Três pessoas detidas em Hong Kong por alegado apelo a boicote eleitoral

0
34

As autoridades de Hong Kong anunciaram a detenção de três pessoas por alegadamente apelarem ao voto nulo ou ao boicote das eleições para o parlamento local, marcadas para 7 de Dezembro.

Os três detidos, entre 55 e 66 anos, “partilharam publicações online que incitavam outras pessoas a não votar ou a votar de forma inválida”, referiu a Comissão Independente Contra a Corrupção (ICAC, na sigla em inglês) de Hong Kong.

O órgão prometeu “conduzir o caso de acordo com a lei e os procedimentos estabelecidos” e, após a conclusão da investigação, decidir, em conjunto com o Ministério Público, sobre a instauração ou não de um processo judicial.

No entanto, no mesmo comunicado, o ICAC “condena veementemente os criminosos que tentaram interferir e minar as atuais eleições do Conselho Legislativo [parlamento], divulgando mensagens online para incitar outras pessoas a não votar”.

A comissão recordou que, desde a revisão da lei eleitoral, em 2021, 12 pessoas foram condenadas por “publicamente, incitar os eleitores a não votar, votar em branco ou nulo”, um crime punido com pena de prisão até três anos.

No final de outubro, o secretário para a Segurança de Hong Kong, Chris Tang Ping-keung, tinha recordado que apelar ao voto em branco nas eleições para o parlamento da região administrativa especial chinesa pode constituir um crime. “Quero reiterar que estas ações não só violam potencialmente a lei eleitoral, mas também a lei de segurança nacional de Hong Kong”, acrescentou Chris Tang.

Na sequência dos protestos pró-democracia, por vezes violentos, de 2019, Pequim impôs uma lei de segurança nacional, com crimes cuja punição inclui a pena perpétua, que reprimiu a dissidência política em Hong Kong. “Tomaremos medidas de fiscalização decisivas com base em provas, se necessário”, acrescentou o secretário.

Chris Tang deu como exemplo o antigo deputado Ted Hui Chi-fung, que descreveu a votação como “uma farsa, totalmente alheia à opinião pública”, que “merece ser boicotada”, devido à exclusão da oposição pró-democracia. “Se os cidadãos acharem mesmo que um boicote dá demasiado trabalho, talvez simplesmente ignorá-la por completo reflita melhor os verdadeiros sentimentos dos habitantes de Hong Kong”, escreveu Ted Hui na rede social Facebook.

Ted Hui fugiu para a Dinamarca em dezembro de 2020 e em agosto passado recebeu asilo na Austrália, depois de ser acusado de crimes contra a segurança nacional de Hong Kong.

Também no final de outubro, o líder do Governo de Hong Kong, John Lee Ka-chiu, disse que a cidade iria inspirar-se nas legislativas da vizinha região de Macau, em setembro, para fazer das eleições de dezembro “um sucesso”.

Nas eleições de setembro para o parlamento de Macau, o número de votos nulos ou em branco mais do que duplicou em comparação com as últimas eleições, em 2021, ultrapassando 13 mil. Lusa