China espera que visita de eurodeputados contribua para desenvolvimento das relações

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O Governo chinês afirmou ontem esperar que a visita ao país de eurodeputados da comissão do Mercado Interno do Parlamento Europeu, que começou ontem, “contribua para o desenvolvimento saudável e estável” das relações entre Pequim e a União Europeia.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China Mao Ning disse, em conferência de imprensa, que “os intercâmbios legislativos constituem uma componente importante das relações entre a China e a UE”. Mao acrescentou que “esta visita vai promover os intercâmbios e a cooperação entre os órgãos legislativos da China e da UE”. “A deslocação permitirá melhorar o conhecimento que o Parlamento Europeu tem da China”, indicou a porta-voz.

Nove eurodeputados (três alemães, três franceses, um holandês, um polaco e uma dinamarquesa) iniciaram ontem a visita para conhecer melhor os sectores tecnológico e do comércio eletrónico do país, bem como avaliar o cumprimento das normas aplicáveis ao envio de encomendas para a União Europeia, naquela que é a primeira deslocação de eurodeputados ao país asiático em oito anos.

Num comunicado, o Parlamento Europeu descreveu a visita como “uma oportunidade importante” para abordar desafios comuns nas áreas digital e do comércio eletrónico e promover uma concorrência leal entre a UE e a China, esperando transmitir aos interlocutores chineses a posição europeia em matéria de regulação digital, proteção do consumidor e segurança dos produtos. “Uma das principais preocupações [dos eurodeputados] são as infrações sistemáticas das normas europeias e o elevado volume de pequenas encomendas que não cumprem essas regras provenientes de plataformas não europeias, incluindo chinesas”, lê-se na mesma nota.

Na capital chinesa, os deputados vão reunir-se com a Câmara de Comércio da UE para conhecer os desafios de acesso ao mercado enfrentados pelas empresas europeias no país e terão encontros com representantes dos gigantes do comércio digital Shein e Alibaba.

Em Xangai, os eurodeputados reunir-se-ão com representantes da Temu para discutir o cumprimento das normas europeias relativas aos mercados digitais e à concorrência leal, e visitarão o aeroporto internacional de Pudong com as autoridades aduaneiras chinesas e uma empresa local de logística.

A visita representa mais um passo na normalização das relações entre a China e o Parlamento Europeu, depois de ambas as partes terem levantado, em 2025, as sanções que tinham imposto mutuamente em 2021, quando Pequim adotou medidas contra dez pessoas e quatro entidades da UE em resposta às sanções europeias contra responsáveis chineses acusados de violações dos direitos humanos de membros da minoria étnica chinesa de origem muçulmana uigur.

A China é o terceiro maior parceiro comercial da União Europeia, mas a relação económica é assimétrica devido ao desequilíbrio na abertura dos respetivos mercados, segundo o Parlamento Europeu.

Alerta para “graves consequências” face a ataques contra instalações nucleares

A China alertou ontem que acções contra “instalações nucleares pacíficas” podem ter “graves consequências para a paz e estabilidade” regionais, após o Irão ter denunciado ataques dos Estados Unidos próximo da central nuclear de Bushehr.

A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China Mao Ning afirmou, em conferência de imprensa, que “os ataques armados contra instalações nucleares pacíficas sob salvaguardas e supervisão da Agência Internacional de Energia Atómica violam os propósitos da Carta das Nações Unidas, o direito internacional e o Estatuto da AIEA”. Mao sustentou que estas operações “minam gravemente a autoridade do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares e enfraquecem os esforços para manter o regime internacional de não proliferação nuclear”. “A China defende uma solução pacífica para a questão nuclear iraniana por via política e diplomática”, acrescentou a porta-voz.

A campanha de bombardeamentos dos Estados Unidos e de Israel incluiu, nos últimos dias, três instalações nucleares, duas universidades, o edifício de uma televisão do Qatar e zonas residenciais de Teerão, ataques que causaram mais de 70 mortos.

Nos últimos dias, Estados Unidos e Israel têm centrado as suas acções nas indústrias do país, no seu programa nuclear e nos seus centros de conhecimento. Ao final da passada sexta-feira, registou-se um ataque nas proximidades da central nuclear de Bushehr (sul) – o terceiro em dez dias – pelo que a instalação “continua a degradar-se”, segundo a Rússia, que construiu a central e está a retirar parte do seu pessoal.

A guerra opõe o Irão aos Estados Unidos e a Israel desde 28 de fevereiro, quando estes lançaram ataques contra território iraniano, aos quais Teerão respondeu com ofensivas contra Israel, vários países do Golfo e posições associadas a Washington na região.

Pequim tem condenado reiteradamente as acções dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, por considerar que “violam a soberania” do país persa, embora também tenha apelado ao respeito pela integridade territorial dos países do Golfo, com os quais mantém laços estreitos.

China condena ataques contra capacetes azuis no Líbano

O Governo chinês condenou ontem os recentes ataques contra o contingente da missão de paz das Nações Unidas no Líbano, nos quais morreram três soldados indonésios, classificando-os como “absolutamente inaceitáveis”. A porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros da China Mao Ning afirmou, em conferência de imprensa, que a acção de segunda-feira constitui um “ataque deliberado contra as forças de paz da ONU” e “uma grave violação do direito internacional humanitário e da Resolução 1701 do Conselho de Segurança da ONU”. Mao instou “as partes envolvidas” a declararem um “cessar-fogo e o fim das hostilidades o mais rapidamente possível” e a “adoptarem medidas concretas para garantir a segurança dos capacetes azuis da ONU”. “A China está disposta a continuar a desempenhar um papel construtivo na resolução da situação e no restabelecimento da paz e da estabilidade”, acrescentou a porta-voz. Lusa