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      Nissa Kauppila propõe um olhar diferente sobre o reino animal e a pintura oriental

      A americana sediada em Lantau traz a Macau um pouco da serenidade e elegância de pássaros aquáticos e outras criaturas nas suas impressionantes pinturas em papel de arroz. A exposição a solo de Nissa Kauppila inaugura na galeria Amagao esta sexta-feira.

       

      Inaugura esta sexta-feira, dia 26, pelas 18h30, uma exposição de pintura da artista norte-americana Nissa Kauppila na galeria Amagao, no hotel Artyzen Grand Lapa. Inteiramente executadas sobre papel de arroz chinês, as aguarelas à primeira vista parecem seguir a tradição da pintura chinesa, quer em termos de temas – flora, fauna – quer em termos de estética, mas um olhar mais atento revela o quão invulgar é o trabalho da artista.

      A artista, que actualmente vive na ilha de Lantau, em Hong Kong, falou com o PONTO FINAL sobre o seu caminho artístico, revelando que a sua exploração das técnicas tradicionais chinesas começou muito antes de ter aterrado na Ásia. “Eu pinto desde que consegui segurar num pincel. Os meus pais, aliás, têm um livro que fiz no jardim de infância onde eu dizia que o que eu queria fazer quando fosse crescida era ser pintora”, brincou.

      O contexto da sua terra natal, a cidade rural de Monkton, em Vermont, foi incubando na artista a admiração pelo reino animal. Com o pai, que tinha formação em ciências naturais, costumava fazer observação de pássaros e de outros animais costeiros. “Para além das inúmeras caminhadas, crescer ao lado de um lago também permitiu que eu fosse exposta a todo o tipo de fauna e flora”. As primeiras pinturas de pássaros aquáticos, aliás, foram um presente que deu ao pai de pássaros que este tinha estado a observar no lago, acrescentou.

      Esta imersão foi o mote para um percurso artístico que também tem como foco a valorização da natureza. “Sinto-me particularmente atraída pelo mundo natural, porque o estamos a perder”, lembrou. “Nós, seres humanos, colocamo-nos num pedestal, e não acredito nisso”. Para Nissa Kauppila, pintar foi uma forma que encontrou de memorizar e honrar o mundo natural.

      Das pinturas que vão estar patentes na galeria na zona do NAPE, partilhou a organização, pode-se contemplar alguns trabalhos inspirados na primeira viagem de Kauppila a Portugal, uma “experiência festiva de cor, história, cor e vida selvagem”. Outras obras resultam de inspiração encontrada em Hong Kong, China continental, Sudeste Asiático e outros lugares. A artista tem exposto na região por diversas vezes, com trabalhos seus a serem regularmente adquiridos por coleccionadores em Singapura, Hong Kong ou Xangai. Tivemos curiosidade de perguntar à artista se o facto de esta não ser asiática causar estranheza ao público que visita as suas exposições, já que a sua estética e técnica parece tão inspirada no universo asiático. Nissa Kauppila confessou, em tom de brincadeira, que já lhe aconteceu ficarem surpreendidos ao saberem que era ela a artista, por ser norte americana, algo que, de resto, lhe agrada, porque gosta de ser “um pouco ambígua”. “Sempre que ia, as pessoas muitas vezes assumiam que a pintora era a curadora da galeria, por ser chinesa, e quando descobriam que eu era a artista ficavam um pouco chocados”. Ao mesmo tempo, a situação levava a que a artista se justificasse que este estilo “inexplicavelmente” já faz parte do seu percurso muito antes de ter vindo para a China. De resto, a artista frisa que não vê a necessidade de nos cingirmos aos materiais e técnicas de uma determinada geografia.

      A delicadeza e beleza das suas pinturas, destaca, atrai também pessoas que estão interessas num tipo de realismo mais moderno. “A reacção geral é de que existe um equilíbrio agradável entre as técnicas tradicionais da pintura chinesa ou japonesa e um toque moderno, portanto, na verdade, grande parte das pessoas que compram as minhas obras, especialmente em Hong Kong, têm tendência a ser casais ou indivíduos mais novos que apreciam os materiais chineses como as aguarelas e o papel de arroz, mas também gostam do lado mais realista, e que não é tão visto na pintura chinesa tradicional”.