Uma paciente idosa tornou-se a primeira a beneficiar de uma cirurgia de substituição total do joelho assistida pelo robô “Mako”, um sistema considerado o mais avançado do mundo na área. A intervenção, realizada no Centro Médico de Macau Union, marca uma nova era na ortopedia no território, prometendo maior precisão, segurança e recuperação mais rápida para os doentes.
Robôs entram em acção na medicina. A ortopedia em Macau deu um salto tecnológico sem precedentes com a realização da primeira artroplastia, ou cirurgia de substituição articular, total do joelho assistida pelo sistema robótico “Mako”. O procedimento cirúrgico, realizado no Centro Médico de Macau Union, que faz parte do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas, foi inaugurado com sucesso numa paciente idosa que sofria de graves dificuldades de mobilidade devido a uma deformidade que se encontrava no seu joelho.
A operação utilizou o mais recente sistema robótico de ortopedia Stryker Mako, distinguido por ser pioneiro em integrar “três abordagens cirúrgicas num único robô”. A intervenção começou muito antes da sala de operações. A equipa médica criou um modelo tridimensional personalizado dos ossos da paciente a partir de uma tomografia axial computorizada ou TAC, exame de imagem médica que usa raios-X para criar imagens detalhadas em “fatias” (transversais) do corpo, revelando ossos, órgãos e vasos sanguíneos, permitindo um planeamento cirúrgico extremamente detalhado e ajustado à anatomia específica da paciente.
Durante o acto cirúrgico, o robô tornou-se uma extensão de alta precisão das próprias mãos do cirurgião, ou seja, “mãos” robóticas telecomandadas que servem de substitutas às reais mas em tamanho microscópico. O sistema forneceu feedback em tempo real e permitiu realizar cortes ósseos, chamadas osteotomias, com uma exatidão inferior a um milímetro. Uma das suas principais vantagens é a tecnologia de retorno háptico, que actua como um sistema de segurança inteligente, protegendo activamente os nervos e vasos sanguíneos circundantes. Além disso, esta técnica inovadora dispensou o procedimento tradicional de abrir a cavidade medular do fémur, o que reduziu drasticamente o risco de hemorragia e a necessidade de transfusão de sangue.
Os resultados foram visíveis rapidamente. A paciente apresentou uma recuperação positiva, conseguindo caminhar com o auxílio de um andador já no primeiro dia após a cirurgia. Este caso clínico demonstra o potencial da cirurgia robótica para transformar o tratamento ortopédico, combinando análise de dados, planeamento inteligente e execução controlada para otimizar os resultados clínicos e acelerar a reabilitação.
A estreia do Mako enquadra-se na rápida expansão global da robótica cirúrgica para além das especialidades onde se consolidou inicialmente, como a urologia. Sistemas como este, ou como o Da Vinci para tecidos moles, ou o Rosa para neurocirurgia, partilham um princípio operacional comum: a fusão de um plano digital, gerado a partir de imagens 3D do paciente, com um executor físico de extrema fidelidade. Contudo, a ortopedia apresenta desafios únicos que moldam a tecnologia.
Enquanto em procedimentos oncológicos a “inteligência aumentada” do robô ajuda a navegar anatomia variável, aqui o foco é a execução mecânica perfeita de um plano pré-definido para optimizar o alinhamento biomecânico do implante. Para além da tecnologia dos braços robóticos, o foco é a camada de inteligência cirúrgica integrada, ou seja, o planeamento digital pré-operatório e os sistemas de segurança activa que protegem os tecidos moles, o que que eleva o procedimento, garantindo a colocação do implante no “local ideal” predefinido.
Este caso ilustra como a inovação não está apenas nos braços robóticos, uma tecnologia já madura, mas na integração de software de planeamento avançado e em sistemas de segurança activa, como o feedback háptico, que criam uma barreira física contra desvios. À medida que a concorrência entre plataformas (como Mako, Rosa, Versius) aumenta, o foco do sector desloca-se para demonstrar, além da precisão técnica, melhorias mensuráveis em resultados de longo prazo e na relação custo-efetividade, especialmente crucial em sistemas de saúde sob pressão financeira. A rápida recuperação da paciente, caminhando no primeiro dia, demonstra os resultados promissores dos protocolos de recuperação ultra-rápida (ERAS) associados à robótica noutras especialidades, validando o seu potencial não só para a precisão, mas também para melhorar de forma tangível a experiência e o resultado final do doente.
Em comunicado, o Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas afirmou que a introdução desta tecnologia de ponta no território surge como uma resposta directa ao envelhecimento da população e ao aumento esperado de doenças articulares degenerativas. A instituição posiciona esta aquisição como um novo passo na oferta de cuidados de saúde mais seguros, precisos e eficientes, simultaneamente impulsionando a prática ortopédica local em direção à medicina inteligente e a tratamentos cada vez mais personalizados.











