O Governo anunciou na segunda-feira que os valores das rendas das residências para idosos vão variar entre 5.410 e 6.680 patacas por mês. A associação Aliança de Povo de Instituição de Macau diz que os valores são demasiado elevados. A Associação Geral das Mulheres de Macau diz que muitos residentes têm dúvidas face aos valores estipulados pelas autoridades.
A Aliança de Povo de Instituição de Macau diz que os valores das rendas do projecto-piloto do Governo de residências para idosos são demasiado elevados e muitos dos possíveis beneficiários não têm condições de pagar as rendas pedidas. Também a Associação Geral das Mulheres de Macau alertou para os valores anunciados pelas autoridades.
Os valores são determinados de acordo com o andar e a zona onde se localizam as casas, sendo que as unidades dos andares mais elevados e com paisagem mais aberta terão uma renda mensal mais elevada. Segundo o despacho da secretária para os Assuntos Sociais e Cultura, publicado em Boletim Oficial, os valores de utilização das fracções do 4.º ao 21.º andar são entre 5.410 e 6.370 patacas, enquanto do 22.º ao 37.º andar o preço totaliza-se em 5.670 a 6.680 patacas. O valor médio mensal da residência fixa-se em 6.050 patacas. Este projecto-piloto disponibiliza um total de 1.815 fracções situadas na Avenida do Nordeste, na Areia Preta.
“As rendas elevadas são dissuasoras para muitos idosos, o que pode constituir um obstáculo à eficácia da política”, avisou Chan Peng Peng, vice-presidente da direcção da Aliança de Povo e também vogal do Conselho de Juventude.
Em declarações ao Jornal do Cidadão, a representante da associação lembrou que o valor máximo da pensão para idosos em Macau é de 3.740 patacas por mês, ou seja, quase metade do valor das rendas das residências. Mesmo acrescentando os valores da comparticipação pecuniária e do subsídio para idosos, não chega para cobrir o valor mensal das rendas. “Isto significa que muitos idosos podem não estar em condições de suportar as respectivas despesas”, afirmou Chan Peng Peng. Por outro lado, a responsável da associação recordou que as autoridades estimam que em 2040 mais de 20% da população de Macau tenha mais de 65 anos, o que poderá fazer com que estas residências para idosos não cheguem para satisfazer a procura dos residentes.
Chen Bingbing sugeriu que o Governo reveja a situação, ajustando o valor das rendas, de modo a que sejam mais acessíveis aos idosos, ou apoiando os idosos mais carenciados a pagar as rendas através de subsídios ou de outros meios. Além disso, a representante da Aliança de Povo propôs que o Executivo aumente o número de fracções deste género.
Por sua vez, Chan Oi Chu, vice-presidente da Associação Geral das Mulheres de Macau, também disse ao jornal Ou Mun que muitos residentes têm dúvidas face aos valores das rendas. A responsável da associação assinalou que alguns idosos estão reformados há muito tempo e vivem apenas das pensões e das suas poupanças. Assim, embora a renda seja inferior ao preço do mercado e inclua a taxa de gestão e haja também descontos na primeira fase, os idosos “enfrentam muitas despesas com cuidados de saúde diários, viagens, refeições, etc., e os idosos têm de ser mais cuidadosos com os seus gastos”.
A.V.











