O Instituto Internacional de Macau (IIM) realizou uma sessão cultural que reuniu as comunidades macaenses para discutir a valorização do património e os desafios futuros. O presidente do IIM, Jorge Rangel, enfatizou a importância do reconhecimento das contribuições das organizações macaenses para a cultura e para a história da região. Rangel sublinhou ainda a importância do princípio “Macau governado pelas suas gentes”.
O Instituto Internacional de Macau (IIM) foi o palco da sessão cultural da reunião das comunidades macaenses, com o tema “Valorização do Património e os Desafios Futuros”. O evento teve início às 11h com um discurso de boas-vindas de Jorge A. H. Rangel, presidente do IIM, que enfatizou a importância de reconhecer as contribuições das organizações macaenses.
Durante a ocasião, Jorge Rangel sublinhou a necessidade de reconhecer a importância das organizações macaenses. O presidente do IIM expressou esperança no novo Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, que, segundo Rangel, “deve alguma coisa daquilo que ele é hoje às acções de formação que Portugal e a prestação portuguesa lhe proporcionaram”.
Apontando para o princípio “Macau governado por patriotas”, que tem sido apregoado pelas autoridades locais, Rangel afirmou que “não é isso que está na lei”. “A lei diz que Macau é governada pelas gentes de Macau e as gentes de Macau somos todos, não só os patriotas”, referiu, sublinhando: “Macau é governado pelas gentes de Macau e é assim que tem de continuar a ser”. Rangel salientou ainda que “todas as gentes de Macau são iguais perante a lei” e “é este conceito que vamos continuar a defender, mesmo que algumas entidades possam não gostar”. O presidente do instituto disse ainda que se deve “defender o que está na lei e continuar a defender os interesses de Macau e da comunidade macaense, conforme a lei que foi negociada com Portugal e com os mesmos parâmetros que ficaram definidos”.
A sessão em si começou com a apresentação de um vídeo e de uma exposição fotográfica comemorativa dos 25 anos da RAEM e do IIM, seguida de um trailer do documentário “Heritople” e posteriormente de uma apresentação das mais recentes publicações do IIM.
Às 11h20, Jason Wordie apresentou o seu livro, “Macao: People and Places, Past and Present”, que aborda as narrativas históricas e culturais de Macau. Seguiram-se ainda breves apresentações das diferentes organizações e propostas da diáspora, que reflectiram as diversas perspectivas da comunidade macaense.
Um dos pontos altos do evento foi a entrega do Prémio Identidade do IIM, que reconhece indivíduos e as suas obras “constantes, continuadas e consequentes na afirmação e memória de Macau e para a identidade macaense”, esclareceu Jorge Rangel. O prémio foi entregue a Linda Rika Naito, a Celina Veiga de Oliveira e a João Guedes, que expressaram a sua gratidão e empenho na promoção da cultura macaense. Ao receber o prémio, Celina Veiga de Oliveira afirmou que “todos os indivíduos, todas as comunidades e todos os lugares têm identidade própria”. “Macau adquiriu ao longo dos séculos uma forte consciência identitária, construída por gerações de famílias que desde o século XVI aqui viveram e se multiplicaram. A identidade de Macau não é unívoca, é um processo dinâmico e relacional. A amálgama de gentes, de credos, de costumes e de olhares que sempre aqui coexistiu deu a esta terra uma singularidade invulgar, um comportamento não totalmente português, não totalmente chinês, mas de Macau”.
Já João Guedes dirigiu-se aos presentes afirmando: “Nós estamos unidos pela nossa terra, pela nossa cultura, pela nossa identidade e pelo nosso sentido de pertença, que não é só ter a terra, que é Macau, é sentirmos que somos de Macau e que somos macaenses”.
A sessão incluiu ainda uma homenagem às Casas de Macau e ao Conselho das Comunidades Macaenses, onde foram entregues Certificados de Mérito e Reconhecimento a várias organizações, nomeadamente o Clube Lusitano, a Casa de Macau, a Casa de Macau do Canadá, a Casa de Macau do Rio de Janeiro, o Lusitano Club of California, a Macau Association of Western Canada, a União Macaense Americana, a Casa de Macau Club Vancouver, a Casa de Macau Austrália, a Associação Casa de Macau São Paulo e ao Concelho das Comunidades Macaenses. Este reconhecimento sublinha o papel fundamental que estas organizações desempenham na preservação e na promoção do património macaense.
Durante a tarde, foram projectados dois documentários: “Heritople”, que explora a ligação entre o património cultural e a memória macaense; e “Macau, uma História de Sucesso”, que destaca o desenvolvimento da região.
A sessão cultural do IIM serviu não só como uma plataforma para celebrar a herança macaense e recordar o significado duradouro do património na formação da identidade e da resiliência da comunidade, mas também como um apelo à acção para que os membros da comunidade se envolvam mais activamente nos esforços de preservação cultural, ao celebrar as realizações passadas e lançar as bases para iniciativas futuras. As discussões destacaram a necessidade de colaboração entre as várias organizações para garantir que a identidade única da população macaense seja mantida para as gerações vindouras.











