Xi Jinping reafirma apoio à ONU em encontro com primeiro-ministro finlandês

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O Presidente chinês, Xi Jinping, reafirmou ontem o apoio à ONU, declarando esperar que Pequim e Helsínquia possam trabalhar em conjunto por uma ordem mundial baseada naquele organismo, durante um encontro com o primeiro-ministro finlandês, Petteri Orpo.

“A China está disposta a trabalhar com a Finlândia para apoiar firmemente o sistema internacional do qual as Nações Unidas são o pilar”, afirmou Xi, uma declaração que surge quando o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenta criar uma nova instituição internacional multilateral que ele próprio designou como “Conselho da Paz”.

Xi Jinping recebeu ontem, no Grande Palácio do Povo, Petteri Orpo, que iniciou uma visita oficial de quatro dias à China. Embora a China tenha sido convidada pelos Estados Unidos a participar neste “Conselho da Paz”, que visa trabalhar na resolução de conflitos no mundo e é amplamente visto como concorrente da ONU, Pequim evitou até agora dizer se aceita ou não o convite.

Xi Jinping também já tinha apelado ao Brasil na semana passada para que defenda, em conjunto com a China, “o papel central” das Nações Unidas no sistema internacional, durante uma entrevista com o homólogo brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva.

Orpo sublinhou o interesse de conversar com Xi Jinping sobre “questões internacionais” e assuntos relacionados com a “cooperação bilateral”. Os dois países continuam divididos em questões sensíveis, como a invasão russa da Ucrânia e a luta de interesses das grandes potências na região ártica.

O ministro finlandês da Defesa, Antti Hakkanen, acusou em novembro a China de estar a financiar “massivamente o esforço de guerra da Rússia” na Ucrânia. Por outro lado, um mês antes, Trump anunciou um projeto de construção com a Finlância de 11 navios quebra-gelo, durante uma visita do homólogo finlandês Alexander Stubb à Casa Branca, num sinal do reforço da presença norte-americana no Ártico, onde disputa a sua influência com a Rússia e a China.

O líder chinês também se prepara para reunir-se com o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, que iniciou na segunda-feira uma viagem à China e ao Japão, segundo Downing Street.

A China destacou a necessidade de reforçar a “confiança política” e aprofundar a cooperação com o Reino Unido, ante a visita oficial do primeiro-ministro britânico. O porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, Guo Jiakun, afirmou em conferência de imprensa que Pequim está disposta a aproveitar a viagem para “melhorar a confiança política mútua”, aprofundar a cooperação prática e “abrir um novo capítulo” no desenvolvimento “saudável e estável” das relações bilaterais.

Guo lembrou que o Presidente chinês, Xi Jinping, manteve uma conversa telefónica com Starmer em agosto de 2024 e reuniu-se com ele em novembro durante a cimeira do G20 no Rio de Janeiro, contactos que “colocaram as relações bilaterais no caminho da melhoria”. A visita à China, a primeira de um chefe de governo britânico em oito anos, ocorre entre quarta-feira e sábado.

O porta-voz da diplomacia chinesa sublinhou que a China e o Reino Unido, como membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, têm interesses comuns em manter a comunicação e reforçar a cooperação num cenário internacional marcado pela instabilidade.

Durante a visita, Starmer vai ser recebido por Xi e manterá reuniões com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com o presidente do Comité Permanente da Assembleia Nacional Popular, Zhao Leji. Além de Pequim, o líder britânico viajará para Xangai. Segundo Guo, ambas as partes abordarão as relações bilaterais e assuntos de interesse comum.

O porta-voz destacou ainda que o actual governo trabalhista britânico manifestou a sua vontade de desenvolver uma relação “coerente, duradoura e estratégica” com a China e de promover o diálogo e a cooperação entre os dois países.

Questionado sobre informações relativas a um possível endurecimento do escrutínio britânico sobre as atividades chinesas no Reino Unido, Guo limitou-se a reiterar que reforçar os intercâmbios, aumentar a confiança mútua e aprofundar a cooperação “responde aos interesses de ambos os países e do mundo”.

A visita de Starmer ocorre num momento de reajuste da política externa britânica em relação à China, após anos de distanciamento sob governos conservadores, com Londres a procurar relançar os laços económicos com Pequim, uma estratégia que coincide com o esfriamento das suas relações com Washington após a chegada ao poder de Donald Trump.