Tai Kin Ip anunciou ontem que o Governo está a estudar a introdução de novas medidas para estimular o consumo e apoiar a economia comunitária. Numa palestra para o sector industrial e comercial, o secretário para a Economia e Finanças destacou a “tendência de estabilidade e melhoria da economia de Macau”, ao mesmo tempo que alertou para as mudanças do cenário mundial.
O Governo está a estudar a implementação de novas medidas para estimular o consumo, anunciou ontem Tai Kin Ip, secretário para a Economia e Finanças, numa palestra para o sector industrial e comercial. “No que diz respeito à promoção da dinamização dos bairros comunitários, estamos a auscultar amplamente as opiniões de todos os sectores da sociedade e a estudar proactivamente medidas para estimular o consumo e apoiar a economia comunitária”, afirmou o governante.
Na sua intervenção, Tai Kin Ip descreveu as pequenas e médias empresas (PME) como “a pedra angular da economia de Macau e a força principal na disponibilização de emprego e na dinamização do mercado”. Assim, o Governo “tem caminhado lado a lado com as empresas, ajudando-as a abrir novos caminhos em tempos de mudança e a procurar desenvolvimento através da transformação”, incluindo no que toca à atracção de clientes, ao estímulo ao consumo, à capacitação, à melhoria da qualidade e à optimização do ambiente de negócios.
O secretário prometeu que o Governo “continuará a envidar esforços contínuos relativamente aos comerciantes” e as marcas antigas serão auxiliadas a inovar “preservando a herança”. Além disso, “apoiaremos as empresas distintivas a aproveitar o efeito de marca e forneceremos apoio às empresas certificadas em áreas como promoção, consultoria de diagnóstico e financiamento para modernização”.
O governante também assinalou os esforços das autoridades na optimização do ambiente de negócios e na garantia dos recursos humanos das empresas. Tai sublinhou que “o Governo da RAEM continuará a recolher opiniões do sector através de vários canais e a aperfeiçoar oportunamente as políticas e medidas existentes, de acordo com as necessidades do desenvolvimento socioeconómico, apoiando os vários sectores de Macau na concretização de um desenvolvimento de maior qualidade e sustentável”.
FONTES DE VISITANTES INTERNACIONAIS SERÃO AMPLIADAS
No que diz respeito ao sector de turismo e lazer integrados, o secretário diz que o Governo irá “ampliar proactivamente as fontes de visitantes internacionais, optimizar a rede de promoção internacional”. Além disso, indicou que será concluída ainda no primeiro semestre a criação de uma nova entidade de representação governamental para assuntos económicos, comerciais, turísticos e culturais na Malásia, bem como avançar com a avaliação para a criação de uma nova entidade na região do nordeste asiático.
Referiu ainda que será “aprofundado o desenvolvimento integrado” da iniciativa “Turismo+” e melhorada a qualidade dos serviços turísticos, de forma a consolidar “ainda mais o estatuto de Macau como Centro Mundial de Turismo e Lazer”.
No que diz respeito à indústria de ‘big health’ da medicina tradicional chinesa, será dado apoio a plataformas de investigação científica na realização de investigação aplicada e na transformação de resultados, por exemplo. No campo do sector financeiro, serão aperfeiçoadas as infra-estruturas financeiras corpóreas e incorpóreas e estabelecidos fundos de orientação governamental, por exemplo. A indústria de tecnologia de ponta irá ver reforçado o papel central das empresas de inovação tecnológica, garantiu o secretário, acrescentando que será optimizado o Programa de Certificação de Empresas Tecnológicas. No sector de convenções, exposições e comércio, será implementado o Programa de Aliança Global de Parceria de Convenções e Exposições de Macau, “reforçando a ligação aos recursos globais do sector, atraindo e concorrendo proactivamente por mais projectos internacionais de qualidade no sector de convenções e exposições para se realizarem em Macau e Hengqin”.
A cooperação regional também é para reforçar, aprofundando o desenvolvimento integrado entre Macau e Hengqin, aproveitando o posicionamento estratégico “Macau + Hengqin”, e promovendo a construção de alto nível da segunda fase da Zona de Cooperação. Por outro lado, a conexão das infra-estruturas será avançada e aprofundada a articulação de regras e mecanismos, “elevando ainda mais o nível de desenvolvimento integrado entre Macau e Hengqin”. “Além disso, participaremos proactivamente na construção da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau, reforçaremos a cooperação com as províncias e municípios do Interior da China e aprofundaremos o desenvolvimento integrado em áreas como turismo, economia e comércio, ciência e tecnologia e finanças”, salientou Tai Kin Ip. Por fim, serão expandidas as funções de Macau como plataforma sino-lusófona, assegurou o governante.
DESAFIOS E OPORTUNIDADES
Na palestra, Tai Kin Ip destacou a “tendência de estabilidade e melhoria da economia de Macau” que se verificou no ano passado, apontando para factores como o número de visitantes, que atingiu 40,069 milhões, representando um aumento homólogo de 14,7%; o PIB local que se situou em 418,04 mil milhões de patacas, registando um crescimento real homólogo de 4,7%; a Reserva Financeira de Macau que obteve um retorno de investimento de 42,92 mil milhões de patacas, com uma taxa de retorno anual de 6,9%; a taxa de desemprego dos residentes locais foi de 2,5%, mantendo-se num nível relativamente baixo; e a taxa de inflação anual foi de 0,33%.
Apesar destes dados positivos, Tai Kin Ip pediu cautela: “Estamos plenamente conscientes de que o cenário mundial de mudanças nunca vistas num século está a desenvolver-se de forma acelerada, com conflitos geopolíticos frequentes, que afectam a estabilidade da cadeia de abastecimento global, e uma recuperação económica mundial com falta de dinamismo”.
“Sendo uma economia pequena, altamente aberta e orientada para o exterior, Macau não pode permanecer imune a estas tendências”, afirmou, lembrando que, nos últimos anos, observou-se uma tendência de descida na despesa média por visitante, com o padrão de consumo a mudar de “orientado pelas compras” para “orientado pela experiência”. “Isto impõe exigências mais elevadas às empresas locais, sendo necessário adaptar-se proactivamente às mudanças, responder cientificamente e proceder a mudanças por iniciativa própria para melhor se adaptar à nova realidade do mercado e alcançar um desenvolvimento sustentável”, sublinhou.











