Turistas queixam-se de constrangimentos nos transportes na passagem de ano

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O ano de 2026 começou com autocarros lotados, táxis insuficientes e postos fronteiriços com filas intermináveis. O cancelamento dos espectáculos de fogo-de-artifício em Hong Kong trouxe uma multidão de visitantes a Macau na passagem de ano – em particular no Cotai, onde se concentraram cerca de 65 mil pessoas. Nas redes sociais, os turistas queixam-se de um serviço de transportes demorado e com escassez de veículos.

A primeira madrugada do ano ficou marcada por constrangimentos nos serviços de transportes e pela incapacidade de resposta dos táxis da região ao número de residentes e visitantes concentrados, sobretudo, na zona do Cotai. Nas primeiras horas do dia 1 de Janeiro, multiplicaram-se publicações nas redes sociais a dar conta do trânsito intenso nas zonas circundantes aos casinos e das multidões que, por volta das 4h da manhã, ainda faziam fila nos postos fronteiriços.

De acordo com os dados disponibilizados pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), na véspera de Ano Novo registaram-se 414.143 entradas nos nove postos fronteiriços de acesso a Macau, 180.502 delas correspondentes a visitantes. A maioria dos turistas entrou pelas Portas do Cerco (75.670), enquanto um outro grupo significativo de pessoas (42.906) optou pelo posto que conecta Hengqin e Macau.

Com a aproximação da meia-noite, alguns dos pontos de maior afluência foram a Praça do Lago Sai Van e as Casas da Taipa – locais onde decorreram festas e espectáculos musicais organizados pelo Instituto Cultural (IC) – e, principalmente, os casinos do Cotai. Os números avançados pelo CPSP à rádio chinesa da TDM indicam que cerca de 65 mil pessoas terão escolhido esta área de Macau para a transição de ano, onde vários hotéis e bares prepararam menus especiais com descontos e actuações de bandas e DJs.

No entanto, o grande destaque foi o espectáculo pirotécnico da Sands China. Num ano em que Hong Kong optou por não celebrar o Ano Novo com fogo-de-artifício por respeito à memória das vítimas do incêndio de Tai Po, a zona do Cotai tornou-se um destino aliciante para os visitantes das regiões vizinhas – e para os próprios residentes do território, que pelo segundo ano consecutivo não tiveram exibições pirotécnicas na Torre de Macau.

Depois de uma contagem decrescente com efeitos visuais na réplica de Torre Eiffel, as dezenas de milhares de pessoas acumuladas no local admiraram um espectáculo de fogo-de-artifício que sobrevoou os vários complexos hoteleiros de inspiração europeia da concessionária – o Parisian, o Londoner e o Venetian. Mais tarde, nas redes sociais, a experiência de ‘réveillon’ seria descrita pelos visitantes do seguinte modo: “oito minutos de fogo-de-artifício, duas horas de espera pelo autocarro, outras duas horas de espera para atravessar o posto fronteiriço”.

AUTOCARROS E TÁXIS INSUFICIENTES

Terminadas as festividades, residentes e turistas esforçavam-se por regressar a casa ou aos postos fronteiriços. Tal como previamente anunciado pela Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), o acesso à Estrada do Istmo manteve-se condicionado até à 1h da manhã, impossibilitando a entrada de automóveis. Por outro lado, a vasta oferta de autocarros – com carreiras diurnas prolongadas a título excepcional e carreiras nocturnas mais frequentes – não foi suficiente para dar resposta ao fluxo de pessoas que procurava abandonar a zona do Cotai na madrugada de dia 1.

Um utilizador da plataforma Xiaohongshu (também conhecida como RedNote) relata que já passava das 3h da manhã quando conseguiu entrar no autocarro de regresso ao hotel; no ano passado, na mesma ocasião de Ano Novo, bastou menos de uma hora para fazer este mesmo percurso. “Vi uma pessoa a desmaiar”, relata outro cibernauta, em referência às multidões compactas que aguardavam para entrar nos autocarros.

Os táxis revelaram-se igualmente insuficientes face às longas filas de passageiros, que alguns utilizadores do Xiaohongshu dizem ter superado as 200 pessoas. Para além disso, segundo os relatos que proliferam nas redes sociais chinesas, também não foi possível chamar táxis através do serviço “Amap Taxi”, lançado em Junho na plataforma electrónica Mpay.

Os dados do CPSP mostram que o número de saídas de visitantes (241.563) ultrapassou largamente o número de entradas (188.036) ao longo do dia 1 de Janeiro, com o fim do feriado de Ano Novo e o regresso dos turistas aos seus locais de residência. As Portas do Cerco registaram neste dia a saída de 102.385 visitantes, um número considerável que levou a filas com tempo médio de espera de várias horas. “O posto fronteiriço estava tão cheio que não consegui entrar. Sinceramente, tive medo que houvesse uma debandada”, escreveu uma utilizadora do Xiaohongshu. “Tive de esperar mais de três horas para passar a fronteira”.

Muitos visitantes (59.589) optaram pelo posto fronteiriço de Hengqin, num esforço para contornar a multidão das Portas do Cerco e pernoitar numa região em que o preço médio dos hotéis é menos elevado do que as tarifas praticadas em Macau. Ainda assim, por volta das 4h da manhã o posto de acesso a Hengqin tinha ainda longas filas que se moviam a passo vagaroso, como demonstram as centenas de vídeos publicados nas redes sociais.

“Porque não passar a noite em Macau e evitar as filas?”, questionaram alguns cibernautas locais. As respostas dos utilizadores do interior da China foram, de modo geral, unânimes: “as tarifas dos hotéis são demasiado caras”.

No Facebook, os comentários dos utilizadores de Macau dividem-se em diferentes perspectivas. Por um lado, há quem defenda a necessidade de reforçar os serviços de transportes e proporcionar uma experiência de mobilidade mais fluida e acessível a residentes e turistas. Por outro lado, é também possível ler comentários mais críticos quanto às exigências dos visitantes (“se vêm cá aproveitar um espectáculo gratuito e não consomem nada, estão à espera de tratamento ‘premium’?”) e à inevitabilidade do congestionamento das estradas aquando de grandes eventos turísticos. “Com as actuais condições das estradas de Macau, reforçar o número de autocarros e táxis é complicado e vai apenas piorar o trânsito”, opina um utilizador.

Não obstante, recorde-se, o número de táxis em Macau deverá subir para 2.000 ainda este ano. Segundo declarações de Raymond Tam, secretário para os Transportes e Obras Públicas, serão introduzidos 800 táxis no mercado ao longo de 2026, visando melhorar a oferta dos serviços de transporte na região.