DSEDJ investe em programas educacionais para combater aumento na criminalidade juvenil

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FOTOGRAFIA GONÇALO LOBO PINHEIRO

A delinquência juvenil em Macau cresceu 6,9% em relação ao ano passado e 82,4% desde 2019. A Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) destacou a importância da educação moral e cívica, que é obrigatória nas escolas, e anunciou a revisão das competências académicas e actualização dos materiais didáticos para melhor abordar questões contemporâneas e tentar abater futuros problemas ligados à criminalidade entre os jovens. O deputado Ho Ion Sang entregou as suas preocupações por escrito ao Governo em Junho, incitando uma resposta detalhada pela DSEDJ.

 

Recentemente, uma interpelação escrita pelo deputado Ho Ion Sang destacou preocupações significativas sobre o aumento da delinquência juvenil em Macau, que cresceu 6,9% em comparação com 2023, mas registou um aumento “chocante” de 82,4% em relação a 2019. Estes dados alarmantes foram acompanhados por um apelo claro para um reforço na educação moral e cívica nas escolas, evidenciando a necessidade urgente de programação educativa que envolva não apenas os alunos, mas também as famílias.

Em resposta à interpelação, a Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) reafirmou o seu compromisso em fortalecer a formação cívica e moral dos jovens em Macau. O governo confirmou que a “Educação Moral e Cívica” é uma disciplina obrigatória para todos os alunos do ensino primário e secundário, enfatizando a importância de cultivar uma boa qualidade cívica e o cumprimento da lei. A DSEDJ também implementou o material didáctico “Educação Moral e Cívica” e uma base de recursos pedagógicos, com o objectivo de apoiar os docentes no ensino sistemático dos valores cívicos e morais.

 

Para abordar as preocupações levantadas pelo deputado, a DSEDJ anunciou que, a partir do ano lectivo de 2024/2025, será realizada uma revisão das exigências das competências académicas nas disciplinas de “Educação Moral e Cívica”, “História” e “Geografia”. Esta revisão visa integrar informações relevantes sobre o desenvolvimento social e económico de Macau, permitindo que os alunos compreendam melhor o seu papel na sociedade. Além disso, o Governo projecta desenvolver módulos que abordem iniciativas importantes como a Grande Baía de Guangdong-Hong Kong-Macau e a Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau.

Mais um aspecto relevante da resposta da DSEDJ envolve a formação contínua dos docentes, que será enriquecida com conteúdos sobre valores correctos e pensamento crítico. A DSEDJ realiza regularmente acções de formação para garantir que os professores estejam adequadamente preparados para transmitir conhecimentos críticos aos alunos e que consigam integrá-los no contexto da vida diária.

Outro ponto importante mencionado foi o “Plano de Financiamento para o Desenvolvimento das Escolas”, que visa apoiar as escolas na realização de actividades de educação moral. O plano permite que as instituições educacionais apresentem candidaturas para projectos que visem promover a cooperação entre famílias e escolas, além de fomentar a responsabilidade dos jovens pela sua “pátria e comunidade”.

A DSEDJ também sublinhou a importância de promover a educação comunitária e dos pais. Através de algumas iniciativas recentes, o Governo tem trabalhado para criar uma plataforma que ajude os encarregados da educação em casa, sejam os pais ou familiares, a participar activamente na educação moral dos seus filhos. Estas acções incluem formação em empresas, planos de incentivo para pais engajados e a utilização de meios digitais para disseminar informações educativas.

A resposta à interpelação do deputado Ho Ion Sang apresenta uma consciência do Governo sobre a gravidade do aumento da delinquência juvenil e as medidas proactivas para enfrentar o problema através, principalmente, da educação. O foco em melhorar a formação moral e cívica dos jovens, junto com o envolvimento activo das famílias, é um dos aspectos cruciais para promover cidadãos mais responsáveis e conscientes das suas obrigações sociais. Com uma abordagem integrada que envolve a comunidade, as escolas e as famílias, o Governo espera cultivar uma geração de jovens mais esclarecidos e comprometidos com o bem comum.

“O “Planeamento a Médio e Longo Prazo do Ensino Não Superior (2021-2030)” definiu, como objectivos de desenvolvimento, a implementação de valores nucleares educativos de “cultivar os talentos com boa qualidade moral” e o desenvolvimento, nos alunos, do sentimento de amor pela Pátria e por Macau e de uma boa qualidade moral, entre outros aspectos”, concluiu Kong Chi Meng, director da DSEDJ.