Um menor foi deixado sozinho em casa e foi encontrado na rua após uma queda da habitação. A criança foi internada em meados deste mês. A Polícia Judiciária deteve a mãe e a empregada doméstica que trabalha para a família, tendo apurado que o menor esteve sozinho em casa pelo menos três vezes. O caso está também a ser acompanhado pelo Instituto de Acção Social.
Uma criança abandonada em casa ficou ferida e está internada após uma queda da janela do prédio onde vive, alegadamente por ter medo de ficar sozinha na residência. O incidente ocorreu em meados deste mês, e o menor foi encontrado caído na Rua do Gamboa e foi levado para hospital, tendo sido diagnosticado com uma hemorragia intracraniana. Está em tratamento médico há quase duas semanas, desde o dia 15 do mês.
A Polícia Judiciária (PJ) avançou com a investigação do caso e anunciou na passada sexta-feira a detenção da mãe do menor, de 40 anos, bem como da empregada doméstica, de nacionalidade indonésia que trabalha para a família. As detidas foram encaminhadas para o Ministério Público com possíveis acusações do crime de “exposição ou abandono”.
A informação da polícia, segundo o canal em língua chinesa da TDM, acrescentou que a vítima mora com os pais, o irmão mais velho e a empregada doméstica. No entanto, a PJ não revelou a eventual responsabilização criminal por parte do pai.
As autoridades apuraram que, na altura do incidente, os pais e o irmão mais velho estavam ausentes da habitação, restando apenas a empregada doméstica para tomar conta do menino. Mais tarde, a empregada doméstica saiu para ir buscar o irmão da criança, deixando o menor sozinho.
“A empregada doméstica entregou um tablet à criança para que ficasse entretido enquanto estava sozinho, trancou a porta e saiu, avisando por telefone a mãe”, salientou a PJ, indicando que o menor começou logo a chorar, por medo, e tentou abrir a porta com uma ferramenta, mas não conseguiu. Por volta das 12h50, a vítima entrou na cozinha da fracção e caiu da janela para a rua.
O porta-voz da PJ não revelou a idade da criança. De acordo com informação avançada pelo Jornal Ou Mun no dia 15, um menino de 4 a 5 anos terá caído de um prédio na Rua do Gamboa, devendo ser a mesma criança.
A investigação da PJ apontou que a vítima já tinha sido deixada sozinha em casa pelo menos duas vezes no passado e esta terá sido a terceira vez, sendo que a primeira terá sido a 17 de Junho.
IAS ACOMPANHA
O Instituto de Acção Social (IAS) lamentou o incidente e disse estar a acompanhar o caso e prestar apoio à família envolvida. “A sociedade e os familiares estão muito tristes e consternados com este acidente, que teve um grande impacto na família envolvida. Já enviámos colegas a prestar apoio, mas também aconselhamento sobre o cuidado da criança no futuro”, assegurou.
Hon Wai, presidente do IAS, referiu que o organismo tinha recebido denúncias de crianças abandonadas em casa no passado e iria notificar os departamentos competentes para prestarem assistência o mais rápido possível.
O IAS apela à sociedade para que preste atenção à questão da segurança dos menores deixados sozinhos em casa, sublinhando que a protecção de crianças necessita a colaboração entre o Governo e os pais, recomendando que haja uma boa comunicação entre os membros da família para se ajudarem mutuamente no cuidado das crianças.
Neste caso, Hon Wai frisou ainda que, desde que a lei de prevenção e combate à violência doméstica entrou em vigor, a sociedade está mais alertada e preocupada com crianças que ficam sozinhas em casa. “As medidas de protecção infantil aumentaram, com grandes melhorias na segurança das crianças em relação ao passado. Mas acidentes sempre podem acontecer, especialmente com crianças pequenas, que são mais susceptíveis a acidentes devido à negligência”, indicou Hon Wai, alertando que os pais devem aprender com o incidente desta vez e ficar mais atentos à segurança das crianças.
A Associação Geral das Mulheres condenou o caso e a prática de os encarregados de educação deixarem o menor em casa. Em declarações ao Jornal Ou Mun, a entidade disse ter também recebido alguns relatos de famílias cujos pais trabalham ou estão divorciados, sobre problemas relacionados com os cuidados dos filhos, em particular durante as férias de Verão quando não há aulas nas escolas. Lançou, nesse sentido, um apelo aos pais que comuniquem e coordenem bem os cuidados a dar aos filhos pequenos, para evitar acidentes que prejudiquem a segurança dos filhos.











