Polícia afasta homicídio após homem ter sido encontrado morto num incêndio em Seac Pai Van

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Um homem foi encontrado morto e com o corpo queimado numa unidade de habitação social em Seac Pai Van, onde deflagrou um incêndio na quarta-feira. Os Bombeiros referem que a porta de entrada da fracção em causa estava trancada e bloqueada por um móvel de televisão e que as pernas da vítima estavam amarradas. A Polícia Judiciária excluiu, preliminarmente, a hipótese de ser um caso de homicídio, indicando que o falecido era portador de perturbações mentais. O Instituto de Acção Social confirmou que o homem era um caso que estava a ser acompanhado.

 

A Polícia Judiciária (PJ) está a investigar um caso ocorrido na quarta-feira no qual foi descoberto um cadáver queimado num incêndio numa fracção em Seac Pai Van, e afastou, por agora, a possibilidade de homicídio. O referido incêndio ocorreu na quarta-feira ao final de tarde no bloco 4 do Edifício Lok Kuan, que faz parte do projecto da habitação social do Governo.

A vítima do caso é um homem residente de 61 anos, que foi encontrado morto numa cadeira num quarto da casa com as pernas amarradas.

O Corpo de Bombeiros disse ter recebido a notificação do incêndio por volta das 19h30 e enviou uma equipa ao local para lidar com a situação. Segundo o organismo, o pessoal dos Bombeiros tentou entrar na fracção para extinguir as chamas, mas verificou que a porta de metal de entrada “estava trancada por dentro” e “bloqueada pelo móvel da televisão”.

“Foi necessário usar ferramentas para abrir a porta de metal e a porta de madeira, bem como retirar os objectos de obstáculo, antes de [o pessoal dos Bombeiros] conseguir entrar no apartamento”, salientou a PJ, indicando que o fogo foi posteriormente extinto e foi encontrado um cadáver queimado no local.

De acordo com as autoridades, o Corpo de Bombeiros notificou o caso à PJ às 19h53 da quarta-feira e solicitou uma investigação judiciária.

Por volta da 1h da manhã de ontem, a PJ divulgou as informações preliminares da investigação através de uma mensagem enviada à imprensa, afirmando que o falecido era “portador de problemas mentais de longa data e com um historial de automutilação” e vivia com a sua família na fracção onde ocorreu o incidente, mas os seus familiares tinham recentemente saído de casa por alguns dias.

A PJ assegurou que o falecido vinha a ser acompanhado pelo pessoal dos serviços sociais e recebeu recentemente tratamento médico em companhia do referido pessoal. Na quarta-feira, o pessoal dos serviços sociais deslocou-se à casa do falecido para visita e acompanhar a sua situação, tendo saído apenas ao final de tarde.

“Por volta das 19h e tal, o pessoal dos serviços sociais recebeu uma chamada telefónica do falecido e, durante a conversa, verificou que o estado do falecido era anormal e deixou subitamente de ser contactável”, detalhou. Os assistentes dos serviços sociais pediram, de imediato, ajuda junto à polícia.

Foi realizado um exame e investigação do local e a PJ confirmou que não foram encontrados sinais de luta ou de busca no apartamento. “Após o exame do cadáver pelos agentes da PJ e do médico forense, verifica-se que os ferimentos do falecido eram coerentes com as circunstâncias do local e não foram encontrados outros ferimentos suspeitos”, asseverou.

As autoridades policiais, nesse sentido, destacam que a possibilidade de homicídio foi excluída e a determinação da causa da morte aguarda pelo exame forense, estando o caso a ser acompanhado pelo PJ.

 

“INVESTIGAÇÃO RIGOROSA”

 

Wong Sio Chak, secretário para a Segurança, por sua vez, deixou a garantia de que a investigação policial e a recolha de provas são “claras” e “sujeitas à fiscalização”. A questão foi levantada numa conferência de imprensa realizada ontem pela tutela da Segurança, onde o secretário reiterou a conclusão preliminar de não se tratar de um caso de homicídio e afastou a preocupação de um eventual lapso relativamente aos trabalhos de salvamento.

Adiantou que a polícia recebeu a notificação do caso ao mesmo tempo que o Corpo de Bombeiros, também por volta das 19h30. Recorde-se que, na mensagem enviada à imprensa, a PJ disse ter sido notificada sobre o incêndio pelos bombeiros às 19h53. “Alguns pormenores da investigação não devem ser tornados públicos porque envolvem os meios de investigação. Se todos os pormenores forem tornados públicos, como é que o caso será investigado no futuro?”, indicou Wong Sio Chak, sublinhando que a polícia, em todos os tipos de casos, é muito rigorosa em todos os procedimentos de investigação. Wong assegurou uma comunicação estreita com a PJ sobre os pormenores do caso e que todo o processo de investigação de provas e análises está sujeito a uma supervisão.

 

IAS ACOMPANHA O CASO

 

O Instituto de Acção Social (IAS) referiu que a família envolvida no incêndio fatal é um caso que está a ser acompanhado por instituições de serviço social subsidiadas pelo organismo. Garantiu que, após tomar conhecimento do incidente, entrou imediatamente em contacto com as instituições competentes e mantém uma estreita cooperação com as mesmas, com o objectivo de prestar a assistência necessária à família do falecido.