Empresas estrangeiras dizem-se optimistas quanto ao futuro económico de Macau

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FOTOGRAFIA ELOI CARVALHO

 Um inquérito realizado pela Câmara de Comércio Europeia de Macau (MECC) revela que as empresas com investimento estrangeiro em Macau têm um “optimismo cauteloso” face ao futuro económico da região e que pretendem “manter ou aumentar ligeiramente” o seu investimento. O relatório, que será divulgado na íntegra em breve, salienta também o papel de Hengqin na ligação comercial entre Macau e a Grande Baía.

As empresas com investimento estrangeiro em Macau mantêm um “optimismo cauteloso” quanto ao futuro económico da região, sobretudo no que diz respeito à inovação tecnológica, à integração regional e à mobilidade de talentos. Esta é a principal conclusão do “Inquérito às Percepções Empresariais 2025”, divulgado anteontem pela Câmara de Comércio Europeia de Macau (MECC, na sigla em inglês) no campus da Universidade de São José (USJ).

O inquérito, realizado entre 11 de Junho e 8 de Agosto de 2025 em colaboração com a Faculdade de Negócios e Direito da USJ, recolheu respostas de 27 empresas representantes de diferentes câmaras de comércio. Entre as principais conclusões do relatório, destaca-se uma ligeira recuperação do optimismo das empresas para 2025, que mantêm uma visão “neutra a positiva” sobre a integração económica regional.

De acordo com um comunicado divulgado ontem, a maioria das empresas indicou que pretende “manter ou aumentar ligeiramente” o investimento em Macau e focar-se “em novas fontes de receita, localização de operações e novas parcerias”, embora os factores económicos continuem a ser um desafio significativo. A inovação tecnológica e a inteligência artificial são os principais pontos de interesse de 70,4% das empresas inquiridas, o que demonstra “um envolvimento activo com as tendências da economia digital”.

O território de Hengqin também se mostrou apelativo para as empresas estrangeiras em Macau, que afirmaram reconhecer as suas vantagens “em termos de custos” e também como ponte de acesso “ao mercado e ao talento da China continental”. De facto, mais de 60% das empresas que participaram no inquérito afirmaram ter estabelecido acordos comerciais ou parcerias com entidades no interior da China, atestando as ligações comerciais “cada vez mais estreitas” entre Macau e a Grande Baía.

Por outro lado, o ambiente político externo parece não ter influência sobre as operações comerciais desenvolvidas no território, com a maioria das empresas inquiridas a afirmar que os ambientes políticos da União Europeia e dos Estados Unidos da América têm “um impacto mínimo” nos seus negócios.

O evento de lançamento do relatório contou com a presença de cerca de 30 pessoas, incluindo representantes de várias associações empresariais e económicas. Na ocasião, o vice-presidente executivo da MECC, Rui Pedro Cunha, frisou que o inquérito teve como propósito “identificar as oportunidades e os desafios enfrentados pelas empresas com ligações externas em Macau”. Citado no comunicado, o responsável explicou que o relatório quis “ir para além do sentimento informal e obter uma compreensão clara e baseada em dados do actual clima empresarial”, tendo para isso sido essencial a contribuição dos especialistas e académicos que fizeram parte do grupo de trabalho.

“Os dados da pesquisa reflectem a adaptabilidade e a visão das empresas num ambiente complexo”, observou ainda Jenny Phillips, reitora da Faculdade de Negócios e Direito da USJ. “As empresas demonstraram um caminho claro alinhado com as estratégias de desenvolvimento de Macau e do país, particularmente em investimentos em tecnologia e integração regional”.

Apresentadas as principais conclusões do relatório, seguiu-se uma mesa-redonda moderada por membros do grupo de trabalho e convidados especiais, em que se debateu como auxiliar as empresas estrangeiras a capitalizar as oportunidades de negócio em Macau e nas regiões vizinhas. Os membros salientaram, em particular, o aprofundamento das relações com vários sectores da sociedade, a introdução de novas tecnologias ou modelos de negócio e a expansão do investimento em Macau e nas áreas circundantes.

Segundo o comunicado, o relatório completo será publicado “nos próximos dias” nas páginas electrónicas da MECC e da Faculdade de Negócios e Direito da USJ.