Governo sem planos para confinamento geral da cidade

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FOTOGRAFIA: GONÇALO LOBO PINHEIRO

O Centro de Operações de Protecção Civil assumiu, depois de rumores que já circulavam na comunidade, que o Governo da RAEM não tem previsão de activação do plano de gestão e controlo de secções comunitárias. Também a Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude admitiu que as aulas presenciais podem ficar suspensas até ao final do ano lectivo. Uma coisa também é certa: os serviços públicos que não prestam serviços urgentes ao público encerraram portas até dia 24 de Junho.

Macau não deverá passar por um confinamento geral, pelo menos para já. Essa é a convicção das autoridades locais que responderam e reiteraram ontem, na habitual conferência de imprensa semanal do Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus sobre o ponto de situação da Covid-19 no território, que “actualmente não há previsão de activação de um plano de gestão e controlo de secções comunitárias”, referiu Leong Man Cheong, comandante-geral dos Serviços de Polícia Unitários (SPU).

Horas antes, o Centro de Operações de Protecção Civil havia alertado a população para o facto de andarem a circular rumores na Internet sobre um suposto plano de confinamento geral do território. “Apela-se aos cidadãos para não acreditem em falsos rumores, devendo prestar sempre atenção às informações oficiais divulgadas pelo Governo da RAEM, não entrem em pânico e não acumulem alimentos, seguindo rigorosamente as instruções do Governo da RAEM e as medidas de prevenção epidémica”, podia ler-se no comunicado.

Macau está, ao fecho desta edição, com 49 casos confirmados de infecção por SARS-CoV-2. A maioria são casos assintomáticos. As autoridades sanitárias sabem que, apesar de ainda não terem encontrado o paciente zero deste surto comunitário, existem dois grupos – um de 28 pessoas e outro de 19 – que se interligam entre si, estando já justificadas as infecções. Em relação a duas pessoas, explicou Alvis Lo, ainda falta apurar alguns dados.Entre essas 49 pessoas, 15 apresentaram sintomas, ou seja, são considerados casos confirmados, e 34 são assintomáticos. Sabemos que os dois grupos estão interligados, mas ainda não sabemos a fonte. Muito provavelmente amanhã [quarta-feira] poderemos ter novidades quanto a isso. Mas o mais importante é controlar o surto e o trabalho prioritário é encontrar todos os contactos próximos”, assumiu o director dos Serviços de Saúde.

Quanto a uma nova testagem em massa, Alvis descartou, para já, essa possibilidade. O médico mostrou-se mais confiante do que nos primeiros dias do surto e aposta agora no uso dos testes de antigénio. “Selámos os edifícios e criámos as zonas amarelas e vermelhas. Temos os dois grupos controlados. Uma nova testagem em massa só deverá acontecer depois de apurarmos todos os riscos o que, para já, não deve acontecer. É mais provável que peçamos à população para fazer os testes antigénio”, considerou, revelando que se surgirem resultados positivos deverá acontecer outra ronda em massa.

Entre as diversas zonas amarelas e vermelhas, ontem o Governo decretou que o Hotel Fortuna foi incluído na lista de áreas de bloqueio do código Vermelho. A propriedade hoteleira, juntamente com o seu casino, foi selada ontem de manhã depois de um dos funcionários do hotel ter testado positivo para a Covid-19. Na conferência de imprensa de ontem, as autoridades de saúde revelaram que a propriedade havia sido selada com cerca de 300 pessoas e mais de 80 funcionários dentro.

De igual modo, o director dos Serviços de Saúde explicou que quem estiver nas zonas amarelas e vermelhas não pode sair sem que passem os sete dias de quarentena decretados, podendo ser 10 se se justificar, mesmo que os testes estejam a devolver resultados negativos e alguém tenha uma viagem marcada para sair de Macau. “Temos de assegurar que a epidemia não se propaga para fora de Macau”, notou, voltando a lançar um apelo à população do território, de mais de 680 mil pessoas, para que permaneça em casa. Alvis Lo também garantiu que a partir de hoje o hospital de campanha estará finalmente disponível para receber pacientes.

Entretanto, o Governo da RAEM, através de despacho do Chefe do Executivo, Ho Iat Seng, decidiu que os serviços públicos estrão encerrados até sexta-feira, inclusive. “Com excepção dos serviços públicos que prestem urgência à população, tudo o resto estará encerrado”, referiu Alvis Lo, aludindo à decisão do líder do Governo.

As actividades escolares também vão permanecer suspensas. O chefe do Departamento do Ensino não superior da Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ), Luís Gomes, explicou que a entidade “tem estado em permanente contacto com as escolas”. “Para já as aulas presenciais estão suspensas e até podem ficar suspensas até ao final do ano lectivo. Vamos ver se há a possibilidade de ensino online ou então podemos mesmo optar pelo método de avaliação contínua para apurarmos a nota do final de ano. O princípio fundamental é a segurança dos estudantes”, vincou o responsável.

PONTO FINAL