Criminalidade em geral desceu 6,4% no primeiro semestre

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A criminalidade em Macau referente ao primeiro semestre registou uma descida de 6,4% em termos anuais. Wong Sio Chak, secretário para a Segurança, afirmou que a situação geral da segurança pública se manteve “estável e favorável”, com “tendência de diminuição” nos crimes violentos graves, roubo e burla. As autoridades alertaram para o aumento da ocorrência de abusos sexuais de crianças, revelando ter registado 19 casos até Junho. Os crimes relacionados com o jogo viram também uma subida anual de 66,8%.

Os crimes registados em Macau no primeiro semestre do ano diminuíram 6,4% face ao período homólogo do ano passado, com 6.699 inquéritos criminais instaurados até Junho, menos 460 casos, anunciou Wong Sio Chak, secretário para a Segurança.

“O número total de crimes ocorridos em Macau continua a diminuir, a taxa dos crimes de violência grave continua a manter-se baixa, a situação da criminalidade continua estável e sob controlo e a ordem pública permanece estável e boa”, observou.

A tutela para a Segurança divulgou na passada sexta-feira as estatísticas da criminalidade dos primeiros seis meses deste ano. Na conferência de imprensa, o secretário destacou ao mesmo tempo a tendência de diminuição de crimes de furto, roubo, burla e crimes informáticos, que se deveu à “eficácia dos trabalhos de prevenção e combate efectuados pela Polícia”, disse.

Wong Sio Chak sublinhou, por outro lado, a quebra dos crimes de burla com recurso às telecomunicações e de burla cibernética, que “continuam a apresentar uma tendência de desaceleração”.

No período em análise foram registados 326 casos de burla cibernética, ou seja, uma redução de 82 casos em comparação com o primeiro semestre do ano transacto, sendo o principal modus operandi deste tipo de crimes a burla feita através do investimento online, a venda de bilhetes e as compras online.

As autoridades detectaram ainda 134 casos de burla telefónica, um decréscimo de 54 casos em termos anuais. Segundo o Executivo, a maior queda registada diz respeito a esquemas de “simulação de chamada por pessoal de serviços públicos”, que passaram de 148 casos da mesma época de 2024 para 64 casos neste ano.

Houve 235 casos de burla informática, dos quais 221 foram casos de fraude relacionada com pagamentos online através de cartões de crédito. Contudo, viu-se um aumento de casos de extorsão online através de ‘nude chat’, que levou ao registo de 38 casos, mais 10 casos quanto à época idêntica do ano passado.

Segundo revelou a Polícia, foram detidos até Junho 107 elementos pertencentes a redes criminosas de burla, enquanto os bancos locais conseguiram evitar a ocorrência de 346 casos de burla que envolviam um montante superior a 41 milhões de patacas.

No entender de Wong Sio Chak, a diminuição em geral da fraude em redes de telecomunicações e o crime cibernético mostra que “os esforços antifraude alcançaram certos resultados” e que a “conscientização pública sobre a prevenção de fraudes está a aumentar gradualmente”.

AU KAM SAN SEM INFORMAÇÃO ADICIONAL

 

Na conferência de imprensa da sexta-feira, ao ser questionado sobre o caso de segurança nacional envolvendo o antigo deputado pró-democrático Au Kam San, Wong Sio Chak recusou divulgar mais informações, uma vez que o caso “entrou já em processo judicial”. A detenção de Au aconteceu no final de Agosto deste ano, pelo que o caso não foi incluído no presente relatório do secretário para a Segurança.

MAIS CASOS DE ABUSO SEXUAL CONTRA MENORES

 

Este balanço de criminalidade chamou ainda atenção à subida de casos de abuso sexual de crianças, com a ocorrência de 19 ocorrências no primeiro semestre, um aumento de seis casos. Conforme a análise da Polícia, os casos envolveram, principalmente, a prática de actos sexuais voluntários entre pessoas da mesma idade e a difusão de fotografias e de imagens pornográficas.

“Entre estes, os suspeitos de alguns casos são familiares das vítimas”, revelou o governante. Wong Sio Chak explicou que a maioria dos casos no primeiro trimestre estiveram relacionados com relações sexuais consensuais, enquanto o segundo trimestre registou três casos de “agressores mais velhos que abusaram de menores”.

“Esses casos geralmente não são divulgados devido à forte oposição da família e a considerações de protecção infantil”, afirmou. O secretário acrescentou que houve ainda um incidente que envolveu uma vítima de três ou quatro anos de idade que foi assediada por um colega de turma numa creche.

Para proteger melhor os jovens dos crimes sexuais, as autoridades realizaram, até Junho, 54 actividades de sensibilização sobre a prevenção de crimes sexuais e a intensificação da autoprotecção contra este tipo de crimes em diversas escolas, que contaram com a participação de mais de 7.700 pessoas, incluindo alunos, encarregados de educação e pessoal docente.

50 INVESTIGAÇÕES DA VIOLÊNCIA DOMÉSTICA

 

Em termos de casos de violência doméstica, foram preliminarmente registados 50 casos no primeiro semestre, menos 17 casos em termos anuais. No entanto, a actualização da Polícia diz que, até ao dia 3 de Julho, após investigação e confirmação, de entre os 50 casos supramencionados, 4 foram classificados como crimes de violência doméstica. De resto, 34 foram identificados como crimes de ofensas à integridade física, 1 como conflito familiar em que não estava em causa matéria penal, 2 como outros crimes e 9 casos continuam em fase de investigação.

“A Polícia manteve uma cooperação estreita com o Instituto de Acção Social, garantindo que os casos que envolvam ofensas entre familiares possam obter uma intervenção imediata e um acompanhamento adequado”, garantiu o secretário.

Por outro lado, verificaram-se nos primeiros seis meses do ano 17 casos de violação, uma diminuição de 17 casos em comparação com o mesmo período do ano passado. A Polícia apontou que cerca de 60% das vítimas eram não residentes, e os casos ocorreram sobretudo em quartos de hotel e nalguns deles verificou-se a existência de conflitos monetários entre as vítimas e os suspeitos, não sendo de afastar a hipótese de que os casos tenham ocorrido num contexto de transacções sexuais.

CRIMES RELACIONADOS COM O JOGO CRESCERAM 66,8%

 

As autoridades divulgaram também o relatório da avaliação do impacto da situação actual do sector do jogo na segurança de Macau, onde é referido que, no primeiro semestre, registou-se uma subida anual de 66,8% no número de crimes relacionados com o jogo, com a detecção de 1.139 casos. Do total, 240 foram casos instaurados devido à exploração de câmbio ilícito para jogo.

Quanto a este acréscimo, Wong Sio Chak disse acreditar que o assunto esteja relacionado com a criminalização da troca ilegal de dinheiro. “Em articulação com a referida lei, que entrou em vigor recentemente, a Polícia reformulou os cálculos estatísticos relativos aos crimes relacionados com o jogo, e o crescente número de turistas também gerou mais factores de incerteza para a segurança pública, o que de certa maneira levou ao aumento dos crimes deste género”, justificou.

Wong Sio Chak mencionou que os ‘casinos-satélite’ das diversas zonas de Macau irão encerrar as suas operações em finais deste ano, ou mudarão o seu modelo operacional, nos termos previstos na “Lei do jogo”. “Apesar de não se ter registado qualquer impacto na segurança da sociedade derivado ao encerramento dos ‘casinos-satélite’, a Polícia já intensificou a recolha de informações e a avaliação de risco, prevenindo de forma séria os eventuais impactos que afectem negativamente a ordem pública de Macau”, adiantou.