Vários parceiros de Timor-Leste destacaram a “grande conquista” do país com a adesão, no domingo, à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), que vai permitir reforçar a sua integração regional.
“O anúncio de ontem [domingo] na Malásia é uma conquista monumental e o resultado de muitos anos de trabalho árduo por parte do Governo de Timor-Leste, dos países da ASEAN e dos seus parceiros”, afirmou ontem a embaixada da Austrália, numa publicação nas redes sociais.
Timor-Leste concluiu domingo a adesão à ASEAN com a cerimónia de assinatura da declaração de admissão pelo primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão. O documento foi depois entregue ao secretário-geral da organização, Kao Kim Hourn, pelo chefe do Governo de Timor-Leste, acompanhado do Presidente José Ramos-Horta.
No domingo, num discurso proferido no âmbito da cimeira de chefes de Estado e de Governo da ASEAN, em Kuala Lumpur, na Malásia, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, felicitou Timor-Leste pela adesão, considerando-a um “marco importante para promover a interdependência económica e política” do país e para “reforçar a integração regional”.
A representação da União Europeia junto da ASEAN também destacou, nas redes sociais, o apoio dado pela organização europeia a Timor-Leste através do reforço da capacidade, apoio ao comércio, reforço institucional, entre outros. “Hoje, a ASEAN está completa, geográfica e politicamente, e Timor-Leste ganha novas oportunidades de inclusão regional e de uma integração económica mais profunda”, lê-se numa publicação nas redes sociais.
Os Estados Unidos, através do secretário de Estado, Mark Rubio, também felicitou Timor-Leste pela “histórica” adesão com 11.º membro da ASEAN, salientando que “representa um passo importante na contínua busca pela integração e cooperação regionais”. “Os Estados Unidos mantêm o seu compromisso com a centralidade da ASEAN e apoiam os esforços de Timor-Leste no processo de integração”, acrescentou.
A ONU também felicitou Timor-Leste pelo “momento histórico”, bem como a missão residente do Banco Asiático de Desenvolvimento, que salientou que a adesão “abre novos horizontes de crescimento, unidade e progresso no sudeste asiático”.
Líder da oposição timorense pede trabalho conjunto para dar valor à ASEAN
O líder da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin), Mari Alkatiri, afirmou ontem que Timor-Leste deve trabalhar em conjunto para dar valor à Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e não apenas para retirar valor dela. “Antes, vencemos a luta porque estivemos unidos. Agora que entrámos na ASEAN, todos temos de estar unidos. Neste momento, não estamos em confronto, mas a situação é difícil e exigente, porque estabelecer parcerias e cooperação significa reunir todas as condições para sermos um membro que acrescenta valor à ASEAN, e não apenas que retira valor da ASEAN”, afirmou Mari Alkatiri.
O secretário-geral da Fretilin falava aos jornalistas no aeroporto internacional Nicolau Lobato, após regressar de uma viagem de trabalho à Irlanda do Norte, Inglaterra e Portugal. O líder da oposição sublinhou ainda que a adesão de Timor-Leste à ASEAN é uma conquista de todos. “Entrámos na ASEAN, e isso é um sucesso de todo o povo”, elogiou Mari Alkatiri.
O dirigente da Fretilin apelou também à união nacional, defendendo que todos devem trabalhar em conjunto e não isoladamente. “Se cada um trabalhar por conta própria, não conseguiremos alcançar nada. Esse é o grande desafio”, afirmou. “Antes, quando começámos a nossa luta, alguns diziam que éramos um país pequeno, um povo pobre, sem ensino superior, que nunca venceríamos. Mas, no fim, vencemos porque estivemos unidos e transformámos a luta numa causa comum. Isso é o que realmente importa”, acrescentou Mari Alkatiri.
A ASEAN foi criada em 1967 pela Indonésia, Singapura, Tailândia, Malásia e Filipinas, e integrada mais tarde pelo Brunei Darussalam, o Camboja, o Laos, Myanmar, o Vietname e desde domingo por Timor-Leste. Com 676,6 milhões de habitantes, a ASEAN é a terceira região mais populosa do mundo, a seguir à Índia e à China. Lusa











