A prevalência de grávidas com idade avançada tem “aumentado significativamente” em Macau. A proporção de gravidez em idade avançada disparou de 16 % em 2016 para 37% em 2025, revelam os Serviços de Saúde. E cerca de 50% dos partos realizados nos hospitais foram por cesariana, quase o dobro da percentagem registada há dez anos, de entre os 20% a 30%.
O número de mulheres grávidas com 35 anos ou mais de idade tem estado a aumentar em Macau, cuja proporção foi de 16% há uma década e passou a atingir 37% no ano passado. O aumento de gravidez em idade avançada, em 21 pontos percentuais em dez anos, foi revelado pelos Serviços de Saúde. Os dados significam que, em cada três mulheres que deram à luz em Macau, uma tinha idade mais avançada.
As estatísticas dos Serviços de Saúde indicam ainda que a taxa global de cesarianas, que se situava entre 20% e 30% em 2016, tem aumentado e foi de cerca de 50% em 2025, enquanto a percentagem de parto normal descia.
Os Serviços de Saúde voltaram a alertar para a quebra da taxa de natalidade no território, bem como as alterações no número de filhos por família e na proporção de mulheres grávidas de idade avançada.
Citada pela Rádio Macau em língua chinesa, a médica da Obstetrícia e Ginecologia do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Mui Po, adiantou que as mulheres grávidas pela primeira vez ultrapassaram mais de metade do total no ano passado.
Segundo a médica, entre as grávidas, a proporção de mulheres que tinham o seu primeiro filho representava 55% do total, ao contrário do que acontecia anteriormente, em que “a maioria das mães era relativamente jovem e tratava-se, na maioria dos casos, de segundos ou terceiros filhos”, disse.
Os dados da Direcção dos Serviços de Estatísticas e Censos (DSEC) mostram que a taxa de fecundidade de Macau foi de 0,58 em 2024, taxa que acabou por sofrer mais uma queda no ano passado para 0,47. O cômputo geral significa que cada mulher em Macau em idade fértil terá, ao longo da vida, menos de um filho, um valor muito inferior aos 2,1 filhos necessários para manter a dimensão da população, ou seja, para a substituição das gerações, conforme indicado no relatório das Nações Unidas.
Um outro indicador da DSEC aponta também a subida da mediana de idade das mães do recém-nascido em geral, que permaneceu na faixa etária de menos de 30 anos entre 2007 e 2017 e que se situou em 31,3 anos de idade em 2024.
As estatísticas dos Serviços de Saúde mais actualizadas disponíveis no seu portal dizem ainda que, em 2014, 775 partos foram realizados por eutócico (parto normal), e 792 foram de distócico que incluíram 707 cesarianas, 80 ventosas e cinco fórceps.
EXAMES EM RESPOSTA A RISCOS
Em Macau, a gravidez em idade avançada refere-se a gestações em mulheres com 35 anos ou mais. É possível existir complicações associadas a uma gravidez em idade avançada, como maiores dificuldades na própria concepção, maior risco de anomalias cromossómicas, de abortos espontâneos ou de doenças gestacionais, como a hipertensão e a diabetes.
“Há mais riscos de anomalias congénitas e anomalias cromossómicas, pelo que temos uma maior procura nos testes [pré-natais]”, afirmou a médica Mui Po.
A representante dos Serviços de Saúde lembrou que o Governo alargou, no início deste ano, os serviços gratuitos de teste pré-natal não invasivo às grávidas residentes de todos os grupos etários. O Teste Pré-Natal Não Invasivo (NIPT) é uma ferramenta de rastreio cromossómico não invasiva que requer apenas uma amostra de sangue da grávida para identificar o ácido desoxirribonucleico (ADN) fetal, bem como detectar com precisão se o feto apresenta determinadas anomalias cromossómicas, como a síndrome de Down, a síndrome de Edwards ou a síndrome de Patau.
Os Serviços de Saúde alargam os serviços de NIPT às grávidas residentes de todos os grupos etários com o objectivo de permitir que mais famílias, “em particular as grávidas de maior risco, tenham acesso atempado a informações cruciais sobre a saúde pré-natal”.
Mui Po referiu ainda que as grávidas em Macau são submetidas também ao exame de translucência de nuca e rastreio com ecografia ultrassónica “para reforçar a prevenção das doenças aos fetos, permitindo a promoção de nascimentos e um ambiente favorável ao crescimento infantil”.
Tai Wa Hou, director substituto do Centro Hospitalar Conde de São Januário, por sua vez, afirmou que a aplicação “Conta Única de Macau” já disponibiliza o serviço da plataforma de gestão da saúde materno-infantil, que abrange a integração de dados ao longo de todo o ciclo de gravidez, com função de monitorização inteligente do peso, orientação nutricional, avaliação psicológica e apoio, entre outros. O responsável assegurou que o Executivo continuará a aperfeiçoar os serviços pré-natais e pós-parto em Macau no futuro.











