As exportações da China cresceram 5,9% em Novembro, superando previsões e elevando o excedente comercial acumulado em 2025 para mais de um bilião de dólares, um recorde anual, reflectindo a dependência da procura externa.
Segundo dados oficiais divulgados, as importações aumentaram apenas 1,9% no mesmo período, resultando num excedente de 112 mil milhões de dólares no mês. A previsão média dos economistas inquiridos pela agência Bloomberg apontava para um aumento de 4% nas exportações.
Os dados surgem num contexto marcado por prolongado declínio dos preços no setor imobiliário e pelo aumento da insegurança laboral, que continua a limitar o consumo interno. Ainda assim, o aumento das importações supera a taxa de 1% registada em outubro.
O marco histórico do ‘superavit’ comercial surge também após uma recente atenuação das tensões comerciais com os Estados Unidos, e poderá intensificar os apelos de vários parceiros comerciais para uma maior correção dos desequilíbrios externos da China, nomeadamente a entrada massiva de bens a preços reduzidos, que tem pressionado indústrias locais noutros países.
Entre os pontos do acordo com Washington, os dois países comprometeram-se a reduzir tarifas aplicadas mutuamente, aliviar os controlos à exportação de minerais críticos e tecnologia avançada, e cooperar no combate ao tráfico de fentanil. Pequim comprometeu-se também a aumentar as compras de soja norte-americana.
Ainda assim, segundo o grupo de reflexão Peterson Institute for International Economics, os EUA mantêm tarifas médias de 47,5% sobre bens chineses, enquanto a China aplica tarifas de cerca de 32% sobre produtos dos EUA.
Os dados revelam também a dificuldade de Pequim em reequilibrar a economia, que continua fortemente dependente da procura externa. As exportações líquidas representaram quase um terço do crescimento económico chinês em 2025.
Apesar da guerra comercial lançada no início do ano pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, a segunda maior economia do mundo manteve-se resiliente, redirecionando as suas vendas para mercados alternativos aos Estados Unidos.
A procura externa tem sido o motor mais constante do crescimento da China, compensando o fraco consumo interno e a prolongada crise no setor imobiliário.
O perfil comercial do país tornou-se cada vez mais assimétrico: a procura interna mantém-se anémica, enquanto empresas chinesas altamente competitivas continuam a reduzir a necessidade de importações.
Este excedente recorde deverá ter impacto positivo na aceleração do Produto Interno Bruto (PIB), após vários meses de abrandamento económico. As vendas a retalho estão a sair do ciclo mais prolongado de desaceleração desde 2021 e o investimento registou uma queda histórica.












