O Governo de Macau anunciou ontem que um dirigente da vizinha zona económica especial de Hengqin pediu a demissão “por motivos pessoais”, horas depois de a China anunciar um caso de corrupção ligado a esta área.
De acordo com uma nota, Su Kun pediu a demissão como um dos seis coordenadores-adjuntos da Comissão Executiva da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau, que faz parte da área especial de Hengqin.
Segundo o portal do Governo de Macau, esta comissão “assume as funções de promoção da divulgação a nível internacional, captação de negócios e investimentos, introdução de indústrias, exploração de terrenos, construção de projetos específicos e gestão dos assuntos respeitantes à vida da população”.
O gabinete do secretário para a Economia e Finanças de Macau, Tai Kin Ip, disse no comunicado, com apenas uma frase, que Su Kun também pediu a demissão como assessor do secretário, pedido que foi aprovado, com efeito a partir de ontem.
A demissão de Su Kun acontece um dia depois da comissão anticorrupção da vizinha província de Guangdong anunciar o início de uma investigação ao antigo presidente da empresa estatal responsável pelo desenvolvimento da zona especial de Hengqin.
Num comunicado, a Comissão Provincial de Inspecção Disciplinar de Guangdong disse que o antigo presidente do grupo Zhuhai Da Hengqin, Hu Jia, “é suspeito de graves violações disciplinares”, uma frase que normalmente se refere a corrupção.
A nota, também com apenas uma frase, diz que Hu está a ser alvo de “revisão e investigação disciplinar” por parte da Comissão Municipal de Inspeção e Supervisão Disciplinar de Zhuhai.
A Lusa perguntou ao Governo de Macau se a demissão de Su Kun está relacionada com a investigação por corrupção contra Hu Jia, mas não recebeu até ao momento qualquer resposta.
O grupo Zhuhai Da Hengqin foi criado em 2009 pelo município de Zhuhai para a construção e desenvolvimento da zona económica especial de Hengqin. Esta área inclui a Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin e gerido conjuntamente pela província de Guangdong e por Macau, com cerca de 106 quilómetros quadrados.
O novo líder do Governo de Macau, Sam Hou Fai, que tomou posse em Dezembro, tem defendido uma maior aposta na integração com Hengqin. O desenvolvimento da ilha vizinha “é a nossa principal tarefa”, disse o chefe do Executivo aos jornalistas, na terça-feira.
Sam falava numa conferência de imprensa de balanço de uma visita de seis dias a Macau do principal responsável do Partido Comunista Chinês para os assuntos das duas regiões semiautónomas, Xia Baolong. Na segunda-feira, o diretor do Gabinete dos Assuntos de Hong Kong e Macau, sob a tutela do Conselho de Estado, disse que “a construção de Hengqin deve ser tratada como uma prioridade de Macau”. Lusa











