Um grupo de piratas informáticos, intitulado “Anonymous 64”, é suspeito de atacar as redes de Macau e de Hong Kong para divulgar mensagens “que denegriam o sistema político e as políticas do interior da China”. O Governo Central acredita que são as autoridades de Taiwan que estão por detrás deste grupo, mas Taipé nega.
O Ministério de Segurança do Estado da China acusa um grupo de piratas informáticos de alegadas “forças independentistas de Taiwan” de ter levado a cabo “ciberataques frequentes” contra Macau e Hong Kong, bem como no interior da China, ao longo deste ano. O governo chinês disse ter aberto um processo de investigação ao grupo “Anonymous 64”, afirmando que o “Anonymous 64” é um “exército cibernético mantido pelas forças separatistas de Taiwan” e é subordinado ao Comando das Informações, Comunicações e Força Eletrónica (ICEFCOM, na sigla inglesa), criado pelas autoridades de Taiwan há sete anos.
A denúncia de Pequim foi divulgada numa publicação de ontem na conta oficial no WeChat do Ministério de Segurança do Estado. Segundo esta, o grupo “Anonymous 64” tentou alegadamente obter o controlo de portais online, placards electrónicos ao ar livre e televisão online, de forma a “carregar e difundir conteúdos que denegriam o sistema político e as principais políticas” da China Continental.
O governo chinês considerou que o grupo “inverteu a verdade na mentira e espalhou informações falsas”, mas garantiu ter reagido à situação de imediato e ter “tomado medidas efectivas para lidar com os potenciais perigos e eliminar os efeitos adversos”.
As autoridades chinesas acreditam que o grupo “Anonymous 64” esteja ligado a um centro de investigação de uma unidade de guerra cibernética do exército taiwanês, designadamente o ICEFCOM, estabelecido em 2017. “O centro é responsável por travar guerras cibernéticas cognitivas e de opinião pública contra o Continente”, pode ler-se na publicação, acrescentando que este centro terá registado no ano passado uma conta nas redes sociais sob o nome do “Anonymous 64” para realizar ciberataques e actividades de sabotagem.
A página nas redes sociais do “Anonymous 64” conta agora com mais de 70 publicações referentes, por exemplo, a temas como a repressão estudantil do 4 de Junho ou o Tibete. Pequim sublinhou que o grupo “tentou criar a ilusão de que a segurança de rede da China é frágil” ao divulgar as suas acções. “No entanto, a maioria dos portais atacados eram portais oficiais falsos ou portais que já não estão a ser utilizados. Alguns foram mesmo criados pela organização através da edição de fotografias e outros métodos”, disse. Além disso, o ministério revelou que foram identificadas três pessoas, funcionários do ICEFCOM, que estão a ser investigadas por terem praticado os ciberataques, e foram divulgados os nomes e fotografias destas pessoas.
Este é o primeiro caso de investigação que o governo chinês comunicou ao público após a emissão do documento “Punir severamente os defensores da independência de Taiwan por dividirem o país e incitarem a crimes de secessão”, directrizes lançadas em Junho pelo Supremo Tribunal Popular. Na mensagem publicada ontem, o Ministério de Segurança do Estado garante que vai implementar com firmeza as directrizes e “esmagar resolutamente todas as conspirações secessionistas para a independência de Taiwan”.
Recorde-se que as referidas orientações preveem a pena de morte em casos extremos para o “crime de secessão” do Estado e, além disso, os tribunais do Continente podem julgar à revelia os casos de incitamento à secessão.
As autoridades de Taiwan reagiram logo depois da publicação do Ministério de Segurança do Estado chinês, declarando que o ICEFCOM é apenas responsável pela “defesa da informação nacional e pelo trabalho de segurança cibernética”, e que “as acusações do Continente não são verdadeiras”. “O Comando constatou que a actual situação de ameaça inimiga e cibernética é grave e que o Exército de Libertação Popular (ELP), juntamente com as suas forças associadas, continua a perturbar Taiwan através de ataques aéreos, navais e cibernéticos, sendo o principal instigador que mina a paz regional”, sublinhou o comunicado.
Nos últimos anos, Taiwan tem denunciado um número crescente de ciberataques da China como parte de uma campanha de “guerra cognitiva” destinada a pressionar as autoridades taiwanesas, actualmente lideradas por William Lai. O Ministério dos Assuntos Digitais de Taiwan (MODA) detectou mais de 64.000 ciberataques contra agências governamentais em Maio passado, o maior total mensal em quase um ano.











