Com o aumento do número de residentes de Macau a trabalhar ou a viver em Hengqin, aumenta a pressão sobre a rede de transportes, os postos fronteiriços e os serviços de saúde locais. Numa interpelação escrita encaminhada ao Governo, o deputado Leong Sun Iok alerta para os horários limitados e carreiras insuficientes de autocarros, os serviços de saúde deficitários e a falta de apoios sociais no Novo Bairro de Macau.
O deputado Leong Sun Iok remeteu uma interpelação escrita ao Governo sobre a necessidade de reforçar a oferta de transportes entre Hengqin e Macau, assim como a eficiência da gestão do fluxo de passageiros no posto fronteiriço entre as duas regiões.
De acordo com os dados apresentados pelo deputado, em Setembro do ano passado existiam 29.714 residentes de Macau empregados ou a residir na Zona de Cooperação Aprofundada, o que representa um aumento de 18,4% em termos anuais. Como consequência, também o posto fronteiriço de Hengqin tem vindo a receber cada vez mais passageiros, totalizando cerca de 5,43 milhões de entradas e saídas de residentes de Macau só nos primeiros nove meses de 2025 – um aumento vincado de 52,4% em relação ao período homólogo do ano anterior.
Aproximadamente dois anos depois de os primeiros apartamentos no Novo Bairro de Macau em Hengqin terem sido disponibilizados para venda, Leong Sun Iok confessa-se “preocupado” com a pressão sobre as infra-estruturas e os serviços locais e o consequente impacto na qualidade de vida dos residentes de Macau que habitam nesta área residencial.
O primeiro ponto da interpelação relaciona-se com o sistema de transportes públicos, limitado por carreiras insuficientes e horários paradoxais. Embora o posto fronteiriço funcione 24 horas por dia, a rede de autocarros opera apenas entre as 6h30 e as 23h15 e não cobre as necessidades de deslocação dos trabalhadores do turno da noite.
Para colmatar este período de inactividade, o deputado propõe a introdução de “rotas adicionais de autocarros nocturnos entre as áreas urbanas de Macau e o posto de Hengqin”, ao mesmo tempo que se “estende ou ajusta” os horários do metro ligeiro para permitir uma melhor articulação entre os diferentes meios de transporte.
Para além da difícil acessibilidade durante o horário nocturno, as passagens de controlo fronteiriço para Hengqin são também caracterizadas por longas filas durante as horas de ponta. A sugestão do deputado para este problema passa pela criação de autocarros expresso que façam a travessia directa entre Hengqin e as “principais áreas” da Península, da Taipa e de Coloane, coincidindo com os picos de movimento dos trabalhadores.
Olhando para as entradas e saídas dos residentes de Macau entre Janeiro e Setembro de 2025, que mais do que duplicaram em relação ao ano anterior, é igualmente relevante considerar a sobrecarga dos canais existentes. Leong Sun Iok revela que vários residentes de Macau têm lamentado “congestionamentos e longos tempos de espera” tanto no posto fronteiriço como nas faixas de rodagem para veículos de matrícula única – incluindo a utilização alegadamente “abusiva” da área de inspecção para passageiros de veículos.
A solução proposta pelo deputado passa pela criação de canais exclusivos para residentes de Macau, tal como o aumento do número dos canais manuais em operação durante as horas de ponta. “Simultaneamente, deve ser reforçada a monitorização e gestão do fluxo no salão de inspecção para passageiros de veículos, de modo a garantir que os recursos de passagem fronteiriça possam servir ao máximo os residentes com necessidades reais”, salienta.
REFORÇO NA SAÚDE E NOS APOIOS GOVERNAMENTAIS
A mobilidade não é o único tópico em destaque na interpelação de Leong Sun Iok. O Posto de Saúde do Novo Bairro de Macau está equipado com farmácias e salas de consulta que permitem satisfazer algumas das necessidades dos residentes, embora a sua oferta seja ainda limitada e incapaz de competir com os hospitais de Macau ou do interior da China.
Como denuncia o deputado, encontram-se indisponíveis serviços básicos como vacinação, colheita de sangue, serviços de especialidade ou consultas fora do horário de expediente, com destaque ainda para um problema burocrático: os atestados médicos emitidos pelas instituições médicas de Hengqin não são reconhecidos em Macau, forçando os residentes a recorrer ao Centro Hospitalar Conde de São Januário (CHCSJ) ou ao Hospital das Ilhas.
O serviço de ambulância transfronteiriça é outro aspecto crítico. Apesar de esta opção de emergência médica ter entrado em funcionamento em Agosto de 2025, o deputado defende que tanto hospitais como residentes “não estão muito familiarizados” com o processo e requerem uma campanha de informação mais abrangente e detalhada, de forma a garantir que o serviço opera sem falhas.
Por fim, o último ponto da interpelação aborda a igualdade de direitos e apoios governamentais para os residentes do Novo Bairro. Visto que este projecto foi concebido como uma extensão do território de Macau, Leong Sun Iok propõe que as actuais políticas de apoio aos cidadãos – como a atribuição de subsídios de água e electricidade – se estendam aos residentes do referido bairro de Hengqin, argumentando que esta é uma condição fundamental para fortificar a atractividade e o desenvolvimento da Zona de Cooperação Integrada.











