Banco do Japão inicia reunião de política monetária prevendo-se a manutenção dos juros

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O Banco do Japão (BoJ) iniciou a reunião de política monetária, prevendo-se que mantenha as taxas de juro de referência de curto prazo em 0,75%, num contexto marcado pela antecipação das legislativas para 8 de Fevereiro.

Embora o BoJ tenha elevado as taxas em dezembro para o nível mais alto em três décadas e tenha afirmado que manterá essa trajetória, a agência de notícias local Kyodo afirmou que não são esperados novos aumentos na reunião, que terminará amanhã, uma vez que as autoridades do banco central querem examinar o impacto do aumento anterior.

O governador do Banco do Japão, Kazuo Ueda, afirmou no início de janeiro que o organismo manterá a trajetória de subidas das taxas de juro para alcançar um “crescimento económico sustentado”.

O responsável reiterou então a previsão de que o país entrará num ciclo de aumentos graduais dos preços e dos salários, e destacou a “resiliência” da economia japonesa em 2025, apesar do impacto das tarifas dos Estados Unidos.

Na reunião de política monetária de dezembro, o banco central japonês decidiu aumentar para 0,75 %, para o nível mais alto em três décadas, a taxa de juro de referência, com vista a estabilizar o aumento dos preços, em torno de 3% há meses.

Após décadas de deflação e estagnação dos salários reais, o ciclo de crescimento dos preços está a pesar sobre as famílias, e o Governo da primeira-ministra Sanae Takaichi aprovou um pacote multimilionário de estímulos para impulsionar a economia japonesa.

O esperado aumento da despesa pública, no entanto, deixou os investidores nervosos, que reagiram nos últimos dias com avultadas operações de venda da moeda japonesa, contribuindo para o enfraquecimento do iene e para um aumento do rendimento dos títulos de dívida a dez anos para níveis não vistos desde o final da década de 1990.

O fim da reunião do BoJ coincide com a dissolução da Câmara Baixa da Dieta (o parlamento japonês) anunciada por Takaichi, com vista à realização de eleições antecipadas a 08 de fevereiro.

Japão registou défice comercial de 14.322 milhões de euros em 2025

O Japão registou em 2025 um défice comercial de 2,65 biliões de ienes (cerca de 14.322 milhões de euros), afirmou ontem fonte do Governo, o que representa uma redução de 52,9% em relação ao ano anterior.

A balança comercial do arquipélago permaneceu no vermelho pelo quinto ano consecutivo, de acordo com dados preliminares publicados pelo Ministério das Finanças, embora as exportações tenham crescido 3,1%, em relação ao ano anterior, para 110 biliões de ienes (596.668 milhões de euros). Entretanto, as importações aumentaram 0,3% em relação ao ano anterior, atingindo 113 biliões de ienes (610.943 milhões de euros).

Por países, o Japão registou em 2025 com a China, o seu maior parceiro comercial, apesar das tensões desencadeadas no final do ano passado por causa de Taiwan, um défice de 7,91 biliões de ienes (42.677 milhões de euros). Este valor representa um aumento de 22,7 % em relação ao ano anterior.

Com o seu segundo maior parceiro comercial, os Estados Unidos, o país asiático obteve um excedente comercial de 7,52 biliões de ienes (7.520 milhões de euros), uma queda de 12,6% em relação ao ano anterior devido às tarifas norte-americanas, cujo impacto, no entanto, foi menor do que o esperado.

Com a União Europeia, o seu terceiro maior parceiro comercial, o Japão registou um défice de 2,63 biliões de ienes (14.201 milhões de euros), 32% menos do que em 2024. Com o Brasil, o país asiático ampliou o seu défice comercial em 21,7%, para 609.485 milhões de ienes (3.290 milhões de euros).

As exportações do Japão beneficiaram da persistente depreciação do iene, bem como do acordo comercial alcançado com os EUA, que fixou as tarifas em 15% e reduziu para esse mesmo nível as taxas para automóveis e componentes para automóveis, que representam cerca de 30% das exportações japonesas para os Estados Unidos. Lusa