A 33.ª edição do Festival de Artes de Macau vai decorrer entre os dias 28 de Abril e 28 de Maio, anunciou ontem o Instituto Cultural (IC). Esta edição do festival vai voltar a receber companhias artísticas do estrangeiro e de Portugal vem a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo, que vai apresentar “Na Substância do Tempo”, com coreografias de versos de Sophia de Mello Breyner Andresen. O festival arranca com “A Sagração da Natureza”, um espectáculo da coreógrafa chinesa Yang Liping. Como é hábito, não faltará o patuá dos Dóci Papiaçám di Macau, desta vez com uma peça intitulada “Chachau-Lalau di Carnaval”.
Começa no dia 28 de Abril a 33.ª edição do Festival de Artes de Macau, prolongando-se até ao dia 28 de Maio. Esta edição, subordinada ao tema “Longa Viagem Artística”, ficará marcada pelo regresso das companhias estrangeiras. Este ano, o festival conta com uma selecção de 20 programas, que vão do teatro à ópera chinesa, passando pela dança e pelas artes visuais, por exemplo. O programa do festival foi apresentado ontem pelo Instituto Cultural (IC).
Na conferência de imprensa, Leong Wai Man, presidente do IC, revelou que o orçamento para a edição deste ano é de 22 milhões de patacas, ou seja, menos dois milhões relativamente ao festival do ano passado. Questionada sobre o decréscimo no valor do orçamento para este ano, Leong Wai Man explicou que a edição do ano passado teve um orçamento superior ao normal porque foram convidadas companhias de maior envergadura.
BAILADO NA ABERTURA DO FESTIVAL
“A Sagração da Natureza” é o espectáculo que vai abrir esta edição do Festival de Artes de Macau. O espectáculo é da autoria da bailarina e coreógrafa chinesa Yang Liping. Após a estreia do bailado original homónimo de Stravinsky em Paris há um século, Yang Liping leva agora a palco a sua reinterpretação da obra, em colaboração com um conjunto de artistas internacionais, “fazendo descobertas artísticas inspiradas tanto no Oriente como no Ocidente”, descreve o IC.
O festival será palco de “Electra”, uma peça reencenada em conjunto pelo Centro de Artes Dramáticas de Xangai e por uma equipa de produção grega, com base no clássico de Sófocles, um dos três grandes poetas trágicos da Grécia Antiga.
A bailarina chinesa Xiao Ke, em colaboração com o coreógrafo francês Jérôme Bel, vai ilustrar a evolução da dança e da cultura chinesas ao longo dos últimos 40 anos. “Eu Sou Uma Lua”, peça escrita pela dramaturga Zhu Yi e encenada por Ding Yiteng, encenador da nova geração, relata histórias dos seis protagonistas ao luar, associadas às crateras da lua e à solidão dos habitantes da cidade. “A Nova Estalagem Dragão”, uma adaptação do filme homónimo apresentado pela Companhia de Teatro Jingju de Xangai, produzida por Shi Yihong, também será apresentada no festival de Macau.
Por sua vez, o encenador de teatro chinês Liu Fangqi vai apresentar uma peça de teatro “regenerativo”, com a sua “comovente adaptação teatral” de uma das três obras-primas de Higashino Keigo: “Os Milagres dos Armazéns Namiya”.
COMPANHIA PORTUGUESA DE BAILADO CONTEMPORÂNEO PRESENTE NO FESTIVAL
Com o regresso das companhias artísticas do estrangeiro, vai estar presente em Macau a Companhia Portuguesa de Bailado Contemporâneo, que vai apresentar “Na Substância do Tempo”. Os coreógrafos portugueses Vasco Wellenkamp e Miguel Ramalho transformam versos de Sophia de Mello Breyner Andresen em coreografias, “onde os corpos e movimentos dos bailarinos lançarão faíscas para revelar o fulgor da vida”, descreve o IC.
A Associação de Ópera Cantonense Zhen Hua Sing vai transformar as “memórias angustiantes” do tufão Hato na “Ópera Cantonense Multimédia Completa Ligações de Hato”. Segundo a organização do festival, este espectáculo pretende “elogiar a nobreza e o carinho da população de Macau pela cidade”. Por outro lado, combinando ópera cantonense tradicional e cenografia contemporânea, a “Ópera Cantonense Experimental – Adeus Minha Concubina (Nova Adaptação)”, produzida pelo Xiqu Centre, do West Kowloon Cultural District, vai retratar a relação entre Xiang Yu e Yu Ji na história clássica.
Para comemorar o 130.º aniversário da morte de Tchaikovsky, a Orquestra de Macau, dirigida pelo seu maestro principal convidado e consultor artístico Lio Kuokman, subirá ao palco com o jovem violinista Chen Xi para apresentar o concerto “Cordas Embriagadas”, cujo programa incluirá o Concerto para Violino e Orquestra em Ré Maior e a Sinfonia N.º 1 em Sol menor de Tchaikovsky.
Na conferência de imprensa, Leong Wai Man revelou que metade dos programas deste festival são realizados por artistas de Macau. Neste âmbito, a Associação de Arte Teatral Dirks, uma companhia de teatro local, associou-se ao Estúdio Paprika de Hong Kong para produzir “m@rc0 p0!0 endg@me 2.0”, um programa que propõe uma reflexão sobre o impacto da civilização digital no mundo humano, inspirando-se no tema “o ser humano e a cidade” e incorporando a experiência de realidade virtual (RV) em teatro imersivo.
Já o PO Art Studio apresenta no Festival de Artes de Macau “Lift Left Life Live”, uma peça de “pseudo-teatro de viagem” que “arrebatou o público no Festival Fringe da Cidade de Macau”, diz o IC, sendo agora recriada numa produção intrigante que combina a experiência de viajar e uma meditação sobre a cidade. Stella e Artistas, uma companhia local dedicada à dança contemporânea, apresenta “Clube Solidão” em colaboração com a companhia de dança TOTAL BRUTAL, de Berlim, explorando os temas do amor e da solidão em diferentes regiões e culturas do mundo. Kini Cheong, encenadora residente da Dream Theatre Association, construiu um teatro quase documental, intitulado “O Vestido Fica-lhe Bem”, o qual se baseia em entrevistas com indivíduos psicóticos para explorar o seu insólito mundo sensorial.
DÓCI PAPIAÇÁM, QUE CELEBRAM 30 ANOS, ENCERRAM O FESTIVAL
A encerrar o Festival de Artes de Macau estará a habitual peça do Grupo de Teatro Dóci Papiaçám di Macau. Em patuá, o grupo este ano apresenta “Chachau-Lalau di Carnaval (Oh, Que Arraial)”. Será também inaugurada a “Doci Papiaçam di Macau – 30 anos no Palco da Multiculturalidade: Uma Exposição Fotográfica”, que convida o público a “saborear, a partir de múltiplas perspectivas, a vitalidade deste item do património cultural intangível nacional na nova era”, indica o IC.
Além dos espectáculos, o festival contará ainda com sessões “Conheça o Artista”, visitas aos bastidores, conversas pré-espectáculo, palestras, workshops, exposições e projecções de espectáculos internacionais.
Leong Wai Man sublinhou ontem que o Festival de Artes de Macau constitui “uma plataforma crucial de exposição do património cultural intangível, proporcionando ainda às famílias um parque de diversões artístico imersivo, dois papéis que o Festival desempenhará, este ano, através de uma profusão de programas absolutamente imperdíveis”.











