O sinal n.º 8 de tempestade tropical manteve-se içado durante 18 horas em Macau, originando 25 ocorrências e interrompendo o funcionamento de escolas, transportes e serviços públicos. Este é o nono ciclone a afectar Macau em 2025 – um número que já não era registado desde 1993.
O ciclone tropical Tapah obrigou ao hasteamento do sinal de tempestade n.º 8 entre as 21h de domingo e as 15h de ontem, permanecendo içado durante um total de 18 horas. O sinal n.º 3, que já tinha sido emitido às 8h de domingo, voltou a entrar em vigor durante a tarde de ontem, à medida que o sistema tropical se afastava do território e se movia para o interior do continente.
O fenómeno meteorológico teve origem na zona norte do Mar do Sul da China e entrou a menos de 800 quilómetros de Macau na madrugada de sábado, como explicam os Serviços Meteorológicos e Geofísicos (SMG). A sua passagem despoletou ventos intensos, aguaceiros e trovoadas que se foram intensificando conforme se aproximava do território e fazia subir o nível de alerta, numa situação agravada pela “trajectória sinuosa” do sistema. O momento de maior proximidade ocorreu da parte da manhã de ontem, quando esteve a cerca de 110 quilómetros a sudoeste da região, com ventos que atingiram os níveis 8 e 9 na Escala de Beaufort (com classificações respectivas de “muito forte” e “tempestuoso”) e rajadas de 10 (“temporal”).
A combinação da precipitação intensa com a “maré astronómica” desta semana elevou o nível da água em cerca de um metro, com a altura máxima da maré a alcançar os 3,7 metros. O aviso de ‘storm surge’ amarelo acabou por ser cancelado ao meio-dia de ontem, 45 horas e meia depois de ter sido inicialmente emitido.
O Tapah foi o nono ciclone tropical a afectar Macau este ano, só superado em intensidade pelo Wipha, de Junho, que exigiu o levantamento do sinal n.º 10. Os dados do SMG indicam que a última vez que nove tempestades tropicais afectaram o território num só ano foi em 1993 – ou seja, há 32 anos. Recorde-se que, em Maio, as autoridades antecipavam que Macau fosse assolado por cerca de cinco a oito tempestades ao longo da época de tufões, geralmente compreendida entre Junho e Outubro.
À hora de fecho da redacção, ainda não havia indicações sobre quando os sinais de alerta seriam reduzidos para o n.º 1. Ainda assim, a previsão meteorológica para esta semana aponta para mais aguaceiros e períodos de trovoada dispersos entre hoje e amanhã, que acabarão por se dispersar no resto da semana devido à influência de um anticiclone em alta altitude. As temperaturas máximas vão também aumentar e atingir os 33 graus Celsius já esta quinta-feira, pelo que os SMG apelam para que a população se mantenha hidratada e adopte medidas preventivas contra a hipertermia.
REGISTADAS PELO MENOS 25 OCORRÊNCIAS
Até às 14:00 de ontem, o Centro de Operações da Protecção Civil registou 25 ocorrências em todo o território, sendo que 13 destas estavam relacionadas com a remoção de rebocos, reclamos, janelas, toldos ou outros objectos em risco de queda ou já derrubados. Verificaram-se ainda 11 casos de remoção de construções, candeeiros ou árvores em risco de queda ou já derrubados e um caso de uma pessoa que ficou retida num elevador. Enquanto o sinal n.º 8 se manteve em vigor, os centros de acolhimento de emergência do Instituto de Acção Social (IAS) acolheram 13 pessoas.
Apesar de o sinal de tempestade tropical ter amenizado para o n.º 3 às 15h de ontem, os serviços e entidades da Administração Pública e os estabelecimentos de ensino não superior mantiveram-se encerrados todo o dia, incluindo durante a parte da tarde. Por outro lado, os serviços de transportes públicos – abrangendo autocarros públicos, metro ligeiro e táxis especiais – retomaram o funcionamento normal a partir das 15h.
Os autocarros de ligação da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau no sentido de Hong Kong para Macau foram retomados a partir das 15h. Aqueles que completam a travessia no sentido inverso, de Macau para Hong Kong, só voltaram a operar às 16h30. Também a Ponte Macau voltou a abrir ao público, depois da realização de um “ensaio de circulação” que pretendia “garantir a segurança de condução dos veículos sob condições meteorológicas adversas”, de acordo com um comunicado divulgado anteontem pela Direcção dos Serviços de Obras Públicas (DSOP), a DSAT e os SMG.
Em novo comunicado, os organismos responsáveis informaram que, durante a noite de domingo, “vários serviços públicos destacaram veículos e técnicos de análise para levar a cabo testes de circulação” em “diferentes faixas de rodagem” na ponte. Os dados recolhidos no âmbito dos testes, que tinham como objectivos “recolher dados sobre as condições de tráfego em diversos cenários” e definir as “regras e restrições de circulação” durante fenómenos climáticos extremos, vão agora ser analisados pelo Governo.
Quanto aos casinos, a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ) e as concessionárias de jogos elaboraram conjuntamente “planos de recursos humanos” para salvaguardar a segurança dos trabalhadores e clientes, de acordo com uma nota publicada ontem por este departamento. Os trabalhadores e clientes que se encontravam nos recintos tiveram direito a “áreas de descanso apropriadas”, refeições e “outros apoios necessários”, sendo que os restantes trabalhadores foram aconselhados a permanecer em casa e evitar deslocações durante a tempestade.
Tal como foi anunciado pelos Serviços de Saúde no domingo, todos os serviços de urgência, de internamento e de hemodiálise permaneceram em funcionamento durante o dia de ontem, enquanto os serviços de consultas externas de especialidade e os serviços de cuidados de saúde não urgentes ficaram temporariamente suspensos. Um comunicado subsequente das autoridades de saúde veio esclarecer que os serviços de consultas externas, internamento e hemodiálise serão retomados hoje, terça-feira.
SAM HOU FAI ELOGIOU PLANOS PREVENTIVOS DAS AUTORIDADES
Às 19h de domingo, duas horas antes de ser decretado o sinal n.º 8, o Chefe do Executivo presidiu uma reunião de trabalho no Centro de Operações de Protecção Civil (COPC) para coordenar os preparativos de resposta ao ciclone tropical.
Durante a reunião, Sam Hou Fai agradeceu aos membros da estrutura de protecção civil por terem “preparado antecipadamente” os planos de reacção à passagem do Tapah e solicitou que “todos os serviços e instituições de cariz administrativo, legislativo e de justiça [desempenhassem] as suas responsabilidades”. O responsável referiu que a passagem sucessiva de ciclones tropicais por Macau nos últimos meses – nove, desde Junho – permitiu a realização de “inúmeros trabalhos preparativos de reacção imediata contra tempestades” e o “aperfeiçoamento contínuo” dos mecanismos de protecção contra cenários de vento intenso e inundações.
Numa nota de imprensa publicada pelo Gabinete de Comunicação Social (GCS), lê-se que Sam Hou Fai deu “instruções especiais” para garantir o funcionamento normal dos sistemas de drenagem e de eventuais planos de evacuação nas zonas baixas, exigindo que fosse garantido o “abastecimento não-interrompido de água e electricidade” a todos os residentes de Macau. Não obstante, o líder do Governo disse acreditar que “o impacto negativo” do ciclone seria “minimizado” devido à “força conjugada entre as autoridades, residentes e associações”, que permitia garantir uma reacção rápida ao fenómeno e um regresso célere à normalidade assim que o sistema se afastasse de Macau.











