BNU regista lucro líquido após impostos de 322 milhões de patacas em 2022

O resultado não está ainda auditado, mas representa, desde já, um decréscimo de 125,4 milhões face a 2021. O decréscimo, acrescenta o banco de matriz portuguesa, é sobretudo atribuído a imparidades durante o ano. Recorde-se que, durante 2022, o BNU reportou uma imparidade líquida de crédito e aplicações financeiras de 136,9 milhões de patacas. Isso deveu-se, essencialmente, “à adopção das novas Normas de Relato Financeiro de Macau”.

0
98
FOTOGRAFIA: GONÇALO LOBO PINHEIRO

O Banco Nacional Ultramarino (BNU) reportou ontem, em nota de imprensa enviada às redacções, um lucro líquido não auditado após impostos de 322 milhões de patacas, um decréscimo de 125,4 milhões face a 2021. O decréscimo, explicou o banco, é sobretudo atribuído a imparidades durante o ano. Já o lucro ajustado antes de imparidades e impostos aumentou 1,2% face a 2021, para 505,9 milhões de patacas.

De acordo com a mesma nota, a evolução dos resultados “reflecte melhorias contínuas na margem financeira, que aumentou 76,4 milhões de patacas ou 11,0% face a 2021, e 32,6 milhões ou 16,5% em relação ao terceiro trimestre de 2022”. Durante o ano passado, revelou o BNU, “os volumes de negócio de crédito concedido e de depósitos de clientes aumentaram 8,5% e 7%, respectivamente”. No entanto, lamentou, “as receitas líquidas de comissões diminuíram 38,5 milhões ou 26,7%” em relação ao mesmo período do ano anterior, reflectindo as crescentes incertezas na economia global e locais. Além disso, acrescentou o banco de matriz portuguesa, registou-se “uma perda líquida de 27,7 milhões com a alienação de investimentos financeiros, devido principalmente ao aumento das taxas de juro globais e à revisão em baixa de risco de alguns activos que afectou negativamente a avaliação dos investimentos do banco”.

Recorde-se que, durante 2022, o BNU reportou uma imparidade líquida de crédito e aplicações financeiras de 136,9 milhões de patacas. Isso deveu-se, essencialmente, “à adopção das novas Normas de Relato Financeiro de Macau, que reflectem principalmente o modelo conservador de imparidade do banco nas perspectivas económicas futuras decorrentes de incertezas”. O BNU considera que este impacto para o banco foi “pontual e não recorrente”.

No que concerne às despesas operacionais, estas mantiveram-se “estáveis” em 2022, uma vez que o impacto das iniciativas de redução de custos “foi compensado pelo aumento dos investimentos em digitalização, que visa melhorar a experiência do cliente e aumentar a eficiência interna”. “Com vista a melhor servir os clientes do BNU, o banco iniciou a renovação de duas agências, incluindo a sua agência principal para a tornar mais moderna, mais interactiva e adequada ao novo paradigma da banca”, enfatizou.

Ao mesmo tempo, o BNU continuou a apresentar “um robusto rácio de solvabilidade de 20,65%, bastante acima do mínimo regulamentar de 8%, e manteve elevados níveis de liquidez”.

O ano que há pouco tempo terminou marcou não só o 120.º aniversário do estabelecimento do BNU em Macau, mas também a condecoração pelo Governo da RAEM com a Medalha de Honra Lótus de Prata, “símbolo de reconhecimento pelo serviço à comunidade local e contributo para o seu desenvolvimento e estabilidade financeira”. “A par do crescimento e integração financeira da Grande Baía e da introdução da Zona de Cooperação Aprofundada Guangdong-Macau em Hengqin, a sucursal do banco em Hengqin continuará a atender especialmente às necessidades financeiras dos investidores de Macau e Hong Kong, incluindo pessoas físicas e jurídicas”, assegurou o banco, justificando que a sucursal em Hengqin “irá dedicar-se a enriquecer a ligação entre a China Continental, Macau e os países de língua portuguesa”.