Timor-Leste e a australiana Woodside assinam acordo para estudos para produção de gás

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O Ministério do Petróleo e Recursos Minerais timorense assinou ontem com a australiana Woodside Energy um acordo de cooperação para realizar estudos e actividades para desenvolver a produção de Gás Natural Liquefeito no país.

Na cerimónia de assinatura do acordo, o ministro do Petróleo, Francisco Monteiro, destacou que a assinatura “envia uma mensagem clara de que o Governo e a Woodside estão unidos na ambição de colocar o Greater Sunrise a produzir de uma forma que beneficie todas as partes interessadas”.

“O projecto Gás Natural Liquefeito de Timor-Leste apresenta as melhores vantagens económicas, sociais e estratégicas para o povo de Timor-Leste, e estamos empenhados em trabalhar de forma construtiva com a Woodside, a ‘joint venture’ do Greater Sunrise e outras partes para fazer avançar o projecto e tornar a nossa visão para o Greater Sunrise uma realidade”, acrescentou o ministro.

A presidente executiva da Woodside, Meg O’Neill afirmou que o acordo representa o próximo passo na relação e o compromisso partilhado com o desenvolvimento dos campos Greater Sunrise. “Este trabalho é uma extensão do estudo de conceito realizado no ano passado e irá abordar as considerações remanescentes necessárias para chegar à seleção do conceito, tais como o acordo sobre a estrutura comercial ‘downstream’ mais apropriada para atrair financiamento e a identificação da rota preferencial para o gasoduto de exportação de gás”, salientou Meg O’Neill.

A cerimónia de assinatura foi testemunhada pelo primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, e pela embaixadora da Austrália em Timor-Leste, Caitilin Wilson, e decorreu durante o V Fórum de Energia, Mineração e Negócios de Timor-Leste, que termina esta quarta-feira.

Num comunicado conjunto, divulgado à imprensa, ambas as partes salientam que o acordo “representa um marco significativo nos esforços de longa data entre Timor-Leste e a Woodside para desbloquear o valor dos campos de gás de Greater Sunrise.

No âmbito do acordo, vão ser realizados estudos para o projeto de Gás Natural Liquefeito em Timor-Leste com capacidade de produzir cerca de cinco milhões de toneladas por ano, incluindo fornecimento de gás para uso doméstico e uma unidade para extrair hélio. “Estas actividades decorrerão em paralelo com as negociações em curso sobre o quadro fiscal, regulatório e jurídico necessários para apoiar o desenvolvimento ‘upstream’ dos campos de Greater Sunrise entre a Sunrise Joint Venture e os governos de Timor-Leste e da Austrália”, salienta o comunicado.

O acordo inclui um plano de alto nível que define as principais atividades necessárias para desenvolver e fazer avançar esta oportunidade, ao abrigo do qual a primeira produção de Gás Natural Liquefeito poderá ocorrer entre 2032 e 2035, sujeita à seleção do conceito e às decisões de investimento.

Localizado a 150 quilómetros de Timor-Leste e a 450 quilómetros de Darwin, o projeto Greater Sunrise tem estado envolto num impasse, com Díli a defender a construção de um gasoduto para o sul do país e a Woodside, segunda maior parceira do consórcio, a inclinar-se para uma ligação à unidade já existente em Darwin.

O consórcio é constituído pela timorense Timor Gap (56,56%), a operadora Woodside Energy (33,44%) e a Osaca Gás (10%).

O impasse levou a ‘joint venture’ a solicitar um estudo conceptual elaborado pela empresa britânica Wood, que confirmou que a viabilidade do desenvolvimento do Greater Sunrise em Timor-Leste. “A opção Gás Natural Liquefeito de Timor-Leste (TLNG, sigla em inglês) destaca-se por prever menores custos operacionais e, ao permitir melhores retornos gerais diretos e indiretos para Timor-Leste, criará um grande impacto socioeconómico no país”, refere o Governo timorense.

O acordo de fronteira marítima permanente entre Timor-Leste e a Austrália determina que o Greater Sunrise, um recurso partilhado, terá de ser dividido, com 70% das receitas para Timor-Leste no caso de um gasoduto para o país, ou 80% se o processamento for em Darwin. Lusa