Macau regista 62 mortes por suicídio nos primeiros nove meses  

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FOTOGRAFIA EDUARDO MARTINS ARQUIVO

Um total de 62 casos de mortes relacionadas com suicídio foram registadas em Macau até Setembro deste ano, o que representa uma diminuição em 4,6% em comparação com o mesmo período do ano passado. Segundo os dados mais actualizados dos Serviços de Saúde, foram cometidos no terceiro trimestre 15 suicídios em Macau, e entre as vítimas registaram-se mais jovens com menos de 15 anos.

 

Macau registou no terceiro trimestre 15 casos de mortes relacionadas com suicídio, envolvendo sete homens e oito mulheres com idades compreendidas entre os 15 e os 86 anos. Os dados foram revelados pela monitorização efectuada pelos Serviços de Saúde (SSM), segundo os quais 13 dos 15 casos foram cometidos por residentes.

“De acordo com a análise dos dados, neste trimestre, as possíveis causas do suicídio são principalmente resultantes de doenças mentais, doenças crónicas ou físicas”, frisaram as autoridades.

Entre Janeiro e Setembro deste ano, totalizaram-se, nesse sentido, 62 casos de suicídio, com 23 casos registados no primeiro trimestre e 24 casos no segundo trimestre. Com base nos dados estatísticos, quase sete pessoas por mês morreram devido a suicídio em Macau.

A situação foi, entretanto, pior no ano passado, dado que foram registados 65 casos nos primeiros três trimestres de 2022, tendo acumulado 28 casos de Janeiro a Março do ano passado. Comparando os dados do presente ano com o ano anterior, o número de mortes por suicídio dos primeiros três trimestres diminuiu 4,6% em relação ao período homólogo de 2022.

“As causas do suicídio são complexas e frequentemente envolvem doenças mentais, factores psicológicos, factores socioeconómicos, factores familiares, factores de relações humanas e factores genéticos biológicos”, alertam os SSM.

As autoridades acrescentaram que, “para prevenir eficazmente o suicídio, é preciso a atenção de todos, ainda que todos precisem de participar activamente em papel de defensores de prevenção do suicídio”, e “os residentes devem contactar, comunicar e preocupar-se mais com as pessoas que estão ao seu redor, com as suas vidas diárias e incentivar aqueles que estão com problemas emocionais a procurar activamente ajuda profissional”.

Os casos de suicídio e incidência de problemas emocionais têm vindo a gerar mais preocupação na sociedade durante os últimos anos. Além de avançar as estatísticas de morte por suicídio, os SSM afirmaram, na quarta-feira, que o Governo “está muito atento” à saúde mental dos residentes e “mantém uma comunicação eficaz e cooperação interdepartamental” com as instituições de serviços comunitários, para alargar a rede de apoio social.

“Os serviços de saúde mental em Macau são altamente acessíveis”, enfatizou. O organismo disse que actualmente os cuidados de saúde mental estão disponíveis na consulta externa dos oito centros de saúde, incluindo do Tap Seac, do Fai Chi Kei, da Areia Preta, da Ilha Verde, dos Jardins do Oceano, de Nossa Senhora do Carmo – Lago, da Praia do Manduco e de Seac Pai Van. Duas instituições sem fins lucrativos também estão subsidiadas e tecnicamente apoiadas para prestar aconselhamento psicológico, designadamente a União Geral das Associações dos Moradores de Macau e a Associação Geral das Mulheres de Macau.

“O Serviço de Psiquiatria do Centro Hospitalar Conde de São Januário criou um mecanismo urgente com os centros de saúde e as instituições de serviço social, destinado ao acompanhamento dos casos encaminhados. Os médicos especialistas de psiquiatria prestam serviço durante 24 horas no Serviço de Urgência em situações de emergência”, pode ler-se na nota dos SSM.

Na mesma linha, a página electrónica de informações sobre saúde mental, que os SSM lançaram em Setembro com o objectivo de eliminar os mal-entendidos e preconceitos do público em relação às doenças mentais, encontra-se agora disponível em versão da língua portuguesa, com conteúdos de teste rápido do estado auto-psicológico, métodos de relaxamento ao stress e as formas de contacto dos serviços.

Os SSM apelam a todos aqueles que estejam emocionalmente angustiados e desesperados para ligar para a Linha Aberta “Esperança de vida da Caritas” através do n.º 28525222, ou do n.º 28525777 em língua inglesa, de forma a obter serviços de aconselhamento emocional.