu a importância da vacinação colectiva, apelando que todos os sectores reforcem a taxa de administração da vacina para chegar aos 90% o mais cedo possível.

 

A crise epidémica de Covid-19 tem-se intensificado nas regiões vizinhas, nomeadamente em Hong Kong, e os casos graves e mortes têm aumentado. Os Serviços de Saúde de Macau (SSM) assinalaram que houve dias consecutivos em que se registaram novos casos importados no território, e o risco de infecção comunitária está a subir de forma constante. O deputado médico Chan Iek Lap considera que o progresso da vacinação “não é satisfatório”, sobretudo em crianças e idosos, defendendo que se deve alcançar uma taxa de vacinação de 90% ou superior.

O médico apontou ainda que muitos idosos têm pouca informação sobre a vacinação, sugerindo que os lares residenciais e os membros da família deveriam fornecer informações apropriadas sobre a vacinação no sentido de encorajar a terceira idade a administrar as vacinas o mais rapidamente possível. Segundo os SSM, a taxa de vacinação actual no território é superior a 75%, e alguns grupos etários têm uma taxa de vacinação superior a 90%. No entanto, a taxa de vacinação das crianças e dos idosos ainda permanece relativamente baixa.

Para Chan Iek Lap, a baixa taxa de vacinação dos idosos deve-se ao facto de que muitos deles têm acesso limitado às informações em relação à vacina contra a Covid-19. Alguns estão dispostos a tomar a vacina, mas continuam a adiar pois não têm ninguém para os acompanhar ou não querem incomodar ninguém.

O deputado frisou que as autoridades têm reiterado repetidamente que a vacinação pode reduzir o risco de desenvolver formas mais graves da doença ou morte. Os idosos costumam ser mais frágeis e vulneráveis a doenças infectocontagiosas, e por isso são um grupo de risco, referiu o médico. Chan Iek Lap salientou que a vacinação é uma salvaguarda da vida humana e deve ser feita com a maior brevidade possível. O parlamentar recomenda que as organizações de cuidados geriátricos e de apoio a idosos, tais como casas de repouso, deveriam “dar um passo em frente”, entrando em contacto com os familiares dos idosos institucionalizados para conhecer as suas vontades quanto à vacina. Posteriormente, as instituições podem pedir às autoridades que destaquem pessoal para efectuar a vacinação ao domicílio.

Chan Iek Lap também realçou o papel importante que as associações locais desempenham e que fazem a ponte de ligação comunitária. Os voluntários, assistentes sociais e cuidadores nas organizações aderentes podem facilitar as informações referentes à imunização contra a Covid-19 para serem transmitidas aos idosos em situação de solidão, elevando a consciência da população sobre a relevância de se vacinar e acompanhar o idoso durante a vacinação.

Recorde-se que, actualmente, a taxa de vacinação em crianças com idades entre 3 a 11 anos é de 6,7%. O deputado alertou que muitos centros de explicações locais têm área limitada de espaço sem boa ventilação, o que pode oferecer um alto risco de infecção cruzada pela contaminação com microorganismos. O médico acredita que a baixa taxa de vacinação infantil se deve à preocupação dos encarregados de educação que se manifestam acerca dos efeitos colaterais associados às vacinas. Chan Iek Lap frisou que a vacina chegou a Macau há mais de um ano, enquanto os efeitos adversos pós-vacinação registados são raros, portanto, os pais devem estar mais tranquilos. Em caso do surto comunitário, a consequência pode ser severa, sendo necessário que a maior parte da população esteja inoculada, sublinhou o deputado.

 

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