Taxa de desemprego vai continuar a subir, alerta Jacinta Ho

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FOTOGRAFIA PEDRO ANDRE SANTOS

Jacinta Ho, empresária da área dos recursos humanos, diz esperar que a taxa de desemprego em Macau continue a subir ao longo dos próximos tempos. A culpa, diz, é do encerramento de alguns casinos-satélite, dos jovens que entram agora no mercado laboral e da política do Governo face à pandemia. A directora-executiva da JC Human Resources Consulting aponta que as pequenas e médias empresas poderão não ter recursos suficientes para sobreviver.

 

A taxa de desemprego vai continuar a crescer nos próximos tempos. A opinião é de Jacinta Ho, directora-geral da JC Human Resources Consulting e presidente da associação Macau GBA HR. Ao PONTO FINAL, a especialista em recursos humanos de Macau diz que a culpa é da política de prevenção pandémica do Governo, dos casinos-satélite que eventualmente vão fechar e dos jovens que entram agora no mercado laboral.

“Com cada vez mais casinos-satélite a fechar num futuro próximo, mais pessoas serão despedidas. Além disso, os estudantes recém-licenciados na China continental e no estrangeiro voltarão a Macau para a sua primeira caça ao emprego. Por último, a pandemia e a política do Governo continuarão a prejudicar a economia local”, afirma Jacinta Ho ao PONTO FINAL, salientando que “as empresas locais, incluindo grandes empresas e pequenas e médias empresas, poderão não ser capazes de manter o pessoal”.

Poderão as medidas do Governo relativamente a este surto em Macau prejudicar ainda mais a situação de emprego? “Esta política de Covid tem vindo a proteger a saúde dos cidadãos desde o primeiro dia”, começa por dizer, acrescentando que “a economia não vai melhorar”. “Já se passaram três anos. As pequenas e médias empresas podem não ter reservas suficientes para sobreviver”, reitera.

Jacinta Ho aproveita para deixar elogios ao Governo no que toca aos esforços para controlar a subida da taxa de desemprego. “Eles têm trabalhado arduamente para fazer tudo o que podem para controlar o aumento”, frisa, recordando que foi iniciado um programa para apoiar os recém-licenciados na procura de emprego, têm sido realizadas feiras de emprego e sessões de emparelhamento, existe o programa de formação subsidiada e, recentemente, foi lançado o programa de estímulo à contratação de residentes em situação de desemprego, em que cada empresa pode receber 20 mil patacas por mês, durante seis meses, por cada trabalhador desempregado contratado.

Há, no entanto, coisas que podem ainda ser feitas. Jacinta Ho sugere: “Poderiam ser feitas sessões de formação de carreira de um para um para os candidatos a emprego, programas de formação pré-emprego direccionados para os postos de trabalho efectivamente vagos – fornecendo formação de competências para potenciais candidatos a emprego para preencher as vagas reais -, programa de formação profissional com subsídios para competências que são úteis para a futura diversificação económica, etc. Outra sugestão para o Governo é proporcionar mais oportunidades em Hengqin e na área da Grande Baía, e prepará-los para essas oportunidades”.

Lei Wai Nong, secretário para a Economia e Finanças, e até o Chefe do Executivo têm avisado que os residentes de Macau devem baixar as expectativas no que toca à procura de emprego. Jacinta Ho defende que “diferentes pessoas têm diferentes expectativas em relação à procura de emprego”.

A responsável da JC Human Resources Consulting diz que tem visto “muitos candidatos humildes e desesperados que estão prontos a mudar de sector e a baixar as suas expectativas”. No entanto, Jacinta Ho diz que os empregadores desconfiam destes trabalhadores que querem enveredar por outros sectores. “Pensam que estes candidatos não têm a mentalidade ou competências para se adaptarem a um novo ambiente e não ficarão muito tempo na empresa”, diz.

Há também “candidatos que estão relutantes em aceitar a situação actual e que ainda esperam um salário elevado”.  “Alguns destes candidatos esperam que tudo volte ao normal após a pandemia e estão dispostos a esperar”, conta.

Numa altura em que a taxa de desemprego tem crescido, as empresas continuam a deparar-se com falta de mão-de-obra. O Governo, recorde-se, tem estado a reduzir o número de trabalhadores não residentes e, segundo dados da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), há em Macau menos 28 mil trabalhadores não residentes desde o início da pandemia. A empresária lembra que “a maioria das pequenas e médias empresas, como pequenos cafés locais, restaurantes, cabeleireiros, etc., dependem muito dos trabalhadores não residentes”. Assim, a especialista em recursos humanos diz esperar que “o Governo continue a conceder a renovação das quotas” dos trabalhadores não residentes.

 

 

PONTO FINAL